quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fim do silêncio: intelectuais brasileiros reagem ao golpe e à destruição da Petrobras


Flickr

Conclamamos as forças vivas da Nação a cerrarem fileiras em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.

Nesta terça-feira, 24/02, a Central Única dos Trabalhadores (Cut) e a Federação Única dos Petroleiros (Fup), entre outras entidades e movimentos, juntamente com intelectuais brasileiros, lançam uma campanha nacional para impedir que a demência neoliberal destrua a Petrobras, paralise o Brasil, interrompa obras estratégicas e gere um furacão de desemprego e calote salarial nos canteiros do PAC e do pré-sal.  

O ato desta terça, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, deve ser o início de uma caminhada. Seu êxito depende de um corajoso programa de manifestações em todo o país, inclusive nos canteiros de obras do pré-sal, com a presença de uma frente de lideranças progressistas, na qual não podem se omitir Lula, Boulos e Stédile, entre outros. 

O manifesto lançado por intelectuais brasileiros condensa a gravidade do que está em jogo: está em jogo para o conservadorismo a chance de paralisar o país e a economia, gerar o caos para voltar ao poder na carona da crise devastadora - ainda que às custas do estado de direito. Impedi-lo é o desafio de urgencia histórica que reclama a união de toda a esquerda e das forças progressistas e democráticas da nação. 

Leia, abaixo, o manifesto. 

O QUE ESTÁ EM JOGO AGORA


A chamada Operação Lava Jato, a partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria democracia.

Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a conquista dos principais prêmios em congressos internacionais.

Está à vista de todos a voracidade com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares. Entre nós, esses interesses parecem encontrar eco em uma certa mídia a eles subserviente e em parlamentares com eles alinhados.

Debilitada a Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000 empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial.

Por outro lado, esses mesmos setores estimulam o desgaste do Governo legitimamente eleito, com vista a abreviar o seu mandato. Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes permita alcançar seus objetivos, antinacionais e antidemocráticos.

O Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição. Conclamamos as forças vivas da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.

20 de fevereiro de 2015

Alberto Passos Guimarães Filho
Aldo Arantes
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Cândido Mendes
Carlos Medeiros
Carlos Moura
Claudius Ceccon
Celso Amorim
Celso Pinto de Melo
D. Demetrio Valentini
Emir Sader
Ennio Candotti
Fabio Konder Comparato
Franklin Martins
Jether Ramalho
José Noronha
Ivone Gebara
João Pedro Stédile
José Jofilly
José Luiz Fiori
José Paulo Sepúlveda Pertence
Ladislau Dowbor
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Luiz Pinguelli Rosa
Magali do Nascimento Cunha
Marcelo Timotheo da CostaMarco Antonio Raupp
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arrochelas
Maria José Sousa dos Santos
Marilena Chauí
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Mascarenhas
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires


Via: http://cartamaior.com.br/

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

SwissLeaks: revelações sobre um sistema de fraude fiscal internacional

As revelações farão trepidar o mercado financeiro e serão embaraçosas para personalidades, que vão do rei do Marrocos Maomé VI ao ator John Malkovich


Fabrice Lhomme e Gérard Davet - Le Monde

Os números são de tirar o fôlego. A série de reportagens publicada pelo jornal Le Monde, espetacular e inédita, é fruto de investigações realizadas entre Paris, Washington, Bruxelas e Genebra, e revela os bastidores de um grande sistema de evasão fiscal aceito, e até encorajado, pelo britânico HSBC, o segundo maior banco do mundo, através da sua filial suíça HSBC Private Bank.
 
O jornal Le Monde, que investigava o caso HSBC desde sua origem, tomou posse, no início de 2014, de dados bancários internacionais, compreendendo o período 2005-2007, que demonstravam uma gigantesca fraude em escala internacional. Os dados foram compartilhados com 60 veículos internacionais de mídia, sob a coordenação do ICIJ – The International Consortium of Investigative Journalists. A revelação será embaraçosa para muitas personalidades, do rei do Marrocos Maomé VI ao ator americano John Malkovich, mas, acima de tudo, fará trepidar o mercado financeiro internacional.

Segundo os investigadores, 180,6 bilhões de euros teriam transitado, em Genebra, pelas contas HSBC de mais de 100 mil clientes e de 20 mil sociedades offshore, precisamente entre os dias 9 de novembro de 2006 e 31 de março de 2007 – período correspondente aos arquivos roubados do HSBC PB por Hervé Falciani, antigo empregado do banco.

No fim de 2008, este engenheiro de informática francês havia fornecido os dados roubados de seu empregador a agentes do fisco francês. De posse destes dados em janeiro de 2009, a Justiça francesa passou a investigar desde então uma pequena parte da “lista Falciani”, os cerca de três mil franceses suspeitos de ter escondido dinheiro no HSBC PB, com a cumplicidade do banco – que por isso foi indiciado neste país por procedimento bancário e financeiro ilícito, lavagem de dinheiro e fraude fiscal.
 
Mais de 5,7 bilhões de euros teriam sido enviados pelo HSBC PB para paraísos fiscais apenas em nome de seus clientes franceses. O Ministério da Economia francês só levou à Justiça cerca de 60 casos, já que a maior parte dos contribuintes franceses já teria regularizado sua situação fiscal desde então.  

Em 28 de janeiro de 2014, com o título “Listas do HSBC: a saga de uma explosiva investigação sobre sonegação”, o jornal Le Monde publicava uma primeira série de artigos sobre os meandros do inquérito judicial francês. Mas faltava o aspecto mundial...
Alguns dias depois, uma pessoa foi à portaria do jornal, no Boulevard Auguste Blanqui, em Paris. Esta fonte, cujo anonimato protegemos, nos entregou um pen drive com a totalidade dos arquivos adquiridos a partir dos “dados Falciani”, na maior confidencialidade, a partir de 2009, pelo Fisco francês, muitas vezes com certa reticência de parte do poder político.
Quem está nestas listas – transmitidas pelo Ministério da Economia francês a vários governos estrangeiros – e cujos nomes revelamos porque representam um interesse público? Traficantes de armas e de drogas, financiadores de organizações terroristas, políticos, estrelas do showbiz, ícones do esporte ou senhores da indústria... Desejosos, em sua grande maioria, de esconder seu dinheiro na Suíça. E frequentemente, é claro – e assim como com os clientes franceses – na mais perfeita ilegalidade. A disparidade dos perfis dos detentores de contas é impressionante. De cirurgiões franceses desejando lavar seus honorários não declarados a negociantes belgas de diamantes passando por protagonistas do caso Elf ou numerosas famílias judias cujos bens haviam sido postos em local seguro, na Suíça, no momento da escalada no nazismo na Europa...


A fachada das empresas offshore


Muitos deles foram ilicitamente contatados na França pelos gerentes das contas do banco. Todos foram encorajados pelo comitê executivo do HSBC PB a camuflar melhor seu dinheiro em empresas offshore, geralmente baseadas no Panamá ou nas Ilhas Virgens Britânicas, a fim de evitar certos impostos europeus, especialmente a taxa ESD, instituída em 2005. Os investigadores dispõem de provas destes diferentes delitos.  

Para um escândalo excepcional, um tratamento excepcional: destinatário exclusivo destas informações explosivas, o Le Monde decidiu, na primavera de 2014, compartilhá-las com veículos internacionais, para assegurar o tratamento mais aprofundado e rigoroso possível do caso. Este pool foi feito através do ICIJ, com base nos EUA, que já havia colaborado com Le Monde nas operações “Offshore leaks” (2013) e “LuxLeaks” (2014). No total, foram mobilizados, na maior discrição, 154 jornalistas de 47 países, trabalhando para 55 veículos (como The Guardian na Grã-Bretanha, Süddeutsche Zeitung na Alemanha, o programa « 60 minutes », da CBS, nos EUA).  

O HSBC Private Bank, assim como as autoridades políticas e jurídicas suíças, contesta, desde o início das denúncias, tanto os números apresentados pelo Fisco e pela Justiça francesa quanto a utilização destes dados, por terem sido obtidos por meio de furto. O autor, Hervé Falciani, que tentou vender seus arquivos antes de fornecê-los às autoridades francesas, foi, aliás, acusado pelo Ministério Público da Suíça, no dia 11 de dezembro de 2014, de “espionagem econômica”, “subtração de dados” e “violação do segredo comercial e bancário”.

A Suíça vê com maus olhos as investigações feitas pela Justiça e pelo Fisco na França, e considera que os dados iniciais foram adulterados, tese desmentida formalmente pelo inquérito judicial francês, bem como pelas investigações do Le Monde. No dia 27 de fevereiro de 2014, os dois juízes franceses responsáveis pelo caso concluíram que a “autenticidade havia sido verificada por audições de vários titulares de contas que, de resto, fizeram acordos com a administração fiscal com base nestes arquivos”. De sua parte, o HSBC PB parece pronto a fazer o mesmo com a Justiça francesa a fim de evitar um processo ruinoso – e não apenas em termos de imagem.

Tradução de Clarisse Meireles

Via: http://cartamaior.com.br/

Suiçalão: Quem são os brasileiros com contas secretas no HSBC?


HSBC10

Investigações apontam 8,6 mil nomes do país que cometeram crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, movimentando R$20 bilhões na agência do banco na Suíça.

Apelidado por internautas brasileiros de “Suiçalão”, o escândalo envolvendo o HSBC trouxe à tona práticas do mundo financeiro para que clientes possam ficar livres de impostos e lavar dinheiro. O “SwissLeaks” mostrou que 100 mil contas bancárias ilegais movimentaram mais de US$100 bilhões entre 1998 e 2007 no HSBC da Suíça. Dessas, 8.667 seriam de brasileiros. Mas quem são eles?

O primeiro nome pode ser de Robson Tuma, segundo o jornalista Luis Nassif. Isso porque na lista do HSBC “aparece o endereço Avenida Cauaxi 189, apto. 203, Alphaville, Barueri”. O local consta na declaração de bens pública do ex-deputado federal.

Edmond Safra, do Banco Safra, e a família Steinbruch, dono da Vicunha e da CSN, são outros nomes. Segundo Miguel do Rosário, “Steinbruch foi o principal comprador da Vale, privatizada no governo FHC”. O banco Safra “foi o banco usado pela Globo para comprar os dólares que enviaria às Ilhas Virgens Britânicas, quando se envolveu naquela ‘engenhosa operação’ para adquirir os direitos de transmissão da Copa de 2002 sem pagar os devidos impostos”.

Fernando Rodrigues, do UOL, aponta que “11 pessoas ligadas ou citadas de alguma forma no escândalo da Operação Lava-Jato mantiveram contas na filial suíça do banco britânico HSBC”. Entre os nomes divulgados por Rodrigues estão o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, delator na Operação Lava-Jato e que já havia revelado ter mantido valores no HSBC, oito integrantes da família Queiroz Galvão, o empresário Júlio Faerman (ex-representante da holandesa SBM) e o doleiro Henrique Raul Srour.

O UOL teve acesso aos nomes brasileiros, porém só divulgou os envolvidos na Operação Lava-Jato. O site diz que vai noticiar aqueles “que tiverem interesse público, e, portanto, jornalístico” ou os que se possam provar “que existe uma infração relacionada ao dinheiro depositado no HSBC na Suíça”. A justificativa para a escolha tem sido criticada nas redes sociais.

Para o cientista político Antonio Lassance, o caso do HSBC “tem merecido apenas notas de rodapé do cartel de mídia aqui presente”. “Como na época da ditadura militar, sabemos detalhes do escândalo mais pela mídia internacional do que pelo cartel midiático que nos habita. A mídia que achincalha a Petrobras protege indecorosamente o HSBC e os barões ladrões por trás desse grande escândalo financeiro”, argumenta.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS) protocolou solicitação de esclarecimentos e providências no Ministério da Justiça (MJ), pedindo a investigação de todos os brasileiros envolvidos com contas secretas do HSBC. Para ele, a mídia não tem interesse no SwissLeaks.

Vale lembrar que a lista de clientes internacionais traz o grupo de mídia Clarín, da Argentina, além de nomes vinculados a governos autoritários e tráfico de armas. A investigação foi revelada pelo ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) baseada no vazamento de 60 mil arquivos. Foi o ex-funcionário do HSBC Herve Falciani quem forneceu o material a autoridades francesas, até que o jornal Le Monde o compartilhou com o ICIJ que reúne 140 jornalistas de 45 países.

Para Carlos Cordeiro, presidente da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), “não é a primeira vez que o HSBC está envolvido nesse tipo de operação, já esteve envolvido nos Estados Unidos, no México. Isso só traz à tona o submundo do sistema financeiro, onde várias empresas e pessoas se escondem. Seria muito importante para toda a sociedade que houvesse um esclarecimento dessa situação, e que aqueles que pousam de éticos, de justos, pudessem sair debaixo dessa podridão que são esses porões do sistema financeiro e, de fato, mostrar a sua face. É por isso que a gente, inclusive, necessita de uma regulamentação do sistema financeiro, não só no Brasil, mas no mundo, para que, de fato, ele possa ser transparente e estar a serviço da sociedade, e não dos grandes empresários e dos grandes rentistas”.

Miguel do Rosário aponta um escândalo revelado também pelo ICIJ, anterior ao vazamento do HSBC, que mostrou a existência de milhares de contas secretas em paraísos fiscais das Ilhas Virgens Britânicas, Cingapura e Ilhas Cook. Entre elas, estão 50 nomes de brasileiros. “Não se trata especificamente do caso HSBC, mas é sonegação do mesmo jeito. Na verdade, é um caso ainda pior”, afirma.

Saul Sabbá aparece entre os brasileiros, com conta secreta ligada à offshore Maximizer International Bank S.A. Sabbá é dono do banco Máxima, que deu consultoria a FHC na privatização da Vale e da CSN.

Outro nome é Chaim Zalcberg, que já foi preso pela Polícia Federal, em 2012, na Operação Babilônia, suspeito de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, e esteve envolvido no caso do Banestado.

Via: http://mostrandoaface.blogspot.com.br/

Pablo Iglesias: um novo dirigente, para uma nova esquerda


Emir Sader

'O desafio do Podemos será conquistar pela via eleitoral o poder político para fazer uma política de transformações. E isso implica em enormes dificuldades'

Os novos tempos a que se lança a Europa têm novas caras e novas formas de ação. Felizmente, porque as antigas tinham se esgotado. Syriza e Alex Tsipras, Podemos e Pablo Iglesias, são suas expressões mais conhecidas.
 
Pablo Iglesias é um professor de ciência politica da Universidade Complutense de Madri, apresentador de um programa de entrevistas por internet – que está na pagina do jornal espanhol Publico – e animador de uma série de projetos muito criativos, que revelam a amplidão dos seus interesses.
 
Além de dirigir o Podemos, de dar centenas de entrevistas, de escrever outros tantos artigos, Iglesias encontrou tempo para organizar e publicar dois livros surpreendentes. Um, Lições de ciências sociais através do cinema, com o titulo de “Quando os filmes votam”, com textos de vários autores sobre filmes e correspondentes categorias politicas. Como, por exemplo, a violência, abordado por ele mesmo, a partir do filme A batalha de Argel. O liberalismo, através de Dogville. A revolução, através de Espartaco. A democracia, através de Star Wars. A liderança, por meio de Lawrence da Arabia. O movimento operário, através de Germinal. O posfordismo, por medio de American Beauty. O feminismo, através de Mad Men.  A alienação, através de Blade Runner, entre outros.
 
O outro livro organizado por Pablo Iglesias está concentrado em torno da série A guerra dos Tronos, sob o titulo Ganhar ou Morrer, com artigos sobre distintos temas em torno da série, também na perspectiva de análise de categorias políticas. Como, por exemplo, caos, legitimidade e poder, política e guerra, guerra pelo poder, a subversão feminista, poder e subjetividade, corpo e politica, entre outros.
 
Mas as atividades de Pablo Iglesias se concentram cada vez mais em torno dos desafios do Podemos, ainda mais em um ano decisivo na Espanha como este. Em um livro recém publicado – Momentum, entrevistas feitas por Orencio Osuna, Editora Icaria – ele concede uma entrevista onde expõe as formas como o Podemos está encarando esses desafios. Define a si mesmo como “alguém que se considera marxista e que tem a esquerda tatuada nas entranhas”.
 
Com a palavra, Pablo Iglesias:
 
“O desafio do Podemos será conquistar pela via eleitoral o poder político para fazer uma política de transformações. Tudo isso coloca enormes dificuldades e cenários muito complexos... Assim, pois necessitamos prudência, humildade e seguir trabalhando, como diz o Cholo Simeone, jogo a jogo, evitando cometer erros, como os do próprio Simeone, que as vezes podem te deixar no banco por alguns jogos.
 
“Estamos no momento da política. A política implica brindar inteligência a circunstâncias e contextos que não escolhemos. Nós não escolhemos as etapas que tem o curso da política. Elas são o que são e, a partir daí, é fundamental que joguemos com o máximo de inteligência para não deixarmos de ser úteis, para sermos um instrumento político para a transformação. Cometeríamos um erro se antepuséssemos o interesse de Podemos como marca política de sucesso às necessidades de transformação do nosso país. E nós sabemos muito bem que fazer política é buscar os melhores cenários para o enfrentamento. Que fazer política é provocar as contradições do adversário, e isso também  nós temos que aplicar a nós mesmos em um contexto que pode ser difícil e desfavorável para nós. É aí onde teremos que demonstrar que estamos à altura politica das circunstâncias, se acumulamos suficiente inteligência coletiva, se vamos sair do nosso processo constituinte com uma equipe com capacidade para tomar decisões políticas para as pesoas que sejam as acertadas e as adequadas para a transformação política ou se, ao contrario, nossos adversários são capazes de levar-nos a terrenos que não nos favorecem e que, portanto, detenham essa experiência de transformação.”
 
“Mas devo dizer que também existem setores na esquerda que têm que fazer uma enorme autocrítica de suas posições de sua prática política. De fato, é inegável que o próprio fenômeno Podemos é o resultado do fracasso da esquerda tradicional, que foi incapaz  de fazer um diagnóstico do que acontecia realmente no pais.”
 
“As propostas políticas do Podemos, seguramente, poderiam ter sido assinadas por qualquer partido social democrata há 30 ou 40 anos atrás. Propomos uma reforma fiscal justa que faça com que as rendas mais altas paguem mais, propomos uma auditoria e pagamento da dívida pública, propomos proteger os serviços públicos, propomos combater a corrupção, propomos uma politica externa que respeite os direitos humanos, em suma, o que estamos propondo teria sido aceito pela social democracia reformista."

Via: http://cartamaior.com.br/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Valter Pomar: Sexta-feira 13 (em homenagem a)

Semana de aniversário é época de parabéns. Sexta-feira 13 é simbólica, mas data pouco recomendável. Sábado de carnaval definitivamente não encaixa. Talvez por isto esta reflexão sobre a trajetória de 35 anos e os desafios do Partido dos Trabalhadores tenha virado domingueira.

Como na maior parte de sua vida, o PT está sendo alvo de intenso bombardeio por parte de seus inimigos.

Contra estes, nossa principal defesa consiste geralmente em falar do que significamos na história brasileira e mundial.

Contra a direita, este argumento é no fundamental adequado, pois no fundo os críticos de direita nos atacam devido a nossas qualidades, não devido a nossos defeitos.

Contra os críticos de esquerda, contudo, falar do que significamos e do que fizemos não é suficiente.

A maioria dos críticos de esquerda foi petista ou esteve aliada conosco, em algum momento desde 1980.

O foco principal de sua crítica não é o que significamos ou fizemos no passado. Eles não criticam nossas qualidades (embora muitas vezes as omitam ou minimizem). O foco principal de sua crítica é o que estaríamos fazendo agora e no que estaríamos nos transformando.

Parte dos petistas reage aos críticos de esquerda, usando o mesmo argumento que utilizamos contra os críticos de direita. E quando isto não convence, há quem apele desqualificando os adversários.

Comparar o tamanho dos críticos de esquerda com o tamanho do PT é — quanto a técnica argumentativa — um método digamos meio infantil. O PT já foi pequeno e já foi vítima deste tipo de crítica.

Desancar o esquerdismo — tarefa sempre necessária, tanto quanto desancar o direitismo de certos petistas e aliados — tampouco resolve o problema, pois mesmo que o esquerdismo esteja errado em 99% dos assuntos, isto não quer dizer que também estejam incorretas todas as críticas que fazem ao PT.

Há outro motivo pelo qual não adianta responder aos críticos de esquerda usando o mesmo argumento com que respondemos aos críticos de direita.

A saber: hoje, a maioria das pessoas que critica o PT são… petistas, eleitores, simpatizantes, filiados ou militantes, que fazem críticas de todos os tipos: contra a presidenta, contra os ministros de centro-direita, contra os ministros petistas, contra a ação (e/ou inação) do conjunto do governo, contra as bancadas parlamentares, contra os governadores e prefeitos, contra a direção nacional do Partido, contra as tendências em geral ou contra algumas tendências em particular, contra Lula mas também contra a atitude dos filiados “comuns” e “anônimos”.

Não apenas há críticas de todos os tipos, mas há também críticos de todos os tipos.

Por exemplo, não passa uma semana sem que algum líder importante (em alguns casos, importantíssimo) das tendências majoritárias do Partido faça críticas “de fundo”.

(O que me lembra o ocorrido numa reunião de que participei, num determinado país latino-americano: um compañero discorria sobre as reformas que estavam em curso em seu país. A certa altura, este compañero disse que estas reformas, iniciadas por volta de 2006, já tinham sido propostas em 1986 pelo grande líder de seu partido. Tal elogio motivou o seguinte comentário de outro participante da conversa: “o grande líder de vocês é realmente um cara disciplinado. Desde 1986 ele defendia as reformas, mas só a partir de 2006 elas começaram a ser implementadas. Ou seja, apesar de ter sido secretário-geral e líder inconteste de seu partido durante todo este tempo, ele na verdade era minoritário, as coisas que aconteciam eram contra sua opinião e vontade. Só depois de vinte anos ele tornou-se majoritário no partido e pode então fazer o que ele defendia há tanto tempo”.)

Também não passa uma semana sem que algum blogueiro (geralmente acusado pela direita de “simpatizante do PT”) faça diagnósticos e proponha medidas corretivas, utilizando várias “entradas”, portas e janelas para entender e explicar o que está ocorrendo hoje (ou há tempos) com nosso Partido dos Trabalhadores.

Há quem prefira remeter nossos problemas atuais à postura do sindicalismo frente a ofensiva neoliberal dos anos 1990.

Há quem prefira falar da acomodação progressiva ocorrida em nossos governos municipais, estaduais e federal.

Há quem prefira falar dos mandatos parlamentares, bem como da transformação de parte da militância voluntária em cabos eleitorais.

Há quem prefira falar do que houve com as estruturas partidárias, com redução do número, importância e ativismo dos núcleos, da perda de critérios no processo de filiação etc.
Há quem prefira concentrar sua crítica nas opções feitas pela presidenta Dilma após o segundo turno, deixando no ar que a partir de 2019 poderíamos voltar aos “bons tempos”.

Mas poucos tem colocado na mesa a “mãe de todos os problemas”: a estratégia do Partido.

Depois da derrota sofrida nas eleições de 1989, um setor importante do Partido entendeu que era necessário mudar de estratégia. Houve resistências e uma intensa luta interna entre 1990 e 1995. A partir de então e até 2005, houve uma expressiva maioria no Diretório Nacional e nos diretórios estaduais a favor da nova estratégia.

O objetivo do Partido, que era derrotar o capitalismo e construir o socialismo, foi colocado de fato em segundo plano.

O objetivo do Partido passou a ser de fato derrotar o neoliberalismo e administrar um capitalismo não-neoliberal. O socialismo continuou sendo de direito nosso objetivo final, mas foi empurrado para far, far away. Alguns setores foram além e começaram a dizer que socialismo seria democracia + bem estar social + economia de mercado.

Como o objetivo estratégico passou a ser derrotar o neoliberalismo, setores da burguesia passaram a ser considerados aliados estratégicos. Em nome disto, passamos a realizar cada vez mais alianças com partidos de centro e direita, que expressavam exatamente os interesses daqueles setores da burguesia.

Novamente, alguns setores foram além e começaram a fazer alianças com o capital financeiro e com o PSDB, ou seja, com a máxima expressão do neoliberalismo tupiniquim.

(Faz muito tempo, mas é bom lembrar que bem no início dos anos 1990, o Diretório Nacional do PT debateu uma proposta que considerava o PSDB como parte do campo democrático popular. Se a memória não falha, a proposta foi aprovada.).

Mudou o objetivo estratégico, mudaram os aliados estratégicos, mudou também a via de conquista do poder.

Antes, nosso caminho para o poder incluía participar das eleições e exercer mandatos. A luta institucional era um meio, não o fim.

A luta institucional era parte da estratégia (integrada também pela luta social, pela organização partidária e pela disputa ideológica, cultural, de visões de mundo).

Mas ao longo dos anos 1990, a luta institucional foi progressivamente se tornando “a” estratégia (subordinando os demais aspectos).

A mudança no objetivo estratégico, a ampliação da política de alianças e a ênfase na via institucional não impediram a nossa vitória em 2002. A mudança na estratégia tampouco impediu que nossos governos federais, estaduais e municipais melhorassem a vida do povo.
Mas, contudo, todavia, entretanto, porém, a estratégia adotada entre 1995 e 2005 possui um grande “defeito de fabricação”, que pode ser explicado assim:

1) para continuar melhorando a vida do povo, é preciso fazer reformas estruturais. Na ausência de reformas estruturais, a tendência é o retrocesso nas condições de vida do povo;

2) chegamos ao governo, mas não conquistamos o poder. E os que detém o poder estão ameaçando nossa continuidade no governo;

3) como a estratégia atual não contempla a luta pelo poder nem as reformas estruturais, seguir adotando esta estratégia nos levará a administrar o retrocesso e ajudar em nossa própria derrota.

Noutra palavras: a estratégia majoritária no PT entre 1995 e 2005 nos trouxe até certo ponto. Talvez pudéssemos ter chegado até aqui com outra estratégia, talvez não. Independente disto, para ir adiante precisamos de outra estratégia.

Uma estratégia que por exemplo…
…reconheça que só é possível continuar melhorando a vida do povo se fizermos reformas estruturais.
…construa as condições políticas para fazer reformas estruturais.
…recoloque o socialismo como objetivo estratégico.
…constate que o grande capital é nosso inimigo estratégico.
…não acredite nos partidos de centro-direita como aliados.
…seja baseada na articulação entre luta social, luta institucional, luta cultural e organização partidária.
…retome a necessidade do partido dirigente e do campo democrático-popular.

Em 2005 ficou clara a necessidade desta nova estratégia.

Em 2005, criaram-se as condições para eleger uma nova direção para o Partido, entendendo direção no duplo sentido da palavra: no sentido de núcleo dirigente e no sentido de rumo estratégico.

Mas, como sabemos, entre o primeiro e o segundo turno das eleições partidárias de 2005, um importante setor da esquerda petista desistiu e foi para o PSOL.

Em parte por isto, o resultado foi a eleição de um presidente nacional do PT comprometido com algumas mudanças na implementação da estratégia, mas não comprometido com a adoção de uma nova estratégia.

As mudanças realizadas entre 2006 e 2010 melhoraram o ambiente no Partido, contribuíram para que o governo fizesse uma inflexão à esquerda e nos permitiram vencer as eleições presidenciais de 2006 e 2010. Mas a estratégia continuou a mesma.

As consequências disto ficaram claras em junho de 2013, nas eleições de 2014 e no início do segundo mandato de Dilma. Com o agravante de que outros setores da esquerda petista também adotaram como seu “programa máximo” fazer mudanças na estratégia (não por acaso agora estão enredados pelo ajuste fiscal recessivo “levítico”).

Embora os impasses estratégicos apareçam agora com ainda maior nitidez, é preciso dar à Dilma apenas o que é dela.

As escolhas estratégicas feitas pelos grupos atualmente majoritários são anteriores ao ingresso de Dilma no PT. E as opções feitas pelo governo neste primeiro bimestre de 2015 são da mesma natureza que as opções feitas por Lula no biênio 2003-2004.

A diferença é que as condições mudaram completamente. O grande capital mudou de atitude, os setores médios e parcelas crescentes da classe trabalhadora também mudaram sua atitude frente ao nosso PT e os governos que encabeçamos. Ou mudamos de estratégia, ou nossos próximos aniversários serão cada vez mais difíceis.

PS: durante a redação deste texto, fomos informados do falecimento de três companheiras, num acidente de carro ocorrido no caminho para a Chapada Diamantina, neste sábado 14 de fevereiro. Lurdinha Rodrigues, Célia e Rosângela Rigo: nossa solidariedade aos familiares, amigos/as e companheiros/as de militância.

Valter Pomar é gráfico, historiador e dirigente nacional do PT.

Via: http://www.pt.org.br/

Rochinha: Queremos um PT e um governo de esquerda

Terminados os festejos de carnaval, começa a vida real do povo brasileiro.

Com certeza, a partir de hoje as atenções estarão novamente voltadas para o cotidiano e a vida política. Recomeçam à todo vapor os trabalhos do Congresso Nacional, do Executivo, da Justiça e outros órgãos institucionais.

O Executivo deve encaminhar ao Congresso Nacional várias medidas de cunho de gestão política, visando retomar a ação da economia e avançar em propostas sociais. Por sua vez, o Legislativo além de encaminhar para discussão e votação as medidas do poder Executivo, também deverá criar, discutir e votar sua própria pauta. O Judiciário por sua vez, estará voltado para centenas de milhares de processos que cada vez mais se acumulam no âmbito de suas responsabilidades.

Os partidos com certeza irão se movimentar já se preparando para as eleições municipais de 2016.

Este será um ano de uma pauta política e social bastante agitada e complexa. As entidades dos trabalhadores em conjunto com partidos de esquerda, vão se mobilizar para garantir os direitos conquistados pela classe trabalhadora nos últimos 12 anos e, neste momento, ao mesmo tempo o PT terá um papel atuante e propositivo e terá que dar apoio ao governo da presidenta Dilma.
É preciso manter diálogo constante com as classes sociais, movimentos sindicais ao lado daqueles que em boa parte foram os principais responsáveis pelo crescimento do partido e sustentação dos governos Lula e Dilma.

Reconhecemos as dificuldades que o Brasil e o mundo passam em relação à economia, mas chegou a hora de nos mobilizarmos para fazer com que o preço da crise econômica do Brasil seja pago por aqueles que acumularam grandes fortunas às custas da mão de obra da classe trabalhadora.

A Constituição Brasileira garante que sejam taxadas as grandes fortunas dos ricaços no Brasil e temos de abrir uma grande discussão sobre grandes heranças, já que, grande parte delas foram acumuladas a partir de ganhos muitas vezes ilícitos, surrupiados do Estado brasileiro.
As famílias patriarcais não tinham e jamais terão condições de, com o trabalho na produção e na renda, acumular grandes fortunas como vários acumularam no Brasil.

Está aí o ˜X˜ da questão: O PT que nasceu do meio das classes sociais dos pobres, operários, comunidades, não pode sair dos trilhos da esquerda. Um governo seja ele qual for, eleito pelo Partido dos Trabalhadores e por outros partidos de esquerda, especialmente no caso da reeleição da presidenta Dilma no segundo turno, não pode em hipótese alguma, jogar o peso da crise econômica – criada sobre tudo por ganância de especuladores financeiro – nas costa do povo pobre e trabalhador.

A reeleição da presidenta Dilma se deve à participação da mobilização efetiva dos jovens ou não jovens de vários setores, mas de esquerda e progressistas que mesmo não fazendo parte do PT foram para as ruas defender um projeto de inclusão social que já estava em andamento com sucesso, reconhecidamente a nível internacional nos últimos 12 anos.

Doa a quem doer, o PT precisa assegurar para esta camada da população que seus esforços não foram em vão. É preciso mostrar para o povo, que não haverá desvio, e que o partido e o governo se manterão nos trilhos a qualquer custo, comprometidos com os direitos sociais e orientados pela ideologia de esquerda.

Francisco Rocha, o Rochinha, é presidente da Comissão de Ética do Partido dos Trabalhadores.

Via: http://www.pt.org.br/

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Investimentos sociais não sofrerão com ajuste fiscal

Em 2014, o governo federal investiu R$ 70,8 bilhões na assistência social. Prioridade é avançar nas políticas sociais
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, disse que o ajuste fiscal imposto pelo governo não vai prejudicar os investimentos na área social. Ela participou, nesta sexta-feira (6), da abertura do Encontro Regional do Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) no Nordeste, em Olinda (PE).

Campello ressaltou o aumento no investimento na área nos últimos anos e frisou que, em 2014, os serviços e equipamentos receberam R$ 2,7 bilhões. Considerando o gasto com benefícios, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o governo federal repassou R$ 70,8 bilhões no último ano. “Nós construímos um piso social e, mesmo nos momentos de crise, estamos conseguindo fortalecer essa rede de assistência social”, explicou.


Sobre o papel dos governos municipais e estaduais, a ministra frisou que o governo tem garantido o financiamento de todos. “Precisamos apoiar os municípios, que são os grandes executores da área.”

O atendimento à população mais vulnerável se consolida por meio do Sistema Único de Assistência Social (Suas), criado em 2005. Em todo o país, são 7.511 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e 2.292 Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). Por meio do Suas, os nordestinos recebem atendimento socioassistencial em 2.549 Centros de Referência de Assistência Social (Cras), presentes em todos os municípios da região.

A região também conta com 845 Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), em 800 cidades, e 86 Creas regionais, em oito estados.

Via: http://www.mds.gov.br/

Matrículas em educação integral crescem 41,2%

Censo Escolar da Educação Básica também aponta aumento de 40% na oferta de creches desde 2010

As matrículas em educação integral aumentaram pelo quinto ano consecutivo. De acordo com o Ministério da Educação, o número passou de 3,1 milhões, em 2010, para 4,4 milhões, em 2014. O crescimento é de 41,2%, segundo o Censo Escolar da Educação Básica de 2014, divulgado na quarta-feira (11).

Segundo o presidente do pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Chico Soares, o aumento no acesso à educação integral é resultado das políticas públicas desenvolvidas pelo governo federal.

“A expansão da educação integral é fruto do programa Mais Educação, desenvolvido pelo MEC, por meio do qual são transferidos recursos às escolas para manter os alunos em jornada estendida”, explicou.

Além disso, o levantamento apontou aumento de 40% na oferta de creches nos últimos quatro anos. Atualmente, são 2,9 milhões de crianças matriculadas e o número de escolas com creche chega a 58,6 mil.

Criado em 2007 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância) permitiu a Estados e município estruturarem essa fase da educação.

Entre 2007 e 2011, o governo investiu na construção de 2.543 escolas. As unidades são dotadas de salas de aula, de informática, biblioteca, sanitários, fraldário, recreio coberto, parque e refeitório.

O investimento na educação também foi ampliado em 2008, com a criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IF). Desde então, houve um crescimento de 89,2% no número de matrículas, com cerca de dois milhões de estudantes.

O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Empego (Pronatec), criado pelo governo da presidenta Dilma Rousseff, impulsionou a educação profissional de nível médio. Entre 2011 e 2014, o Pronatec teve mais de oito milhões de matrículas, entre os cursos técnicos e de formação inicial e continuada.

Inclusão – Em 2008, o percentual de educandos com alguma deficiência matriculados em turmas regulares era de 31%. Com as propostas implementadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece a universalização desse segmento da população de quatro a 17 anos, em 2014 o índice chegou a 54,8%.

O número total de educandos matriculados em 2014 foi de 49,8 milhões, pouco menos que os 50 milhões de 2013. Segundo Soares, a queda é fruto do tamanho da população, que diminui a cada ano. De acordo o presidente do Inep, os números refletem uma melhoria dos indicadores de progressão e a redução da defasagem idade-série.

O maior contingente de estudantes se encontra no ensino fundamental. Do total de 28 milhões, 15,7 milhões cursam os anos iniciais e 12,8 milhões os anos finais. De acordo com os resultados do censo, praticamente todos os estudantes do primeiro ano do ensino fundamental estão na idade adequada para a série.

Da Redação da Agência PT de Notícias

Via: http://www.pt.org.br/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

PT vai à Justiça contra vazamentos seletivos na Lava Jato

O Partido do Trabalhadores vai recorrer à Justiça por suspeitas sobre a condução da Operação Lava Jato, da Polícia Federal e demais órgãos responsáveis pela apuração das denúncias de desvios na Petrobras. Para o presidente Nacional do PT, Rui Falcão, há fortes evidências de vazamentos seletivos nos depoimentos da investigação, com o intuito de prejudicar o partido.
Além de processar judicialmente o ex-gerente de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco Filho, pelas acusações, sem provas, de recebimento de propina pelo partido, o PT irá ingressar com cinco representações na Justiça, logo após o feriado de Carnaval.

A primeira será uma ação direcionada ao diretor geral da PF pedindo a abertura de uma sindicância para apurar a ocorrência de “vazamentos seletivos” de informações da Lava Jato. O PT quer ainda que seja identificado o responsável e quais as intenções no acesso dessas informações que deveriam ser sigilosas.

A ação se baseia no artigo 325 do Código Penal, que prevê penalidades para quem “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”. A pena para este tipo de crime varia de multa ou seis meses a dois anos de detenção.
“Quero saber se há vazamento efetivo e se isso parte de quem”, declarou Rui Falcão, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (11), em São Paulo.

Uma segunda representação será endereçada ao diretor-geral da PF com o objetivo de esclarecer a “linha de investigação das autoridades judiciais e policiais que compõem a força-tarefa da Lava Jato”.

“Se você pegar como exemplo a delação premiada de Pedro Barusco Filho, verá que ele fala que começou a receber propina em 1997. Mas não há uma única pergunta direcionada ao período anterior à chegada do PT à presidência da República”, questionou Rui Falcão.

O presidente nacional do PT citou o depoimento prestado pelo ex-gerente de Engenharia da Petrobras e ressaltou que ele não foi arguido sobre o contrato fraudulento com uma empresa holandesa durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Isonomia – O PT recorrerá ainda ao Ministério da Justiça para a devida apuração sobre a conduta da PF no caso. Segundo o presidente do partido, a participação o superintendente da PF do Paraná, Igor Romário de Paula, do coordenador da operação Lava-Jato, Marcio Alselmo, do delegado Maurício Grillo e da delegada Erika Mialik Marena, durante a disputa eleitoral de 2014, com publicação de ofensas em redes sociais e votos declarados ao então candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB), são consideradas suspeitas.
“Eles fizeram menções depreciativas a nossa presidenta e ao ex-presidente Lula, quando se sabe que o funcionário público, no exercício de sua função, tem que ser impessoal”, lembrou Falcão.

Ministério Público – O PT recorrerá ainda ao Conselho Nacional do Ministério Público, por meio de uma reclamação disciplinar, questionando a condução dos trabalhos dos representantes do MPF que atuam na Lava Jato e se há seletividade nas apurações. “Vale ressaltar que no caso do termo de colaboração premiada de Barusco, não consta a presença de nenhum representante do Ministério Público”, atentou Rui Falcão.

Reação – A bancada do partido na Câmara dos Deputados também se pronunciou contra a “falta de isonomia” na condução da Operação Lava Jato. Nesta quarta-feira (11), o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), entregou à vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, uma representação pedindo a ampliação das investigações. O objetivo é pedir que se apure os esquemas de corrupção na Petrobras perpetrados entre 1997 e 2003, durante o governo FHC.
O pedido se baseia no depoimento, divulgado na última quinta-feira (5), no qual Barusco afirma ter havido pagamentos de propina na estatal anteriores a 1997. O mesmo pedido foi encaminhado a PF e ao Ministério da Justiça.

Por Flávia Umpierre, da Agência PT de Notícias
Via: http://www.pt.org.br/

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O melhor não é que Lula volte, mas que lidere uma grande reforma do Estado



Seria interessante saber o que o carismático ex-presidente Lula da Silva pensa sobre o momento crítico vivido pelo Brasil e como está disposto a agir. O melhor para ele seria tentar voltar ao Governo? Com ele, especialmente em seu primeiro mandato, o país se tornou objeto da inveja mundial. O Brasil era um sonho atingível.
Uma vez Lula teve razão com seu mantra “nunca neste país”, porque era verdade que o Brasil nunca tivesse estado mais visível sob as luzes do mundo, transpirando esperança e possibilidades.
O que sentiria Lula vendo que aquele Brasil, que não deixa de ser uma potência econômica por seus recursos naturais e humanos, com uma posição central no continente, vive momentos de desencanto e desinteresse pela política, começando pelo seu próprio partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), que, em frase sua, fundou “para ser diferente” e que hoje vive sua maior crise de credibilidade, sendo igual ou mais que qualquer outro em relação a deslizes éticos? Será verdade que já pediu para que ponha em marcha a máquina de sua reeleição?
É fácil atribuir a Lula coisas que ele provavelmente não diz nem pensa. A prova dos nove seria saber, por exemplo, quais são suas autênticas relações com sua discípula, Dilma Rousseff, a qual hoje querem apresentar como alçando voo sem necessidade do sopro de seu criador, e até contra ele.
Há quem tenha chegado a dizer com certa graça que é possível que nem mesmo Lula saiba o que pensa de Rousseff, nem o que gostaria dela neste momento, se transformá-la no bode expiatório de toda esta inquietação que agita os brasileiros ou se seria melhor ajudá-la a não fracassar, para que não se pudesse um dia dizer que ele errou ao apresentá-la como a “melhor candidata” e sucessora sua, como “a mãe que cuidaria do Brasil”.
Difícil também saber o que Lula pensa sobre a renovação ou refundação do PT, já que sempre se disse que o partido não existiria sem ele, nem ele sem o partido. Isso continua a ser verdadeiro?
O ex-presidente se tornou — ou foi tornado — no contrário do bode expiatório, papel esse que cabe mais a Dilma.
O ex-sindicalista continua sendo visto, com razão ou sem ela, como o curinga, a carta mestre que permite ganhar qualquer aposta. Daí o movimento “Volta Lula”, lançado não apenas pelo PT, mas por milhões de eleitores que seguem vendo-o como salvador da pátria.
Difícil saber se é correta a notícia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual Lula já teria dado sinal verde aos seus para lançarem sua candidatura, sem que se diga que foi ele que deu a ordem.
Se o Governo Rousseff fracassar e se fizerem necessárias novas eleições antes de 2018, não há dúvida de que o grito “Volta Lula” se fará mais forte. Lula é muito Lula e mantém ainda forte credibilidade e grande poder de mobilização, em especial nas classes menos escolarizadas do país, e paradoxalmente, também entre empresários e banqueiros e outros integrantes das chamadas elites.
Há um grande perigo ameaçando Lula: o que Cervantes fez mencionarem no Quixote: “Segundas partes nunca foram boas”. Ele mesmo pôde comprovar que seu segundo mandato, abalado peloescândalo do mensalão — agora multiplicado pelo do petrolão — não teve o brilho do primeiro, o que levou a oposição a dizer que ele havia deixado para Dilma uma “herança maldita”. Como seria seu terceiro mandato?
O Brasil exitoso do primeiro governo popular e de esquerda de Lula, embora tingido de pragmatismo liberal e centrista, já não é o Brasil de hoje. Desde então muita coisa mudou, no Brasil, na América Latina e no mundo. Há um cansaço com os velhos mitos e antigos salvadores da pátria, demonstrado em Cuba e na Venezuela.
No Brasil ninguém se atreve a fazer apostas sobre o futuro político imediato, porque apesar de ser um povo que se conforma com o pouco ou muito que consegue, está dando prova de que quer, até na política, algo melhor e mais novo. Já não lhe basta o passado. Os jovens pressionam para que os políticos saibam dar respostas novas às exigências e realidades do mundo em que estão entrando.
Por isso se faz necessária a pergunta se para Lula — e para o Brasil — neste momento o melhor seria voltar ao Governo num país que já não é o que foi, nem talvez tão seu como antes.
Não seria melhor para ele e para o Brasil, pensam alguns, que ele liderasse, com seu inegável carisma, sua experiência de primeiro trabalhador a chegar ao poder sem passar pela universidade, um grupo de políticos que, como ele, contribuíssem para tirar o país de sua paralisia econômica, de suas desigualdades sociais e de seu atraso cultural para inseri-lo na modernidade, sem levar em conta se são do governo ou da oposição.
Esse grupo poderia, com um trabalho de equipe, esboçar e promover, de mãos dadas com o Congresso e com a ajuda do Poder Judiciário, não uma maquiavélica reforma política, mas uma grande reforma de Estado, algo com um consenso real, que fosse até popular.
Trataria de se promover um diálogo nacional que oferecesse confiança e seriedade para tentar não apenas recolocar novamente em marcha o trem descarrilado do Brasil, mas para inventar para o país esse não sei o quê novo e diferente que borbulha nos milhões de brasileiros. Assim, esses brasileiros poderiam voltar a recuperar a esperança perdida na política e em seus representantes.
Para ele, sem dúvida, seria premissa indispensável que cada força política aceitasse tanto sua parte no acerto quanto no fracasso da gestão atual. Esconder os fracassos não ajuda.
Há momentos históricos — como ocorreu na Espanha depois da dura ditadura franquista — em que o melhor é que cada força política ou social se esqueça por um momento de ser Governo ou oposição, de seus próprios interesses de agremiação, para juntas relançarem o navio encalhado e provarem novas rotas de navegação.
Será um pecado atrever-se a dar esse conselho a Lula? E ele, se goza dessa sábia astúcia política, além dos livros da vida, não deveria se sentir responsável pelo momento que vive o país, que ele ajudou a redimir, e buscar algo mais novo, inédito e esperançoso que uma simples volta ao governo ou o vão esforço para que seu partido sozinho promova uma reforma política, por meio de um plebiscito, que já nasce morta?
Cresce, com efeito, a cada dia, como se pode captar nas redes sociais, a convicção entre os brasileiros de que, como aconselha o ditado bíblico, é inútil “remendar com tecido novo um vestido velho, ou despejar vinho novo em odres velhos” (Mt.9,16-18).
Nem o velho sozinho é capaz de dar conta do mundo novo que está surgindo, impulsionado pelo motor da comunicação global, nem o novo sozinho, por ser novo, será capaz de mudar a História desvalorizando o que já foi conquistado.
Talvez se imponha no Brasil de hoje a teoria de Hegel do nascimento de uma nova antítese que purifique a velha síntese.
Hoje essa antítese não tem por que ser levada a cabo por uma revolução violenta, mas com a elaboração inteligente e desinteressada de uma nova fase histórica levada a cabo por quem não abdicou dos valores da democracia e se dispõe a deixar de lado interesses pessoais ou de grupo para poder se colocar à disposição da comunidade.
Cada um se aferrar a seu naco de poder, jogando a responsabilidade pelo fracasso em seu companheiro ao lado, como fazem as crianças na escola, seria condenar o país a continuar rolando ladeira abaixo.
E isso o Brasil não merece.
Via: http://brasil.elpais.com/