quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Entender os mecanismos da crise ou bater panelas?


reprodução

A dinâmica dominante do financismo desequilibra o planeta e os Estados viraram a grande 'mama' deste grupo de gigantes financeiros.


François Morin, ex-conselheiro da Banque de France, autor de uma dezena de livros sobre a organização dos sistema financeiros, entende realmente do assunto. E escreveu agora um pequeno livro que é uma pérola, em termos de descrição de como funciona o oligopólio dos 28 gigantes financeiros do planeta. Extremamente claro e didático, com tabelas simples, explicita os mecanismos de poder que os grupos representam. E que poder! 
 
“Atores que adquiriram dimensão mundial, estes bancos se transformaram nos anos 1990 em oligopólio em razão das posições dominantes que ocupavam nos maiores mercados monetários e financeiros. Este oligopólio se transformou por sua vez em ‘oligopólio sistêmico’ quando, a partir de 2005, os bancos que o constituem abusaram das suas posições dominantes, multiplicando acordos fraudulentos. Como se surpreender, nestas condições, que face a este oligopólio sistêmico, tão novo e tão poderoso, os Estados se tenham visto ultrapassados, ou até se tenham tornado reféns?”.(115)  Já suspeitávamos? Sem dúvida, mas agora temos o detalhe da engrenagem, e vai crescendo por toda parte a indignação com o sistema, que ao mesmo tempo gera a instabilidde e dela se nutre. 
 
Na análise estão todos: JPMorgan Chase, Bank of America, Citigroup, HSBC, Deutsche Bank, Santander, Goldman Sachs e outros, com um balanço de mais de 50 trilhões de dólares em 2012, quando o PIB mundial é de 73 trilhões. A relação com os Estados é particularmente interessante, pois a dívida pública mundial, de 49 trilhões, está no mesmo nível que o balanço dos 28 bancos. Os Estados viraram a grande “mama” deste grupo de gigantes financeiros. (36) “Face aos Estados fragilizados pelo endividamento, o poder dos grandes atores bancários privados parece escandaloso, em particular se pensarmos que estes últimos estão, no essencial, na origem da crise financeira, logo de uma boa parte do excessivo endividamento atual dos Estados”.(35, ver tabela 16)
 
A China aparece com o Bank of China, mas no conjunto a quase totalidade é de bancos ocidentais, com forte dominância americana, e muita presença dos principais países europeus. Este oligopólio sistêmico, como o chama Morin, é portanto um instrumento de poder do Ocidente. Os 28 controlam igualmente os chamados derivativos, essencialmente especulação com variações de mercados futuros: o volume atingido em 2012 é de 720 trilhões de dólares, 10 vezes o PIB mundial. Se pensarmos que tantos países aceitaram reduzir os investimentos públicos e as políticas sociais, inclusive o Brasil, para satisfazer este pequeno mundo financeiro, não há como não ver a dimensão política que sistema assumiu.
 
Um aporte particularmente forte do livro é a análise de como este grupo de bancos vai se dotando, a partir de 1995, de instrumentos de articulação, a GFMA (Global Financial Markets Association), o IIF (Institute of International Finance), a ISDA (International Swaps and Derivatives Association), a AFME (Association for Financial Markets in Europe) e o CLS Bank (Continuous Linked Settlement System Bank). Morin apresenta em tabelas como os maiores bancos se distribuem nestas instituições. O IIF, por exemplo, “verdadeira cabeça pensante da finança globalizada e dos maiores bancos internacionais”, é um poder político assumido: “O presidente do IIF tem um status oficial, reconhecido, que o habilita a falar em nome dos grandes bancos. Poderíamos dizer que o IIF é o parlamento dos bancos, seu presidente tem quase o papel de chefe de estado. Ele faz parte dos grandes tomadores de decisão mundiais”. (61)
 
O livro ajuda muito a entender o sistema de poder que está por trás de um conjunto de deformações mundiais, que se materializam nas sucessivas crises, inclusive a crise de 2008 que ainda perdura, e facilita as nossas análises sobre os ataques especulativos recentes na Argentina, na Grécia ou Brasil.  Assim Morin complementa de forma muito rica um conjunto de estudos que surgiram ultimamente, resultado indireto da crise de 2008, e que nos permitem gradualmente entender a arquitetura e engrenagens de poder que criam o presente caos financeiro planetário. 
 
Nos últimos anos tivemos a primeira pesquisa de fundo sobre a rede mundial de controle corporativo, pelo Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica, que identificou os 147 grupos que controlam 40% do sistema corporativo mundial, sendo 75% deles bancos. Temos hoje uma visão mais clara sobre os traders, 16 grupos que controlam a quase totalidade do comércio de commodities no planeta, a quase totalidade sediados na Suíça, e responsáveis pelas dramáticas quedas recentes de preços. O Tax Justice Network, o ICIJ (consórcio mundial de jornalismo investigativo) e o próprio Economist pela primeira vez jogam um pouco de luz sobre os paraísos fiscais e as transferências internacionais ilícitas ou ilegais, identificando por exemplo cerca de 520 bilhões de dólares de fonte brasileira (cerca de 28% do PIB) e os mais de 20 trilhões em nível mundial. O Global Financial Integrity nos traz os dados sobre as fraudes internacionais em notas fiscais (misinvoicing, ou mispricing), que custam ao Brasil cerca de 2% do seu PIB a cada ano, e cerca de 60 bilhões de dólares anuais na África. 
 
O Crédit Suisse, que entende tudo de fortunas pois ajuda a administrá-las, chocou o planeta com estes números simples: 85 famílias têm um patrimônio igual ao da metade mais pobre da população mundial, resultado direto dos mecanismos financeiros. Se nos tempos de Marx a mais-valia se extraía empresa por empresa, hoje esta mais valia se extrai por meio de mecanismos globais, acima inclusive do poder regulador dos Estados.  Com estes e outros estudos, gradualmente está se levantando o véu sobre o gigante descontrolado que nos controla. 
Numeroso estudos teóricos, em particular de François Chesnais, já tinham delineado a dinâmica, e o trabalho do Piketty delineou o histórico e as consequências globais com ênfase nos países desenvolvidos. Nesta nova geração de estudos, chegamos cada vez mais perto de entender não a teoria geral da financeirização, mas sim as engrenagens do seu funcionamento, com nomes e valores.  Como se trata, e de longe, da dinâmica dominante que desequilibra o planeta, vale a pena se debruçar. Muitas coisas se tornam claras. Melhor do que usar o fígado, o ódio e as panelas, é entender realmente os mecanismos da crise que enfrentamos. 

Senado aprova fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais

Senadores aprovaram o texto-base do projeto de reforma política que define o fim do financiamento por empresas em campanhas. Na votação ficou estabelecido limite de doação 


Os senadores aprovaram, na noite desta quarta-feira (2), por 36 votos favoráveis e 31 contrários, o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais.
O texto base do projeto de reforma política foi aprovado em votação simbólica.
Antes de vetar as doações empresarias, os senadores chegaram a alterar o texto da Câmara que previa um limite de R$ 20 milhões de doação de empresas a partidos políticos e estabeleceram valor de R$ 10 milhões, porém, voltaram na questão e decidiram pelo fim do financiamento.
A doação fica permitida apenas se for feita por pessoas físicas, com limite do total de rendimentos tributáveis do ano anterior ao repasse dos recursos.
Fidelidade partidária - Por 38 votos a favor e 34 contrários, os senadores decidiram que perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito.
A troca de partido fica permitida 13 meses antes da eleição.
De acordo com a aprovação dos senadores, fica liberada a mudança de partido durante o período de 30 dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, que se realizará no ano anterior ao término do mandato vigente.
Após a votação no Senado, os temas que sofreram alterações serão encaminhados para votação na Câmara dos Deputados.
Por Michelle Chiappa, da Agência PT de Notícias

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

América Latina faz mobilização nas redes sociais para apoiar governo brasileiro

#AmericaLatinaConBrasil ficou entre os assuntos mais comentados de países como a Venezuela



 Internautas favoráveis ao governo da democracia e contra as tentativas de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff se mobilizaram, nesta quinta-feira (20), em favor do Estado Democrático de Direito. Enquanto milhares de brasileiros manifestaram, nas ruas, contra o golpismo da oposição, os venezuelanos se juntaram para manifestarem apoio ao governo brasileiro nas redes sociais.
As manifestações organizadas pelos movimentos sociais e sindicais em apoio ao governo e a democracia começaram pela manhã desta quinta e seguiram durante todo o dia. No fim do dia, segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), São Paulo registrou 60 mil de pessoas reunidas. Enquanto isso, 20 mil se encontravam em favor do ato na cidade do Rio de Janeiro.
A hashtag #AmericaLatinaconBrasil foi um dos assuntos mais comentados e estava no Trendings Topics na Venezuela. Aos poucos a tag foi contagiando outros países da América Latina como colombianos, equatorianos e panamenhos.
Os internautas reforçaram o discurso contra os pedidos de impeachment, a favor do povo e da democracia. O usuário @CesarConjV disse que o governo do Brasil se manterá firme e trabalhando pelo povo e contra os ataques da direita.
O @rangelgomez afirmou que o Brasil e a Venezuela são povos irmãos que transcenderam fronteira pela integração plena.



O usuário @andreseloypsuv escreveu que seu povo crê na união dos povos e que apoio “os irmãos do Brasil”.
Por Danielle Cambraia, da Agência PT de Notícias

terça-feira, 18 de agosto de 2015

NY Times faz duro editorial contra o golpe no Brasil


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Acredite se quiser.
O New York Times acaba de publicar um duro editorial contra o impeachment da presidenta Dilma!
Em outras palavras, um editorial contra o golpe.
O editorial repete os argumentos da blogosfera e do campo progressista e popular, de que um golpe causaria sérios danos à democracia no país, levando a um período de instabilidade por tempo indeterminado.
Não que eu dê bola ao que pensa o New York Times. Ao contrário, tenho consciência das armadilhas enormes por trás desses elogios da imprensa americana.
Mas o pensamento conservador brasileiro tem profundo respeito pelo que pensa o maior jornal dos Estados Unidos, não?
Tradução de um trecho:
"Ela [Dilma] não fez - o que é admirável - nenhum esforço para constranger ou influenciar as investigações. Ao contrário, ela tem consistentemente enfatizado que ninguém está acima da lei, e apoiou a renovação da gestão do atual procurador-geral da república, encarregado das investigações sobre a Petrobrás, Rodrigo Janot.
Até o momento, as investigações não encontraram nenhuma evidência de ações ilegais de sua parte. E enquanto ela é, sem dúvida, responsável por políticas e erros que produziram problemas econômicos, não há nada que justifique o impeachment. Derrubar Dilma sem evidências concretas de corrupção causaria sérios danos à democracia que vem ganhando força nos últimos 30 anos, sem nenhuma contrapartida. E não há nada que sugira que algum dos líderes políticos que querem lhe tomar o lugar faria melhor do que ela em termos de política econômica".
*
Agora está explicado porque a Globo e a grande mídia em geral recuaram do apoio ao golpe.
O Tio Sam mandou parar com a palhaçada.
Os EUA tem dezenas de bilhões de dólares investidos no Brasil.
Sabem que uma aventura golpista iria lhes fazer perder dinheiro.
Falta só avisar aos coxinhas psicóticos que desfilaram nas ruas com faixas em inglês.
A última frase do editorial, que fala sobre a falta de competência e moral na oposição, é um recado duro e sarcástico contra FHC e o PSDB, que se tornaram ainda mais histéricos e desequilibrados após as malogradas manifestações do último domingo.
O governo que mais combateu e combate a corrupção em toda a nossa história, é o de Dilma Rousseff.
Se as conspirações midiático-judiciais não transformarem essas investigações em surtos alienistas para prender metade do país, paralisar a economia e promover uma seletividade política penal, então Dilma terá um excelente legado para mostrar.
Via: ocafezinho.com

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Pré-sal: oposição tenta covardia contra Petrobras


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Vez por outra, descobre-se que uma pessoa paranóica pode ter razão -- e enxergar inimigos de verdade.
Contata-se, hoje, que nem o mais fanático adepto das teorias conspiratórias seria capaz de imaginar um roteiro tão óbvio para prejudicar o Brasil e os brasileiros.  
Depois que a Lava Jato já completou um ano e meio, levando  empresários, fornecedores e executivos para a prisão, deixando o governo Dilma Rousseff com uma perna quebrada, tenta-se retomar de qualquer maneira o mais antigo sonho das grandes multinacionais do petróleo e seus aliados internos, que trabalham há 62 anos contra a Petrobras.
A partir de um cálculo elementar, cuja base é a covardia, tenta-se aproveitar a hora de fraqueza do Planalto, para se tentar avançar de qualquer maneira no projeto 131, do senador José Serra, que propõe retirar a obrigatoriedade da presença da Petrobras na exploração do pré-sal -- descoberta que alterou a posição do país no mercado mundial de combustíveis e abriu uma perspectiva duradoura de desenvolvimento sustentável para o país. 
À sombra do ambiente de concórdia que passou a imperar em Brasília depois que, corretamente, ficou óbvio que operações golpistas são inaceitáveis para a população e incompatíveis com o lugar que a nação quer ocupar no mundo, o projeto conseguiu um avanço no Senado, ontem. Não foi uma jornada gloriosa. Foi uma manobra truculenta e repentina, que apanhou os senadores de surpresa. 
Um aspecto curioso é que nessa operação se mobilizam lideranças que têm demonstrado uma postura amadurecida e responsável no enfrentamento da crise política. José Serra teve um papel reconhecido para isolar lideranças tucanas como Aécio Neves, que se dedicavam a uma aproximação inaceitável com projetos golpistas. O presidente do Senado, Renan Calheiros, tomou distância do incendiário Eduardo Cunha.
A luta política não é feita por anjos. Ninguém é obrigado a abandonar suas convicções e projetos só porque os adversários se encontram numa situação desfavorável. A questão é o método empregado, pela construção de maiorias artificias que impedem uma boa discussão.
Ao perceber a dificuldade para ganhar o jogo a favor do projeto 131, o presidente do Senado, Renan Calheiros, mudou a escalação de titulares e suplentes da Comissão Especial encarregada de discutir o projeto 131. Graças a mudança,  a maioria, agora, é outra. Antes, os adversários do projeto tinham uma vantagem de 8 contra 6, numa composição que respeitava a vontade política dos líderes de cada bloco político, como sempre acontece e é bom que seja assim. Agora, por decisão do presidente da Casa, o quadro se inverteu. Estão garantidos pelo menos sete votos seguros a favor do projeto, contra três adversários. Só é preciso, até o fim dos trabalhos,  encontrar um voto entre os indecisos para se mudar a situação. Pela vontade de Renan, o senador Ricardo Ferraço, favorável ao projeto, e que será o relator quando a proposta for votada em plenário, terá a mesma função na Comissão -- medida que os adversários interpretam como um esforço para garantir que não ocorra o mais leve desalinhamento ou ruído. 
Para completar o ambiente de cerco, a Polícia do Senado foi orientada ontem a impedir a presença, nas cadeiras da plateia da  Comissão, de lideranças da FUP, mobilizada em defesa do regime atual do pré-sal. Eles já tinham conseguido até um habeas corpus do ministro Luiz Fachin, do STF, mas não adiantou. Identificados, nome a nome, foram impedidos ingressar na sala destinada aos trabalhos -- como se não estivessem no exercício, expressamente autorizado, de seus direitos políticos.
"Estamos diante de um golpe", denuncia Lindbergh Farias (PT-RJ). Inconformados, os parlamentares que defendem o regime atual do pré-sal se retiraram da comissão e cogitam a possibilidade de fazer um relatório alternativo, para ser apresentado em plenário. 
Pela decisão de Renan, Vanessa Grazziotin, do PC do B, foi substituída por José Medeiros, do PPS. Telmário Mota, de Roraima, foi substituído por Cristovam Buarque. Fatima Bezerra tornou-se suplente. 
 A defesa o pré-sal inclui senadores como Benedito de Lira (PP-AL). Alagoano de Junqueiro, ele era deputado durante o governo Fernando Henrique, quando votou a favor da quebra do monopólio da Petrobras. Em sua opinião "foi uma medida boa. Depois dela descobriram reservas em Alagoas, que ninguém achava que existia. Nós descobrimos tanto gás que agora fornecemos para o Estado e ainda vendemos para o Sergipe."
   Diante do pré-sal, contudo, senador defende o monopólio da Petrobras na exploração do Pré-Sal, por uma razão que explica com clareza: "Depois de gastar muito dinheiro para descobrir uma mina de ouro, você não vai entregá-la de graça para o primeiro interessado que aparecer," argumenta. "Imagine: você, como jornalista, apura e escreve uma matéria. Depois, aparece alguém e diz que é dele. Você vai aceitar? Claro que não."
O esforço para garantir uma comissão alinhada com o projeto, desde o início, confirma a dificuldade previsível para aprovar a mudança em plenário. Isso já tinha ficado claro quando adversários do projeto 131 conseguiram reunir  60 assinaturas --  num total de 81 possíveis -- que pretendiam garantir ao projeto um trâmite normal, que implica num ritual tradicional, com debate em várias comissões, consulta a especialistas e até audiências públicas, antes que fosse colocado em votação.
O esforço para fazer um debate apressado se explica por razões técnicas e políticas. Toda pessoa que se dê ao trabalho de buscar informações sobre o petróleo irá descobrir que a maioria dos países optou pelo controle estatal. Isso ocorre não só porque assim é possível dar um destino socialmente adequado dos fabulosos rendimentos que ele proporciona, mas também porque se trata de um patrimônio estratégico, como ilustram todas as guerras feitas em seu nome. No caso das Petrobras as perspectivas são tão promissoras que em maio, quando a empresa parecia apanhada no contrapé para financiamentos futuros, não teve a menor dificuldade para receber US$ 10 bilhões em empréstimos da China.
O fator político inclui uma lição banal, mas necessária. A Petrobras faz parte do patrimônio da população e assim é vista por ela, razão pela qual toda tentativa de desfazer-se seu patrimônio costuma provocar reações firmes e decididas. A pressa de hoje destina-se a aproveitar o momento de justa perplexidade de muitos brasileiros diante dos descalabros descobertos na empresa. A oposição faturou e muito em cima da Lava Jato. Mas pode perder seu charme -- quase vitorioso em outubro do ano passado -- se ficar claro que só estava interessada em enfraquecer a empresa para poder vender mais barato.
A oposição tenta andar rápido -- antes que os brasileiros percebam o truque.

Via: http://www.brasil247.com/

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Marcha das Margaridas reúne 100 mil mulheres em apoio a Dilma

Trabalhadoras do campo caminharam pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, onde finalizaram a Marcha: “Não é um abraço [no Congresso]. É um arrocho. Vamos arrochar esses cabras”, afirmou uma das coordenadoras. Entre as pautas do movimento, estão a defesa da reforma agrária, o fim da violência contra a mulher e o apoio à presidenta contra as tentativas de impeachment
Por Maíra Streit, de Brasília
A 5ª edição da Marcha das Margaridas mobilizou trabalhadoras do campo de todas as regiões do país, que caminharam em um ato pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (12). O objetivo do protesto é chamar a atenção para a luta pela reforma agrária, soberania alimentar, igualdade de direitos e o fim da violência contra a mulher. Neste ano, a organização incluiu na pauta a defesa da democracia, rechaçando as tentativas de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Aos gritos de “não vai ter golpe”, as manifestantes se reuniram em torno do Congresso Nacional ao fim da passeata. Do carro de som, um alerta: “Não é um abraço [no Congresso]. É um arrocho. Vamos arrochar esses cabras”. Maria Rita Fernandes, uma das lideranças do evento, afirmou que a ideia é expressar apoio a Dilma, diante das reiteradas ações da oposição para derrubá-la do posto.
“Eu acredito na capacidade política e na civilização do povo. Há 12 anos, a gente sofria muito, sequer tinha alimento. Viajamos 3, 4 mil quilômetros até aqui não por acaso. Foi para colocar nossos ideais”, disse em referência à época que o Brasil era comandado pelo governo tucano. De acordo com a organização, mais de 100 mil pessoas participaram do ato na capital.
Para a coordenadora-geral da Marcha, Alessandra Lunas, a atual crise política é fomentada por setores da imprensa que não têm compromisso com a democracia no país. Entre outras pautas, ela ressaltou a defesa do Estado laico, dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e a postura contra a redução da maioridade penal. Na programação, está prevista para a tarde a solenidade com a presidenta, que deve dar uma resposta às reivindicações entregues ao governo pelo movimento. “A Marcha não voltará de sacola vazia”, disse Lunas a respeito do encontro.
Histórico
A Marcha das Margaridas é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e outras onze entidades parceiras. O evento foi criado em homenagem a Margarida Maria Alves, assassinada em 1983 por um latifundiário que se sentia ameaçado pela luta constante da ativista. Ela era presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Alagoa Grande, na Paraíba, e morreu com um tiro de espingarda no dia 12 de agosto, aos 50 anos.
Via: http://www.revistaforum.com.br/

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O panelaço da barriga cheia e do ódio

Por Juca Kfouri

"Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.
O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando  aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.
Como eu sou.
Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:
‘Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. 
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. 
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. 
Não é preocupação ou medo. É ódio. 
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. 
Continuou defendendo os pobres contra os ricos. 
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. 
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. 
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. 
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. 
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.’
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país. 
‘Santa hipocrisia’, disse ele. ‘Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais’.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de ‘vaca’ em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: ‘Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha’.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.
E sem corrupção, é claro!”
Via: http://www.revistaforum.com.br/

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Executiva Nacional do PT convoca militância para trincheira de luta pela democracia


militancia

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores definiu, durante reunião nesta terça-feira (4), em Brasília, a nova resolução política da legenda. No documento, a legenda convoca uma “Jornada em Defesa da Democracia, dos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras e das Conquistas do Nosso Povo”.
Para isso, o PT reforça a importância de participação na Marcha das Margaridas, de 11 e 12 de agosto, no Ato Nacional pela Educação, no dia 14 de agosto, e no Ato Nacional dos Movimentos Sociais, do dia 20 de agosto.
“O PT exorta todos os seus militantes a construírem uma trincheira de luta pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores/as, pelos direitos humanos, em defesa da Petrobras e do povo brasileiro. Que ninguém se cale! Levantemo-nos juntos!”, diz o texto.
Na resolução, o PT volta a criticar a escalada conservadora da oposição, da mídia monopolizada e de agentes públicos. Para a legenda, os atos têm o objetivo de enfraquecer o governo da presidenta Dilma Rousseff, criminalizar o PT e atingir a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O clima de intolerância e ódio que vem sendo acirrado pelas forças conservadoras derrotadas pelas últimas eleições afronta a tradição do povo brasileiro e agrava os problemas que o país vem superando”, afirma o PT, na resolução.
Além disso, a legenda volta a repudiar o ataque ao Instituto Lula, na última quinta-feira (30).
“Causa indignação a conivência silenciosa de certos meios de comunicação e partidos, que se dizem democráticos, com o atentado de caráter fascista ao Instituto Lula”, diz o documento.
Para o PT, o Plano de Proteção ao Emprego e a redução da meta do superávit primário foram medidas “positivas” do governo Dilma. A legenda também considera como relevante para continuidade da agenda positiva um encontro da presidenta com as principais lideranças dos movimentos sociais.
Da Redação da Agência PT de Notícias
Via: http://www.ptnacamara.org.br/

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lacerda vive

Por: Francisco Bastos

Os mais jovens que não se preocuparam em ler a história do Brasil e dos últimos 30 anos certamente não conseguem saber quem foi Lacerda e porque vive. Então, em respeito a talvez alguns poucos leitores de idades menos avançadas tentarei dar uma rápida explicação de quem foi este brasileiro que dá o título deste artigo.

Carlos Lacerda foi um político carioca, governador do então estado da Guanabara, que foi personagem destacado de dois movimentos golpistas contra o presidente Getúlio Vargas, em 1954, e João Goulart, em 1964.

Dono de um jornal e sendo um grande orador, na busca pelo poder nunca mediu as consequências de seus atos, tendo conseguido ser o aliado de primeira hora em movimentos anti-demotráticos para, em seguida, ser descartado pelos "vencedores" pela sua presença inconveniente.

Pois vejo que na atual crise nacional, embora que a mesma tenha muitas diferenças e algumas poucas semelhanças com os episódios de 1954 e 1964, o "renascimento" de Lacerda na pele de alguns políticos que estão pregando e se posicionando da mesma forma dele, com o claro propósito de atingir o poder a qualquer custo. Para isso, vão se utilizando de métodos destoantes, sendo o mais nocivo aqueles que quebram a harmonia entre os poderes, base imprescindível para a manutenção do regime democrático.

Espera-se que não se dê espaços nem ouvidos para os "novos Lacerdas" e que não percamos a oportunidade de fortalecer a democracia, conseguida a duras penas, utilizando os instrumentos que a Constituição oferece, pois este é, sem dúvidas, o melhor caminho para um país que já sofreu tanto com atos discricionários. Então, basta que se cumpra a lei para que Lacerda não viva.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sartori propaga clima de caos para propor privatizações, diz presidente do SindBancários

Everton Gimenis:
Marco Weissheimer
O presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Everton Gimenis, não tem mais dúvida que o governo José Ivo Sartori (PMDB) está alimentando um clima de caos no Estado para justificar a privatização de empresas públicas. “Para nós, está claro que o governo Sartori tem um projeto de entrega do patrimônio público. Essa política do caos, criada pelo próprio governo desde janeiro, dizendo que não tem dinheiro para saúde, segurança e educação, e que culminou agora com o atraso no salário dos servidores, é deliberada e tem o objetivo justamente de criar uma sensação de caos na sociedade para justificar o que eles querem: a entrega das estatais”, diz Gimenis.
“A direita gaúcha”, acrescenta, “não conseguiu fazer todo o serviço durante o governo Britto, não conseguiu vender nem o Banrisul, nem a Corsan, e só conseguiu vender a metade da CEEE. Agora estão criando essa situação de caos tanto para justificar as privatizações como o aumento de impostos”.
Gimenis lembra que o próprio Secretário da Fazenda, Giovani Feltes, confirmou que o pacote do governo deve ter essa combinação de aumento de impostos com privatização de empresas públicas. “Eles só não sabem ainda se têm maioria na Assembleia para derrubar a PEC que prevê a realização de plebiscito para a venda de empresas públicas ou se terão que ir para o plebiscito e comprar o desgaste do debate público sobre a venda das estatais”, assinala o dirigente do SindBancários.
O governo Sartori, aponta ainda Gimenis, tem um grande aliado midiático na construção dessa agenda das privatizações: “a RBS é o grande canal de comunicação do governo, que fica repetindo diariamente que o Estado está completamente falido e que é preciso arrumar dinheiro de qualquer jeito, inclusive vendendo patrimônio público. Se nós não fizermos uma grande campanha em defesa do patrimônio público e do serviço público no Rio Grande do Sul, podemos ser derrotados neste plebiscito”.
"Isso já aconteceu no governo Britto e a receita das privatizações não trouxe uma solução para os problemas financeiros do Estado."  (Foto: Caroline Ferraz/Sul21)
“Isso já aconteceu no governo Britto e a receita das privatizações não trouxe uma solução para os problemas financeiros do Estado.”
(Foto: Caroline Ferraz/Sul21)
Com base neste diagnóstico, o Sindicato dos Bancários decidiu participar ativamente da frente dos servidores públicos. “Quando ficamos sabendo da confirmação do parcelamento e da reação dos policiais civis e militares, decidimos ingressar com aquela liminar pedindo o fechamento das agências bancárias caso não houvesse policiamento nas ruas”, relata ainda Gimenis. Nem todas as agências cumpriram a ordem judicial. O Banco do Brasil e o HSBC decidiram pelo fechamento das agências. O Santander e outros bancos fizeram um fechamento parcial, enquanto Bradesco e Banrisul mantiveram todas as agências abertas. O departamento jurídico do SindBancários denunciou esses bancos por descumprimento da ordem judicial.
Além do apoio à mobilização dos servidores públicos estaduais, o SindBancários, junto com outros sindicatos, está articulando a formação de uma frente em defesa das estatais. “Queremos mostrar à população por que é importante manter o Banrisul e o Badesul públicos, por que é importante manter a CEEE e a Corsan públicas, e o que está por trás desse discurso de caos do governo Sartori. Isso já aconteceu no governo Britto e a receita das privatizações não trouxe uma solução para os problemas financeiros do Estado. O governo Britto entregou todo o patrimônio que entregou e o Estado continuou com os mesmos problemas. Manter públicas empresas como o Banrisul e o Badesul faz parte da solução dos problemas do Rio Grande do Sul”, defende Gimenis.
O dirigente sindical considera como real a ameaça de privatização de empresas como o Banrisul, o Badesul e a Corsan pelo governo Sartori. “O atual discurso propagador do caos leva a isso. Se o governo quer vender ativos para fazer frente à crise, as joias da coroa são as grandes empresas. Não será a venda de pequenas empresas que fornecerá dinheiro para resolver os problemas financeiros do governo. No fundo, o governo não fala abertamente sobre isso porque sabe que essas empresas maiores são uma marca. Daí a dúvida em realizar o plebiscito ou não. O Banrisul é o banco dos gaúchos, apesar de o atual governo estar se esforçando para que os gaúchos não gostem mais do banco. Sartori está fazendo a mesma coisa que o Britto fez. Está incentivando aposentadorias e diminuindo o número de caixas nas agências, ou seja, está precarizando o atendimento à população e construindo um ambiente favorável à privatização. Já estão falando abertamente em vender a seguradora e a Banrisul Cartões, que são dois filés, que dão muito dinheiro”.
Sartori, lembra ainda Gimenis, era líder do PMDB durante o governo Britto, quando extinguiram a Caixa Econômica Estadual e o Badesul, venderam a Companhia União de Seguros, metade da CEEE e estavam preparando o Banrisul para privatização. “Hoje, eles não têm maioria, junto à população e junto à própria base, para repetir essa receita. O PDT já disse que não aceita a privatização da CEEE. Por isso estão buscando construir as condições para tanto por meio da disseminação do discurso do caos. Nós vamos fazer esse debate com a população e desmascarar as reais intenções desse governo. Acreditamos que a solução para o problema da crise passa pelo combate à sonegação, pela renegociação da dívida e pela retomada do crescimento, usando empresas como o Banrisul e o Badesul como agentes fomentadores de desenvolvimento. O que está em curso no Rio Grande do Sul é uma política de Estado mínimo e de desmonte do serviço público”.

Via: www.sul21.com.br

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Além do previsto, por Janio de Freitas



Tremei, cidadãs e cidadãos. Já não bastam as vozes do impeachment, a fúria dos bolsonaros, a pauta-bomba de Eduardo Cunha que não é para a Câmara mas sobre o país. Nem bastam as manifestações programadas pelo SOS Militares e pelo PSDB de Aécio, nem mesmo a Lava Jato. Tremei cidadãs e cidadãos, que além do mais, e sobre todas as coisas, faz agosto.
Se em melhor tempo alguém, nestas páginas, concluiu que a solução para Dilma é a que Getúlio se deu, não por acaso em certo agosto, não é exagero que o novo agosto chegue anunciado por uma "bomba caseira" lançada no Instituto Lula. Bombas são assim domesticamente inofensivas, "caseiras", até que matam uma dona Lida, uma criança na calçada, ou moradores de rua, que para eles o azar não tem fim. Bombas não costumam ser solitárias. É bem possível que a bomba de agora seja vista, depois, como um ponto inicial. Nem sugiro de quê.
No agosto tão previsto surge, porém, algo que ninguém ousara prever. Por falta do precedente apesar de todos os agostos. Ou por um saldo de crença no bom senso onde se teme que falte. O imprevisível foi trazido pelo jovem procurador Deltan Dallagnol, um dos cruzados e porta-voz da Lava Jato.
Seria no máximo extravagante o enlace entre exposição dos feitos da Lava Jato e a oração que Dallagnol fez, para seus irmãos de fé, em uma igreja batista no Rio –com convite a jornalistas para a conveniente propagação da mensagem. A da fé aliada à Lava Jato ou só a outra, não se sabe. A outra que, ficou claro, foi uma das finalidades da assembleia, senão "a" finalidade da exposição entremeada de citações bíblicas: Dallagnol pediu que seus irmãos de fé acompanhem a página de determinado pastor na internet, que difunde o espírito cruzado da Lava Jato. E foi mais longe: concitou à mobilização dos crentes para uma agenda de manifestações "contra a corrupção". Entre elas, uma pregação que se pretende de âmbito nacional.
Quando? No 16 de agosto que os pregadores do impeachment de Dilma escolheram para voltar à rua.
Deltan Dallagnol fez a palestra na condição de participante de inquéritos da Procuradoria da República e de integrante da chamada Operação Lava Jato. Sua exposição e os gráficos exibidos foram os mesmos feitos dias antes na TV, sem as conotações religiosas e sem a convocação. Como porta-voz da Lava Jato em ambas, na segunda exposição pôde fazer o que na anterior não cabia: a convocação que expressa uma definição política e o propósito do grupo de trabalho que ele integra. Tanto que nenhuma voz desse grupo tomou a providência de retificá-lo na definição e na incitação que fez, e que muitos meios de comunicação noticiaram.
Por meio de Deltan Dallagnol, a Lava Jato se assumiu como ação política –o que os princípios e os fins da Procuradoria da República não admitem.
A RE-UNIÃO
Apesar de tudo, agosto promete alguma diversão.
Os adeptos do impeachment dividiram-se depois da reunião de Dilma com os 26 governadores e o governador do DF. Uns silenciaram sobre o resultado, para poderem falar em derrota de Dilma. Outros, como Aécio e a cúpula do PSDB, perderam a voz. Mas o fato é claro: Dilma teve uma vitória política, talvez muito além da esperada.
Foi um jogo de alto risco para os dois lados. Não seria surpreendente que se apresentasse uma dissidência entre os governadores, recusando as propostas de Dilma e inutilizando a reunião. Para os governadores, o risco está no teste que aceitaram, ao comprometer-se a tanger suas bancadas para o apoio, no Congresso, à contenção de gastos e à derrubada dos novos e altos gastos aprovados por comando de Eduardo Cunha. Os governadores apostaram na sua duvidosa força política.
Embates em vários Estados, embates na Câmara entre os cumpridores do acordo feito no Planalto e o desacordo total anunciado por Eduardo Cunha e sua pauta-bomba. Até lá, vigora a imagem de rara unanimidade entre os 27 governadores.

Afinal, o PT fracassou em que mesmo?

1. Produto Interno Bruto:
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões
2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil
3. Dívida líquida do setor público:
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB
4. Lucro do BNDES:
2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões
5. Lucro do Banco do Brasil:
2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões
6. Lucro da Caixa Econômica Federal:
2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões
7. Produção de veículos:
2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões
8. Safra Agrícola:
002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas
9. Investimento Estrangeiro Direto:
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares
10. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares
11. Índice Bovespa:
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos
12. Empregos Gerados:
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano
13. Taxa de Desemprego:
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%
14. Valor de Mercado da Petrobras:
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões
15. Lucro médio da Petrobras:
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano
16. Falências Requeridas em Média/ano:
Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795
17. Salário Mínimo:
2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)
18. Dívida Externa em Relação às Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81%
19. Posição entre as Economias do Mundo:
2002 – 13ª
2014 – 7ª
20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas
21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
2002 – 86,21
2014 – 305,00
22. Passagens Aéreas Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões
23. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares
24. Inflação Anual Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%
25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas
26. Taxa Selic:
2002 – 18,9%
2015 – 14,25%
27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário
28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas
29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas
30. Capacidade Energética:
2001 – 74.800 MW
2013 – 122.900 MW
31. Criação de 6.427 creches
32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados
33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50
milhões de beneficiados
34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza
35. Criação de Universidades Federais:
Governos Lula e Dilma – 18
Governo FHC – zero
36. Criação de Escolas Técnicas:
Governos Lula e Dilma – 214
Governo FHC – 0
De 1500 até 1994 – 140
37. Desigualdade Social:
Governo FHC – Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4%
38. Produtividade:
Governo FHC – Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2%
39. Taxa de Pobreza:
2002 – 34%
2012 – 15%
40. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 – 15%
2012 – 5,2%
41. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 – 0,669
2005 – 0,699
2012 – 0,730
42. Mortalidade Infantil:
2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos
43. Gastos Públicos em Saúde:
2002 – R$ 28 bilhões
2013 – R$ 106 bilhões
44. Gastos Públicos em Educação:
2002 – R$ 17 bilhões
2013 – R$ 94 bilhões
45. Estudantes no Ensino Superior:
2003 – 583.800
2012 – 1.087.400
46. Risco Brasil (IPEA):
2002 – 1.446
2013 – 224
47. Operações da Polícia Federal:
Governo FHC – 48
Governo PT – 1.273 (15 mil presos)
48. Varas da Justiça Federal:
2003 – 100
2010 – 513
9. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)
50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria
FONTES:
47/48 – http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 – http://www.washingtonpost.com
42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 – índice de GINI: http://www.ipeadata.gov.br
45 – Ministério da Educação
13 – IBGE26 – Banco Mundial
Via: Blog de Jorge Furtado