terça-feira, 26 de novembro de 2013

Agenda nacional da semana: 25 de novembro a 1º de dezembro

Agenda nacional da semana: 25 de novembro a 1º de dezembro

O PT deve formalizar nesta segunda-feira a saída da administração Sérgio Cabral (PMDB-RJ) em reunião de seu Diretório Regional.


Antonio Lassance
Arquivo

Segunda-feira, 25

- PT deve formalizar saída da administração Sérgio Cabral (PMDB-RJ) em reunião de seu Diretório Regional.

- Conferência Nacional de Saúde Indígena, promovida pelo Ministério da Saúde, em Mato Grosso do Sul.

- Dia Internacional pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

- Comitê executivo do Ministério da Justiça deve apresentar propostas para garantir “a segurança e a ordem” durante manifestações públicas. Uma das propostas é a criação um de pronto-atendimento judicial itinerante para situações que se caracterizarem como abusivas nas manifestações. As propostas foram discutidas no Fórum de Diálogos Sociais.

- O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da AP 470, Joaquim Barbosa, analisa o laudo da junta médica que diagnosticou o deputado José Genoíno.

- Audiência Pública no STF (dias 25 e 26) vai debater as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) impetradas contra o programa “Mais Médicos”.

Terça-feira, 26

- O Plenário do Senado deve votar em segundo turno a PEC do voto aberto, assunto que tem se arrastado e sido motivo de grande desgaste para o Congresso. No Senado, se queria a manutenção do voto secreto para alguns casos. A Câmara pressiona por proposta de voto aberto sem exceções. O assunto agora tem um ingrediente a mais: a análise dos pedidos de cassação de deputados já condenados pela Ação Penal 470 (processo do “mensalão”).

- Na Câmara, o marco civil da internet continua, sem acordo, na pauta do plenário.

- Centrais sindicais de trabalhadores fazem manifestação em Brasília pelo fim do fator previdenciário.

- Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Se ocorrer nova elevação, a taxa de juros volta à casa dos 2 dígitos.

- Dilma vai a Santa Catarina. A agenda de inauguração de obras será acompanhada por prefeitos e pelo governador Raimundo Colombo (PSD), ex-PFL, mas que rompeu com os Bornhausen (hoje no PSB) ao se aliar ao PT.

- No Senado, a Subcomissão da Memória, Verdade e Justiça realiza audiência pública com os membros da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, Maria Rita Kehl, José Paulo Cavalcanti Filho, José Carlos Dias, Pedro Dallari e Rosa Maria Cardoso da Cunha. Local: sala 2 da Ala Senador Nilo Coelho, 14h30min.

- Inserções nacionais do Partido Progressista (PP) (dias 26, 28 e 30).

Quarta-feira, 27

- A Operação Caixa de Pandora, que deflagrou o esquema conhecido como “Mensalão do DEM” (o ex-PFL), completa 4 anos (27 de novembro de 2009). Segundo a Polícia Federal, o esquema de desvio de dinheiro público para o pagamento de propinas era chefiado pelo então governador do DF, José Roberto Arruda, flagrado em vídeo recebendo dinheiro vivo. Até agora, Arruda continua livre, leve e solto. Ficha limpa, ele pode concorrer às eleições do ano que vem.

- Comissão do Congresso analisa o relatório parcial do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre o crime de terrorismo e a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos. Local: Senado, sala 13 da Ala Senador Alexandre Costa, 13h.

- III Conferência Nacional de Cultura: “Uma Política de Estado para a Cultura: Desafios do Sistema Nacional de Cultura”. EM Brasília (de 27 de novembro a 1º de dezembro).

Quinta-feira, 28

- 12ª Rodada de Licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP) (dias 28 e 29) põe em leilão áreas para a exploração de gás convencional e não convencional.

- Propaganda partidária nacional do Partido Progressista em rádio e TV.

- PSB pretende lançar as diretrizes de seu programa, “Brasil do século XXI: um novo desenvolvimento capaz de integrar economia e ecologia em uma mesma equação".

Agenda internacional da semana: 25 de novembro a 1º de dezembro

Agenda internacional da semana: 25 de novembro a 1º de dezembro

O destaque da semana é a repercussão do acordo em Genebra entre o Grupo dos 5 mais um (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) e o Irã.


Flávio Aguiar
Arquivo
O destaque da semana é a repercussão do acordo em Genebra entre o Grupo dos 5 mais um (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) e o Irã sobre a contenção do programa nuclear deste último, em troca do levantamento de algumas das sanções econômicas contra o país. Contas com fundos de vendas de petróleo serão desbloqueadas, o Irã poderá voltar a fazer operações internacionais de produtos petroquímicos, autopeças e peças para aviões, entre outras mercadorias – é bom não esquecer que o Irã é o maior fornecedor individual de pistache para a União Europeia.

Benjamin Netanyahu protestou violentamente contra o acordo, mas mesmo o jornal israelense Haaretz aponta em análise de tom editorial que o líder do governo israelense atingiu seu perigeu (ponto mais baixo) de apoio internacional, que se restringe, nesta altura, à monarquia saudita e à extrema-direita norte-americana, tipo Tea Party.

Já no Afeganistão houve um recuo no projetado acordo entre os Estados Unidos e o governo de Hamid Karzai, que possibilitaria o financiamento da presença de militares e conselheiros dos Estados Unidos para além das datas previstas para a retirada das tropas de combate. Os Estados Unidos deveriam investir 4 bi de dólares neste programa no próximo ano. Não se conhecem as razões do recuo de Karzai, mas os debates  e as especulações em torno desta questão devem também ocupar a semana.

Na Europa, quarta-feira, 27 é a data para a apresentação pública do acordo entre a CDU da chanceler Angela Merkel, a CSU bávara, que é seu braço à direita, e o SPD, sobre o plano de governo para a formação de nova coalizão. O acordo deve prever o estabelecimento de umsalário mínimo nacional, coisa que tem provocado reações iradas do establishment econômico ortodoxo na Alemanha. Entrementes o Partido Verde anunciou um acordo para formar um governo com a CDU em Hessen, onde uma das alas mais conservadoras deste último partido detém a hegemonia . O anúncio frustra a esperança de um acordo com o SPD e a Linke, e ao mesmo tempo aponta as contradições em que os Verdes estão envolvidos.

Na Ucrânia o governo anunciou um recuo no estabelecimento de um acordo de livre comércio com a União Européia, por pressões da Rússia em torno de um fornecimento de gás para o país, vital para o aquecimento durante o inverno. A decisào já provocou protestos massivos na capital, Kiev, e vao continuar provocando durante  a semana.

Na Suíça aguarda-se o resultado de um plebiscito, realizado no domingo, sobre resolução que, se adotada, restringiria a diferença de salário numa empresa a 12 vezes o mais baixo pago. Isto representaria uma queda significativa nas rendas de executivos, por exemplo, na área financeira,

Também neste domingo realizaram-se eleições no Mali, na África, para o Legislativo. Estima-se que o governo venha a obter maioria, mas o resultado final deve demorar.

Na terça-feira, 26, o Parlamento Nacional Português vota o orçamento para o próximo ano, que estabelece novos cortes nos gastos públicos. Esperam-se protestos por parte de organizações de trabalhadores e da oposição.

Na quarta-feira, 27, em Roma, o Parlamento Italiano vota sobre o afastamento de Sílvio Berlusconi de seus quadros. O ex-primeiro ministro e seus partidários vão reagir, já que a cassação é esperada.

Continua a especulação sobre o paradeiro de Henrique Pizzolato, o foragido dentre os condcenados pelo STF brasileiro na ação 470.

Na quinta-feira, 28, o governo da Colômbia e as FARC retomam as negociações de paz, num clima muito promissor.

Em Honduras, contam-se os votos para a eleição presidencial. Xiomara Castro de Zelaya segue sendo a favorita, mas pairam temores de fraude por parte da direita, encastelada no governo.

E uma equipe da ONU visita Fukushima para avaliar as condições da usina depois das recentes chuvas torrenciais.

ntonio Lassance O que falta para Dilma ganhar no 1º turno O que falta para Dilma ganhar no 1º turno O povo quer novidade. O desafio de Dilma é mostrar que a grande novidade da campanha de 2014 é ela mesma quem tem para mostrar.


O que falta para Dilma ganhar no 1º turno

O que falta para Dilma ganhar no 1º turno

O povo quer novidade. O desafio de Dilma é mostrar que a grande novidade da campanha de 2014 é ela mesma quem tem para mostrar.




Os maiores adversários de Dilma

Dilma Rousseff continua favorita para ganhar as eleições em 2014. No entanto, essa é uma possibilidade que permanece no fio da navalha.

A maior vantagem da presidenta na disputa é ter adversários inconsistentes na crítica a seu governo – nenhum deles, até agora, conseguiu firmar o golpe. Mas a presidenta ainda precisará mostrar que seu segundo mandato trará boas novidades e que tem tudo para ser melhor que o primeiro, como aconteceu com Lula.

Os dois grandes adversários da presidenta são a revolta social e a apatia. São os eleitores que não votam nela porque não votam em ninguém, seja porque não gostam do que está aí, seja porque não se importam com o que está aí. Esse afastamento ou indignação com a política pode se manifestar com uma taxa recorde de abstenção, de votos brancos e nulos. Com um problema extra: milhões de eleitores têm ainda que passar pelo levantamento biométrico para poderem votar nas próximas eleições. O voto de um contingente nada desprezível de pessoas pode simplesmente ficar de fora das urnas por conta dessa mudança no processo de votações.

As pesquisas mostram que uma parte dos brasileiros está completamente desinteressada nas eleições do ano que vem. Quer ver para crer, ou, como dizia aquele “clássico” cantado pelo Tim Maia (de Sullivan e Massadas): “me dê motivo”.

Outra parte dos eleitores está desencantada, como sempre. Precisa ser surpreendida para mudar de ideia e passar a achar que seu voto vale a pena e fará diferença. Uma terceira franja do eleitorado, pequena, mas ruidosa e importante, está revoltada com tudo e com todos e propaga esse sentimento.

O povo quer novidade

Nos próximos meses, Dilma vai ter que reorganizar seu governo para 2014 e preparar suas novidades para as eleições.

Por enquanto, os resultados positivos de seu governo a tornaram a candidata mais competitiva dentre todos os postulantes. Ela garantiu esse posto ao ter mantido não apenas a trajetória virtuosa estabelecida pelas duas presidências Lula, como acrescentou algumas novas políticas. Manteve a prioridade do combate à miséria, a economia de pleno empregoe a inflação sob controle. Fazer isso não é nada simples, mas, para a maioria dos brasileiros, o que antes era uma façanha, depois de Lula, passou a ser visto como nada mais que uma obrigação.

Há uma diferença imensa entre ser a favorita e conseguir vencer a eleição em 1º. turno. Hoje, sua chance de ganhar no 1º. turno depende de seus principais adversários manterem a fragilidade que apresentam a olhos vistos. Eles são teimosos em insistir que o principal problema do País é o econômico, e a solução deve ser um remédio amargo. Ainda não apareceu ninguém para dizer a eles: “não é a economia, estúpidos”.

Vai ser difícil Aécio ou a dupla Eduardo&Marina ganharem a simpatia do eleitor com discursos sobre “tripé”. É um discurso que só leva ao êxtase o 1% mais rico da população.

Só dá mesmo para entender a ênfase com que as duas candidaturas de oposição têm batido nessa mesma tecla por uma única razão: sua preocupação maior, por hora, não é ganhar o eleitor, mas fazer o pé de meia do caixa de campanha com aquela turma, dentre os grandes financiadores de eleição, que só gosta de ouvir falar em juros mais altos e corte de gastos de custeio, que é onde fica boa parte do gasto social.

Portanto, a sorte de Dilma está no fato de que seus adversários não empolgam, não têm programa, não têm unidade - não são, de fato, alternativa.

Mas o povo quer novidade. O desafio de Dilma é mostrar que a grande novidade da campanha de 2014, em termos programáticos, é ela quem tem para mostrar.

A aposta de Dilma

Para reagir aos protestos, Dilma lançou cinco pactos. Eles são seu trunfo e, ao mesmo tempo, seu calcanhar de Aquiles.  

A saúde foi quem respondeu melhor, com o “Mais Médicos”. O programa é uma injeção cavalar de profissionais no atendimento básico e representa uma mudança gigantesca na prestação de serviços à população de mais baixa renda. Outra parte do problema, mais difícil de ser resolvida, é a situação dos hospitais.

Um terceiro aspecto cada vez mais importante é a regulação eficiente dos planos de saúde. Com a elevação da renda, esse mercado explodiu. A classe C entrou de vez e quer planos mais baratos, atendimento mais rápido e coberturas mais amplas, três coisas que andam em falta nos planos da saúde. O grau de revolta nesse assunto afeta, cada vez mais, o humor de muitos brasileiros.

Na educação, a grande novidade e sucesso de Dilma é o Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). É bom, mas é pouco. Mesmo com a melhora paulatina (e lenta) nos indicadores da educação, a área continua com uma grande lista de pendências. Até agora, o Plano Nacional de Educação não foi aprovado. O governo teme que a discussão sobre o financiamento do setor resvale em sua prioridade à manutenção de superávits fiscais elevados. Os recursos dos “royalties” do pré-sal, que começam a entrar já no ano que vem, são um alívio, mas aquém do necessário para alavancar a área. Estados e prefeituras brigam para não pagar o piso salarial dos professores, e fica por isso mesmo.

Se Dilma quiser mostrar novidades na área, terá que apresentar uma solução federal para garantir o piso, pelo menos nos estados e municípios mais pobres. Precisará também colocar o dedo na ferida de um problema crônico: as deficiências do Ensino Médio – hoje o principal gargalo da educação.

Na mobilidade urbana, alvo central das jornadas de junho, o quadro é difícil, mas é possível atravessá-lo como um caminho de brasas. Todos os governos (Federal, estaduais e municipais) sairão um pouco chamuscados, mas, se não tropeçarem, vão sobreviver. Apenas cerca de 10% das obras da Copa estão prontas, segundo o TCU. Algumas outras, poucas, estarão terminadas em 2014. A grande maioria vai ficar para 2015. Dilma vai ter que fazer um bom trabalho para explicar isso à população e mostrar que, com ou sem atraso, vai ter valido a pena. É, no fundo, um problema que gera um risco para os adversários. A população quer as obras terminadas e as mudanças de governo sempre são encaradas como um risco à sua continuidade.

No pacto da responsabilidade fiscal, Dilma mostrou que aprendeu que o mercado prefere o tratamento de choque, mas se acalma rápido com simples terapia. Ou seja, superávit foi reduzido, a inflação ficou um pouco mais alta, mas ainda dentro da meta, o dólar flutua, “pero no mucho”, mas tudo passa se a presidenta faz repetidas juras de amor à responsabilidade fiscal.

O outro lado da moeda, aquele que diz mais respeito aos 99% da população, é o lado de que o país precisa crescer, gerar emprego e oportunidades não só para grandes empresas (a chamada política das “campeãs” e o apoio às multinacionais de automóveis), mas também para as pequenas e médias e para a economia solidária. Sem isso, a renda média do trabalhador cai, e junto, a arrecadação de impostos; o mercado consumidor se retrai; as ofertas de emprego diminuem; a miséria volta a crescer e o negócio da criminalidade aumenta seu poder de atração.

Reforma política

A mãe de todas as reformas, a política, está empacada por conta dos filhos da pátria que fazem de tudo para que não haja reforma alguma.

De cada 10 brasileiros, 8 querem reforma política. O problema é que, entre os outros dois, há sempre um deputado e um senador, que são os quem decidem. Sem eles, não existe reforma política.

Duas alternativas estão colocadas sobre a mesa. A proposta de plebiscito, que poderia ser retomada para ser realizado durante as eleições de 2014, e o projeto de iniciativa popular do movimento “Eleições Limpas”, que conta com a simpatia de Dilma e do PT.

A única chance de haver algum avanço nessa discussão seria se Dilma vinculasse a reforma ministerial de 2014 a um compromisso dos partidos da base com alguma sinalização de reforma, nem que fosse restrita aos dois únicos pontos de maior chance de acordo: o fim das coligações para cargos proporcionais (deputados e vereadores) e a proibição do financiamento empresarial de campanha, e sua tipificação clara como crime que sujeite corrupto e corruptor. De preferência, sem que se precise ficar à mercê da disposição, das idiossincrasias e idiotias dos presidentes do STF.

Seria pedir demais que os políticos dessem ao eleitor, pelo menos, a chance de se manifestar, em plebiscito, sobre esses dois únicos pontos?

Duas grandes lacunas e um Amarildo no meio

Os cinco pactos são bons porque tocam em questões consideradas básicas pelo eleitor brasileiro para avaliar governos, partidos e candidatos: saúde, educação, estabilidade econômica e combate à corrupção. A questão da mobilidade não era, mas se tornou, definitivamente, uma questão de primeira ordem (não era, pelo menos, em âmbito federal, e sim, municipal e estadual).

Mas dois grandes problemas ficaram soltos, fora dos pactos, à espera de novidades mais animadoras: a segurança pública e a questão ambiental.

A segurança pública apostava no sucesso retumbante da política de pacificação de favelas e no modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A principal vitrine das UPPs, o Rio de Janeiro, ia bem e produzia boas manchetes todos os dias.

Eis que surge o caso Amarildo. O episódio mostrou o quanto tudo o que é sólido se desmancha no ar em segundos. A gravidade da situação mostrou que a PM havia incorporado, orgulhosamente, a concepção autoritária de “tropa de elite” segundo a qual vale tudo no combate ao crime. Vale prender e tratar como criminoso alguém que é apenas suspeito. Vale torturar, sem dó nem piedade – piedade é para os fracos. Vale matar inocentes – é o efeito colateral do rigor no combate ao crime. Vale sumir com o corpo de alguém para preservar a atuação policial – acidentes acontecem.

A exposição do problema foi ajudada pela forma desastrosa como governador Sérgio Cabral lidou com o caso.

Quando o modelo da UPP sofreu esse duro golpe em sua imagem, e o apelo autoritário da concepção de tropa “da” elite assustou o público, ficou exposto um vazio. É notória a dificuldade da atual gestão do Ministério da Justiça em planejar, coordenar e implementar a política nacional de segurança pública; de efetivar o Plano Nacional de Fronteiras; de dar soluções ao estado de calamidade do sistema prisional. São flancos evidentes e é bom que o governo se prepare.

O outro flanco é a questão ambiental. Depois de sucessivas melhorias do controle do desmatamento, os dados mostram um retorno, com força, da atividade predatória. O problema tem uma sazonalidade. Concentra-se no período de seca e a repercussão de seus números se estende até outubro. Ou seja, até o ano que vem, saberemos se o governo conseguiu conter o desmatamento e esclarecer a opinião pública sobre o que está ocorrendo.

Uma das vantagens do atual governo é que o pior retrospecto na proteção ao meio ambiente coincide com o período em que Marina Silva era a ministra do Meio Ambiente. Todavia, desde a aprovação do Código Florestal, a gestão ambiental se tornou um assunto essencialmente da competência dos Estados, à exceção das áreas que são da própria União, como os parques florestais. Com isso, o governo federal perdeu boa parte do poder que possuía para agir autonomamente nos Estados.

Para esclarecer o novo quadro, o governo terá que, muitas vezes, comprar briga, expor as situações mais graves e apontar a responsabilidade de governadores, sejam eles adversários ou aliados.

Riscos e surpresas

As últimas pesquisas foram recebidas por Dilma e pelos que se dedicam à sua reeleição como uma notícia média. De positivo, o fato de mantê-la bem à frente dos demais e a sinalização da possibilidade de vitória em 1.º turno. O alerta é o de que se deve evitar o salto alto, pois o caminho pela frente é bastante acidentado.

O dado, a meu ver, o mais intrigante de todos foi o recuo de Eduardo Campos e a queda da preferência por Marina Silva. Marina, em sua versão “reloaded”, mais agressiva, indisfarçavelmente rancorosa, e aliada a um candidato que é um estranho no ninho de seu eleitorado, perdeu muitos pontos.

As equipes de governo, já faz algum tempo, têm sido chamadas periodicamente para dizer o que têm de bom para entregar em 2014. Imagino que já tenham sido cobradas a dizer o que poderiam entregar de novidades para o período de 2015 a 2018. É disso que Dilma dependerá para ganhar as eleições.

De riscos, nada de novo no front. O maior de todos seria um desempenho pífio e a ausência de novidades nos 5 pactos, na segurança pública e na política ambiental.

Fora isso, aqueles riscos de sempre: declarações mal formuladas, por ela ou seus ministros; escândalos; o Partido da Imprensa Golpista; o fraco crescimento do PIB e as dificuldades da indústria nacional; e, claro, o terrorismo eleitoral - aquela cruzada medieval, moralista, homofóbica, favorável à pena de morte e contra o aborto.

E o fator Joaquim Barbosa? Isso, certamente, seria uma surpresa, mas fica para um próximo artigo.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília.

Um espectro que ronda o Brasil? Neste ano ocorreram pelo menos três episódios públicos envolvendo denúncias de "doutrinação marxista" no ambiente universitário brasileiro.

Um espectro que ronda o Brasil?

Neste ano ocorreram pelo menos três episódios públicos envolvendo denúncias de "doutrinação marxista" no ambiente universitário brasileiro.


Luciana Ballestrin
Arquivo
Neste ano ocorreram pelo menos três episódios públicos envolvendo denúncias de “doutrinação marxista” no ambiente universitário brasileiro: a recusa de um estudante em realizar um trabalho sobre Karl Marx, a pedido de seu professor (SC); a ação popular movida por um advogado contra um projeto de extensão de difusão do marxismo (MG), que acarretou em sua suspensão pela Justiça Federal do Maranhão e a acusação de um filósofo sobre a contaminação do marxismo nas Ciências Humanas e Sociais (SP). As três notícias tiveram cobertura em veículos midiáticos, cujas posições ideológicas são historicamente conhecidas do público.

O espraiamento nacional de uma suposição sobre o avanço do comunismo e do marxismo no Brasil, às vésperas do cinquentenário do Golpe civil-militar, convida a todos os cidadãos e cidadãs para a seguinte reflexão: o que estes discursos e ideias representam no Brasil após 25 anos da promulgação da Constituição de 1988? Gostaríamos de sugerir que isso reflete uma paranoia, compartilhada por pessoas e grupos capazes de formar guetos de opinião e que a despeito do alcance restrito, ganham destaque desproporcional na mídia hegemônica.

O conceito de paranoia, em termos psiquiátricos, possui sua própria história, como todos os conceitos mais ou menos compartilhados pelo campo científico. A despeito das controvérsias particulares inerentes a este campo - no caso, o da psicanálise - é possível sustentar com baixo custo de prejuízo que a ideia de paranoia envolve basicamente um delírio persecutório baseado em uma desconfiança descolada da realidade, razão ou empiria.

Defensivas ou preventivas, as consequências políticas da proliferação do discurso paranoico anticomunista e antimarxista ferem, paradoxalmente, dois princípios liberais básicos:liberdade de expressão e tolerância. Ao mesmo tempo, reedita a paranoia clássica alimentada pela Guerra Fria, cuja conjuntura internacional fora cúmplice do segundo período ditatorial brasileiro.

Foi justamente neste contexto que ocorreu a institucionalização das Ciências Sociais no Brasil, amplamente apoiada pela estadunidense e liberal Fundação Ford.
Neste período, várias brasileiras e brasileiros pagaram com a dor, o exílio e a vida, o preço pela defesa de suas ideias comunistas e marxistas, bem como quaisquer outros que contrariassem à lógica da Ditatura Civil-Militar. Hoje, qual é o preço a pagar por essa retórica da intransigência? Como responder a uma paranoia revestida de intelectualidade, a um despautério anacrônico e a um disparate sem fundamento?

Seria um tanto contraproducente esboçar nessas linhas argumentos e razões que tentem comprovar que o Brasil não é governado por comunistas e que a universidade brasileira não está intoxicada pelo marxismo. Inútil, de igual forma, pensar na originalidade histórica dos escritos marxianos e na importância das várias correntes do marxismo - do vulgar e ortodoxo para o crítico e arejado - para os campos das Ciências Sociais Aplicadas ou não. Da mesma maneira estéril, argumentar que o eurocentrismo, o colonialismo e o progresso moderno não são completamente afastados do marxismo e que justamente por isso, ele encontra resistência nos movimentos decoloniais latino-americanos.

Produtivo, talvez, seja observar o nascimento de um novo tipo de direita no Brasil.
Mesmo os velhos e os contemporâneos clássicos do liberalismo político moderado são capazes de aceitar a tolerância, a diferença, a liberdade de expressão, a existência do Estado e o respeito ao outro. Não estamos falando, portanto, da adversária histórica direita liberal. Ela é nova justamente porque ultrapassa a própria moral e a própria ética do liberalismo e acontece neste exato momento histórico. Ela é nova justamente porque também se apropria dos discursos da esquerda e da democracia para combater a própria esquerda e a própria democracia.

Se, cada vez mais, a esquerda não tem se restringindo à alternativa marxista, criando um repertório de resistência, emancipação e libertação próprias, a direita não tem se restringido à alternativa liberal, criando um repertório de ignorância, esquecimento e ódio próprios. Certamente, o espectro que ronda a primeira já não é mais o do comunismo. Mas, o espectro que ronda a segunda ainda desagua no seu totalitarismo oposto, o fascismo. Ou será que estamos, simplesmente, paranoicos?

(*) Professora Adjunta de Ciência Política, Coordenadora do Curso de Relações Internacionais - Centro de Integração do Mercosul Programa de Pós-Graduação em Ciência Política - Instituto de Filosofia, Sociologia e Política, da Universidade Federal de Pelotas.


Créditos da foto: Arquivo

Aconteceu em 26 de novembro

Aconteceu em
26 de novembro
  
  
 Os rappers Mano Brown e os Racionais 
 1994 - Dia do rap 
 A PM prende integrantes dos grupos de rap Racionais MC's e MRN, durante show no Vale do Anhangabaú. Acusa-os de incitarem com sua música o crime e a violência. 
 
1924:
Proclamada a República Popular da Mongólia.
  
1930: 
Vargas cria o Ministério do Trabalho. Lindolfo Collor (avô de Fernando Collor) é o seu 1º titular.
  
1942:
Estréia em Nova York o filme Casablanca, com Humprhrey Bogart e Ingrid Bergman, engajado no combate ao nazismo.
  
1964:
O regime militar depõe Mauro Borges e intervém em GO. O interventor é o cel. Meira Matos, inimigo dos estudantes.
  
1965:
Fundado o MDB (Movimento Democrático Brasileiro,hoje PMDB), de oposição, a princípio formal, ao regime de 1964.
  
1971:
Cai o ministério da Aeronáutica, brigadeiro Sousa Melo, na seqüência da morte de Stuart Angel.


1982:
O governo revela que teve de recorrer ao FMI. O anúncio foi adiado para não pesar naseleições de 15/11.
Figueiredo e
Ana Maria Jul,
do FMI, por
Paulo Caruso
  
1983:
Manifesto dos 10 governadores da oposição prega a campanha das diretas para presidente.
 

Dilma: "A creche combate desigualdades na raiz"

EDUCAÇÃO

Dilma: "A creche combate desigualdades na raiz"

Conversa com a Presidenta

por Portal Brasil — publicado26/11/2013 10:15, última modificação 26/11/2013 10:15
Com meta de entregar seis mil creches até o final de 2014, governo adota sistema de construção com material pré-pronto
Na coluna semanal Conversa com a Presidenta desta terça-feira (26), Dilma Rousseff respondeu uma pergunta sobre o andamento das obras das creches. Dilma garantiu que todas as seis mil creches prometidas para o final de 2014 ficarão prontas. Para acelerar a construção, o Ministério da Educação adotou materiais pré-fabricados. Vigas, paredes, telhado, sistemas elétricos e hidráulicos já vêm prontos da fábrica e são montados no canteiro de obras.
Confira abaixo a íntegra da coluna.
Presidenta, as prefeituras vão conseguir acelerar a construção das creches que estão sendo pagas pelo Governo Federal?
Presidenta Dilma – Sim, o Ministério da Educação adotou um novo método de construção que está acelerando as obras das creches pagas pelo governo federal. O novo sistema pode ser usado em qualquer cidade do Brasil. O MEC desenvolveu um projeto padrão, fez uma licitação, e selecionou as empresas fornecedoras. As prefeituras podem aderir à ata do MEC e precisam apenas entregar o terreno com a terraplanagem já feita. Todos os equipamentos que fazem parte da estrutura do prédio seguem prontos da fábrica – as vigas, as paredes, o telhado, os sistemas elétricos e hidráulicos – e são montados no canteiro de obras pela empresa. Dependendo do fabricante, a estrutura pode combinar aço, concreto, PVC, ou até fibra de vidro. São todos materiais bem resistentes, de boa qualidade, e que garantem um prédio confortável, com segurança e bem-estar para as nossas crianças. Pelo método tradicional, a construção de uma creche pode demorar dois anos ou mais. O novo sistema, usado nos países mais desenvolvidos, permite a entrega da obra em sete meses. Mas esse prazo pode ser menor. Em Aparecida de Goiânia (GO), por exemplo, a creche será inaugurada agora, em dezembro, após somente quatro meses de obras, e atenderá 120 crianças em tempo integral. Desde agosto, quando foi implantado o novo sistema, já aprovamos a construção de 1.877 creches pelo novo método, o que mostra boa adesão das prefeituras. Outra grande vantagem do novo modelo é que a obra fica até 24% mais barata, porque sai tudo pronto da fábrica, sem desperdício de material.
Nessa parceria com as prefeituras, o governo federal arca com todos os custos da construção e repassa o dinheiro para a compra dos móveis, das carteiras, dos colchões, dos berços, dos materiais pedagógicos, dos jogos, e, até, dos equipamentos de cozinha. Também pagamos, por até um ano e meio, as despesas do dia a dia da creche, até que ela receba o dinheiro vindo do Fundeb, pago por cada criança matriculada. Além disso, a prefeitura recebe 50% a mais de recursos do Fundeb para cada criança de família do Bolsa Família matriculada em creche. É um estímulo para que as crianças mais pobres consigam vagas nas creches. Nossa meta é contratar a construção de 6 mil creches, até o final de 2014. De 2011 para cá, já contratamos a construção de mais de 4,7 mil creches, e, delas, quase 2 mil estão em obras ou já foram entregues. Já inauguramos 1.235 delas no Brasil inteiro. Vamos contratar outras 1.950 até o final do ano que vem. Além disso, outras 1.609 creches que foram contratadas no governo do presidente Lula estão sendo construídas agora, no meu governo.
O principal beneficiário de uma creche é a criança. É claro que uma creche facilita em muito a vida dos pais, mas ela contribui mais ainda para a formação da própria criança, e esse é nosso principal objetivo. Na creche, o aluno recebe estímulos importantes para o seu desenvolvimento, que farão a diferença pelo resto de sua vida. A creche combate as desigualdades na raiz, pois dá a todas as crianças, principalmente às das famílias mais pobres, as mesmas oportunidades de se desenvolverem tendo acesso à educação de qualidade. Uma creche de boa qualidade é o primeiro passo para garantir uma saída permanente e sustentável da pobreza e dar um futuro ao País. Por isso, sempre que visito uma creche, faço questão de entrar no berçário, nas salas, nos banheiros, na cozinha, olhar os móveis, os equipamentos, olhar o material pedagógico, conversar com as professoras e ver de perto como tudo está funcionando. Tenho visto prédios lindos, bem construídos, coloridos e, principalmente, muito capricho e carinho das professoras e professores. A creche é só o começo, mas é o melhor começo. Depois, nossas crianças vão continuar sendo beneficiadas pelas melhorias que estamos promovendo na educação brasileira, com investimentos no ensino em tempo integral, na alfabetização na idade certa, e no aumento das vagas nas universidades e noensino técnico. E agora que a exploração do campo de Libra, no pré-sal, vai render centenas de bilhões nos próximos 35 anos para investirmos no aumento da qualidade da educação, poderemos fazer ainda mais. Ao ampliarmos as oportunidades de acesso à educação de qualidade, estamos construindo uma grande nação.
(*) Esta pergunta, que precede a Mensagem, foi formulada pela Secretaria de Imprensa para melhor entendimento do conteúdo.