terça-feira, 30 de junho de 2015

Não há impunidade para jovens infratores no Brasil, diz presidente da Fundação Casa


http://goo.gl/zgCMQ0 | A presidente da Fundação Casa de São Paulo, Berenice Gianella, rebateu os argumentos de defensores da redução da maioridade penal quanto à existência de uma suposta impunidade para jovens infratores hoje no Brasil. Ela participa de audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados que debate a PEC 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.

“Pergunte a qualquer adolescente internado no serviço socioeducativo se ele não se sente privado de liberdade. Claro que está. Mas lá ele tem acesso à escola, com maior capacidade de ressocialização”, disse.

A Fundação Casa de São Paulo é a unidade do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) com maior número de internos: 9.260. Desse total, 95% são homens e 5%, mulheres. Roubo (43%) e tráfico de drogas (39%) são os principais motivos que levaram esses jovens à internação.

Berenice Gianella também frisou que é baixo (menor do que 3%) o envolvimento dos adolescentes com crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e estupro, por exemplo.

A presidente da Fundação Casa citou dados científicos para afirmar que a parte do cérebro responsável pelo autocontrole ainda está em formação no adolescente, daí o fato de a maioria dos países fixar a maioridade penal em 18 anos. “A redução da maioridade não vai reduzir a criminalidade juvenil como pensa parte da sociedade”, afirmou.

Via: http://www.amodireito.com.br/

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Tarso Genro: Os cidadãos servos e o Congresso do PT


Marcos Oliveira/Agência Senado

Se o fascismo financeiro não for brecado, fará desaparecer as liberdades políticas democráticas e todo o sistema de direitos individuais e coletivos.

Depois de um formidável massacre a que foi submetido nos últimos anos, tanto por motivos justos como injustos, tanto pela direita conservadora como pelo néo-udenismo renovado, massacre este que transitou de maneira sistêmica pela grande mídia, toda ela, como se sabe, boa pagadora de impostos e isenta de qualquer mácula moral ou interesses subalternos  -depois de ser tratado, por mais de dez anos, como inventor da corrupção no Brasil - o Congresso do Partido dos Trabalhadores em Salvador, se é verdade que não resolveu nenhuma das questões de fundo, que o PT ainda precisa encarar, também demonstrou que o Partido tem uma capacidade de resistência extraordinária, uma militância séria e dedicada e quadros dirigentes, em todas as correntes de opinião, dispostos a reinventar a utopia e a não se entregar para as fatalidades burocráticas e para espontaneidade do cansaço.

A minha análise parte de alguns pressuposto que certamente não são majoritários no PT e isso ficou refletido na aprovação das teses da maioria e na rejeição das principais emendas do bloco minoritário, interno ao Partido, composto pela Mensagem e outros grupos internos do PT.  Primeiro, entendo que o Partido deveria recuperar a sua posição clara de sujeito político dirigente e proponente, e não apenas manter-se como "partido-suporte" do Governo, mero "ordenador" de custos políticos,  sem deixar de dar sustentação para que o Governo governe com estabilidade.  

Segundo, entendo que o partido deveria lançar-se numa política de reconstrução, que não é apenas de "retomar" relações com os "movimentos sociais", mas é estabelecer relações com a nova inteligência política do país, restabelecer relações com a academia, com os centro de produção cultural-científica e artística, com os novos setores do mundo trabalho, emergentes das revoluções tecnológicas em curso, o que só poderia ser feito com o arejamento do grupo dirigente atual, formando um novo grupo de direção, que incorporasse novos quadros, sem deixar de aproveitar a experiência e a qualidade dos quadros dirigentes atuais, bem como com um novo sistema de eleição das suas direções.

Terceiro, o Congresso deveria tratar da "nova questão do Estado", que ainda não foi abordada de maneira convincente e profunda pelas gerações atuais da esquerda mundial e que, aqui no Brasil, estando ainda o PT  no governo, é um tema que poderia avançar de maneira significativa, com os nossos acertos e erros, ao longo desta década, que resultaram em extraordinários avanços na inclusão social e na redução da miséria, que hoje estão sendo colocados em xeque.  

Esta terceira questão é a mais importante de todas. Ela remete para as duas anteriores e também porque traduz uma questão concreta, na política imediata, que tem uma enorme consequência estratégica. Ela parte de um pressuposto, que, se estiver correto, inverte a lógica da ação política da esquerda, para fortalecer o Estado e para responder à crise da democracia e a quase inocuidade dos processos eleitorais. Seu resumo é o seguinte: o Estado, em geral, e particularmente os estados sufocados pela dívida pública, foram capturados pelo capital financeiro - ordenado pelas agências privadas de risco e agências estatais dos países ricos, dos quais os bancos são intermediários - captura, esta, que determina que estes estados só se tornem "determinantes da vida social", para responder às necessidades do capital financeiro. Tornam-se os Estados, assim, cada vez mais ineptos e insensíveis, politicamente, para responder até mesmo aos chamados direitos naturais do Século XVIII, sem falar nas respostas econômicas e sociais decorrentes das lutas por mais igualdade.

As políticas que estes Estados precisam realizar, independentemente de quem está no Governo, passam a ser destinadas fundamentalmente a responder aos pagamentos da dívida pública, parte dela legítima e responsavelmente assumida pelos governos precedentes e grande parte dela decorrente do jogo especulativo do mercado financeiros mundial, que financia as políticas dos ricos nos países ricos, os investimentos bélicos de caráter colonial--imperial, sem falar na vida luxuosa de uma pequena elite, interna e externa ao país,  ligada aos grandes negócios globais.

Os estados, submetidos à chantagem permanente da dívida -vejam a Grécia-  não só tem dificuldades de desenvolver políticas alternativas para o seu projeto nacional de caráter democrático e social, como também transformam a sua cidadania numa cidadania "sem direitos", uma cidadania mais próxima da condição de servos, reforçando o "estatismo" só naquilo que lhe torna apto para a aplicação de políticas financeiras determinadas de "fora para dentro". Assim, ao mesmo tempo que se enfraquece o papel regulatório e social do Estado, se fortalece - como sua força principal para subordinar a política e os governos - seus Bancos Centrais, que se tornam mais fortes que os parlamentos e os partidos.

A força normativa do Estado e suas principais decisões que moldam a vida política, vem das determinações que ele, Estado, ordena na vida social, através dos Bancos Centrais. E isso não se faz sem autoritarismo e sem corrupção, que se espalha como uma gigantesca metástase no Estado e na sociedade civil: as reformas neoliberais, que agridem os direitos da cidadania não se fazem sem alianças fisiológicas e sem uma boa dose de corrupção na estrutura estatal, porque a "dinheirização" passa ser o elemento central da política, em substituição a programas de governo capazes de atrair e mobilizar os cidadãos.

Independentemente da honestidade da maioria dos políticos de todos os partidos, dos Presidentes, dos Ministros de Estado, dos servidores públicos, a política que se fortalece, vinga, e que  tem o apoio dos setores mais privilegiados no país e da ampla maioria da mídia tradicional é esta: a política que substitui as decisões políticas de Estado, para imprimir um projeto econômico e social, é transformada em decisões de gestão financeira da dívida, como política de Estado mais "universal" e fatalmente obrigatória.

Ao recusar a fazer um exame profundo do "ajuste" e das suas consequências para o conjunto da sociedade, o Congresso deixou a militância e a nossa base social desarmada, para enfrentar um debate sobre o futuro. Sequer se tratava de  exigir da Presidenta uma mudança de rumo agora, porque as escolhas que foram feitas pelo Governo, supostamente "para sair da crise", neste momento são irrevogáveis. Não só  porque quaisquer outras exigiriam um grau de mobilização social e uma unidade política, baseada em determinados princípios (que parte do nosso Partido e  os nosso aliados atuais não estão em condições de absorver), mas também porque não teriam maioria parlamentar para serem aplicadas. Mas é do profundo exame crítico do "ajuste" e da  crítica  à forma despolitizada e tecnicista com  que ele foi  proposto e está sendo aplicado, é que o PT recuperaria a credibilidade para dizer a natureza da política econômica do futuro, para um novo ciclo de governos progressistas  no Brasil.

A absorção, pela maioria, da necessidade de uma Frente orgânica, à esquerda, para o futuro, e o reconhecimento, ainda que formal, da necessidade de uma nova política econômica desenvolvimentista e social, dentro do atual governo, foram sinalizações positivas do Congresso. Mas seu elemento político mais importante,  do ponto de vista da minoria que eu integro, foi o manifesto unitário da maioria dos parlamentares do PT, senadores e deputados, (que gerou ao final a "Carta do Rio Vermelho" da minoria), que exigia que mudanças mais profundas fossem pautadas pelo Congresso. Na verdade não se trata, como quer a grande mídia, de sermos  "mais" ou "menos" radicais. Trata-se de sermos apenas mais consequentes com a nossa história, não só não aceitando que não existem outras alternativas, mas propondo-as de forma clara, mesmo "contra a corrente", formada por uma opinião pública manipulada pela grande mídia.

Togliatti, em 1935, num texto ("A propósito do fascismo"), em  que criticava  o tipo de aparato estatal proposto pelo fascismo,  "no qual o cidadão não tem direitos (...) diante do Estado, porque a origem de cada direito está no próprio Estado" , também, de forma profética, adiantava uma crítica do Estado "bancocentralizado" dos tempos atuais. É o estado necessário ao capital financeiro,  para controlar a sociedade: o Estado dos "cidadãos-servos", que não tem direito nem de discutir nem propor "ajustes", para saírem de uma crise porque, afinal, "não tem alternativas".

Este fascismo financeiro,  que toma conta do mundo e agora se prepara para esmagar a Grécia, se não for brecado em países mais fortes, como é o nosso,  fará desaparecer não só as liberdades políticas democráticas, porque tornará irrelevantes os partidos e os governos, mas também  fará desaparecer, como disse Togliatti,  "todo o sistema de direitos individuais e coletivos". A questão democrática em curso, hoje, integra de maneira incontornável, a crise da democracia, com a crise financeira do Estado. Isso o nosso Congresso não respondeu e é nosso dever compartilhar com os demais setores da esquerda e com o centro progressista e democrático a busca de saídas fora das alternativas da ortodoxia.

Via: cartamaior.com.br

terça-feira, 9 de junho de 2015

A ética do ajuste e outras virtudes

Por Tarso Genro
Marcos Oliveira/Agência Senado

À medida que a democracia não oferece alternativas para sair de uma crise, mais ela fica sob o assédio da imoralidade dos cálculos amorais do capital.


Ayn Rand é tida pelos ultraliberais do mundo como uma grande estrela da filosofia. Em 1961 publicou com Nathaniel Branden um livro que é considerado um clássico da filosofia moral contemporânea, para aqueles que defendem a sua mesma visão de mundo. Trata-se da obra denominada "As Virtudes do Egoísmo", cujo nome já diz tudo, publicada aqui no Brasil pela Editora Ortiz SA, em 1991.  Ayn faleceu em 1992, mas as suas ideias continuam vivas e até mesmo cultuadas  -sem citação de autoria-  nos fóruns da liberdade e nos debates promovidos por instituições liberais, como o Instituto Millenium, e outras organizações preocupadas com o destino do Brasil e com o bem-estar do nosso povo sofrido. Todos, aliás, incorruptíveis, pagando em dia os seus impostos e sofrendo, em cada "ajuste", os dissabores que atingem o seu padrão de vida e das suas famílias.

Ayn Rand é muito ousada. Faz uma crítica a Aristóteles, porque este não considerava a ética "uma ciência exata" e porque nenhum filósofo descobriu um código de ética "objetivo, racional e científico", problema para o qual ela se propõe a dar uma resposta. E o faz, segundo ela, porque em função da pobreza filosófica de todos os tempos, o mundo  -constata ela-  está afundando "num inferno cada vez mais profundo".  O seu colega Nathaniel Branden, especificando com clareza as posições de Ayn,  apresenta, no mesmo livro, a tese radical que exalta as virtudes do egoísmo: "O egoísmo ou não-egoísmo de uma ação, deve ser determinado objetivamente, e não pelos sentimentos da pessoa que age. Assim como os sentimentos não são armas da cognição,  também não são um critério, na ética."  Ou seja, os sentimentos humanos não são o "ponto de partida",  para a avaliação racional da eticidade de uma ação (sua moralidade, portanto), que deve ser avaliada objetivamente, a partir de um interesse pessoal.

O recado desta sentença filosófica de primeiro grau é o seguinte: não tenha compaixão!   Faulkner,  pelo seu discurso de agradecimento quando recebeu o Prêmio  Nobel de Literatura em 1950, seria severamente repreendido pelos adeptos de Ayn Rand. Para Faulkner , "o homem triunfará, é imortal, não porque dentre as criaturas ele tem uma voz inexaurível, mas porque ele tem uma alma, um espírito capaz de compaixão e sacrifício e resistência".  Um sentimento humanitário de "compaixão", por exemplo, perante uma injustiça singular, ou uma decisão que uma pessoa toma numa função de Estado (ou na sua empresa), deve ser substituída, segundo esta brilhante filosofia moral,  por um juízo "objetivo". A filosofia da virtude egoística não gosta de Faulkner e é contra Aristóteles. O juízo objetivo deve ser superior ao sentimento de solidariedade humana, que guiaria a decisão do indivíduo, pois, "para agir"  -prossegue o texto- a pessoa deve ser movida "por algum motivo pessoal" (...), pois a "questão do egoísmo de uma ação ou seu não egoísmo, depende não do fato do indivíduo querer ou não efetuá-la, mas apenas do porquê quer fazê-lo".

Fiquei chocado, há muito anos, quando li o livro de Ayn Rand e pensei que ele não teria menor chance de se tornar importante. Eis que ele, hoje, é a bíblia nem tão secreta, mas universal, anti-religiosa (a religião professa a solidariedade com o próximo), anti-marxista (o marxismo professa a solidariedade de classe), anti-aristotélica (que professa a subsunção da ética na política, para o bem da cidade), bíblia, portanto, que recomenda substituir os sentimentos humanos  -dos quais derivam as reflexões ético-morais-  por "juízos objetivos e científicos", estes, entendidos como interesse pessoal, "algum motivo pessoal", como diz a autora.

Um exemplo típico da aplicação viva desta filosofia moral é o carrasco Eichmannn "sentado em um escritório organizando papéis e dando telefonemas importantes", cuidando do seu emprego, do seu interesse pessoal,  e lidando com dados "objetivos" da sua função pública de natureza contratual, como burocrata do Terceiro Reich, enquanto milhares de judeus, que ele não contabilizava nos seus "sentimentos pessoais", morriam nos campos de concentração. Ou Primeiro Ministro da Espanha, Mariano Rajoy,  preparando as medidas do "ajuste", que consolidaram os 42 porcento de desemprego na juventude e  reduziram os valores das aposentadorias dos servidores públicos, porque "objetivamente" não havia outra alternativa, mas que reflete, sempre, em quem não tem poder de decidir e que é o elo mais fraco da cadeia política do comando do capital. Parece que Ayn Rand descobriu, por antecipação, a filosofia dos "ajustes", a partir da transformação da economia financeira numa ciência exata e da destruição da política como expressão de uma ética socialmente determinada pelo sujeito.

Poderia dar outros exemplos, mas, por enquanto fico por aqui. Mas, ouso dizer que à medida que a democracia não oferece outras alternativas para sair de uma crise, do que jogar as contas da crise sobre os ombros dos mais débeis, ela, a democracia, está sob assédio da imoralidade completa dos cálculos amorais do capital. E o capital, não se esqueçam, por mais diluído que ele esteja nas nuvens especulativas das agências de risco, sempre apresentará suas mensagens de solidariedade, através da grande imprensa, que ele controla e financia. O capital sabe ser solidário com seus servos conscientes ou inconscientes, embora recomende que os cidadãos não o sejam entre si. Acompanhem e verão.

Via: cartamaior.com.br

Especial: Karl Marx tinha razão

O que o Especial enfatiza é que a sociedade não se livrará da servidão rentista pela lógica de mercado. É forçoso organizar a resposta política a isso.

Joaquim Palhares - Diretor da Carta Maior




f2b1610 / Flickr
Os ciclos históricos tem um começo e tem um fim.

O ciclo iniciado nas grandes greves do ABC dos anos 70 e 80 condensou impulsos que nos fizeram chegar até aqui.

Agora já não tem mais a força necessária para nos levar adiante.

As condições objetivas mudaram nesses quase 40 anos.

A classe trabalhadora brasileira também sofreu transformações. Gerações mudaram. A precarização avançou. Empregos de baixa qualidade predominam em um cenário de industrialização declinante.

Precisamos de novos instrumentos com abrangência e capilaridade para enfrentar o mais virulento cerco contra os direitos democráticos e as forças progressistas observado desde o golpe de 1964.

Sacrificar 90% da sociedade para gerar riqueza em benefício de 1%: esse é o programa econômico do conservadorismo para a encruzilhada atual do desenvolvimento brasileiro.

Não há nada mais importante nesse momento do que organizar a capacitação política do campo progressista para enfrentar a severidade dessa ofensiva que interdita a inauguração de um novo ciclo de crescimento e avanço social.

Aquilo que nos devora, que nos faz girar em círculos até a prostração, é a hesitação diante dessa tarefa incontornável.

Em 12 anos de governos de centro esquerda demos passos efetivos na construção da nova fronteira de soberania no século XXI: aquela calcada na justiça social e em alianças internacionais progressistas.

Mas descuidamos do indispensável: a contrapartida da organização popular capaz de sustentar e adicionar avanços a esse percurso.

A fatura chegou.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
Sem o protagonismo de uma frente democrática e popular afundaremos no limbo de um golpe branco em que os derrotados nas urnas de 2014 comandam a economia, o judiciário, a mídia, o parlamento e o imaginário social.

A ênfase é rebaixar o custo do trabalho, desmontar o pleno emprego, minar os sindicatos, acuar o poder de barganha do trabalho, impor, enfim, o custo da crise nos ombros das famílias assalariadas.

O Brasil gasta pouco mais de 1% do PIB com todas as universidades públicas federais e com o Bolsa Família.

Mas destina 6% do PIB aos rentistas da dívida pública interna.

Cortamos o PAC, o investimento no pré-sal, o Pronatec, suspendemos a renegociação da dívida dos municípios. Mas recolocamos o país, de novo, na humilhante condição de maior taxa de juro do planeta: 7% acima da inflação faz do Brasil o principal pasto de engorda do rentismo global.

Reverter esse quadro não é obra que se possa atribuir a uma liderança ou a um partido.

O Brasil necessita urgentemente viabilizar um novo braço coletivo.

Que seja maior do que a soma das partes, capaz de sacudir o torpor da esquerda, afrontar a soberba da direita, abrir espaço para o governo recuperar seu projeto e a capacidade de iniciativa.

Listar plataformas e bandeiras é quase um truísmo, tão vertiginosa é a sua evidência na encruzilhada brasileira.

Afastar o país do desmonte neoliberal implica coibir a mobilidade dos capitais, taxar o lucro financeiro, os bancos, tributar a herança e assim destinar fôlego fiscal à infraestrutura, à saúde pública, à educação de qualidade.

Nada disso acontecerá sem romper um oligopólio de comunicação que envenena o discernimento social, sabota o pacto entre o desenvolvimento e a democracia social.

O Brasil se mexe.

Em diferentes áreas, vicejam sementes da mobilização necessária para construir uma frente ampla democrática e progressista que abrace as tarefas de hoje e de amanhã.

Carta Maior, modestamente, participa desse mutirão.

Já no final da campanha de 2014, antevendo o esgotamento de um ciclo, criamos o Fórum 21.

Intelectuais, lideranças e quadros de todas as matizes da esquerda tem se debruçado ali sobre a encruzilhada do desenvolvimento brasileiro.

Trata-se agora de sair da esfera dos colóquios dispersos e avulsos para o impulso de uma agenda unificada, prática e desassombrada.

O V Congresso do PT que começa na próxima 5ª feira pode ser o marco histórico dessa virada política.

Para isso, todavia, há um requisito.

Os senhores congressistas precisam ter a coragem histórica de assumir o papel que o partido ainda pode ter como elemento catalizador da frente ampla política que o momento brasileiro requer.

É necessário instituir um comitê provisório de organizações e personalidades para convocar um fórum permanente que coordene lutas, mobilizações e uma conferência nacional.

As eleições municipais de 2016 devem funcionar como um aquecimento do mutirão progressistas.

Mirem-se na Espanha. E, sobretudo, na plataforma que empolgou Barcelona a conclamar seus cidadãos a construir uma cidade que afronte a precariedade e a incerteza da lógica neoliberal.

É crucial dispor de um instrumento de comunicação. Bem como de recursos para promover seminários, trazer e levar conferencias e explanadores para todo o Brasil.


Sobretudo, porém, para que essa ferramenta deixe de ser uma miragem, para se tornar uma referência aglutinadora da ação, é preciso ter o discernimento claro sobre a engrenagem a afrontar.

O que ele enfatiza, com textos marxistas calcados na discussão concreta dos impasses do presente, é que a superprodução de capitais é a contraface indissociável da escassez de demanda gerada pela precarização do trabalho em nossa época.

Dessa servidão rentista a sociedade não se livrará pela lógica de mercado.

É forçoso organizar a resposta política a isso.

Nenhum ajuste de mercado o fará por nós  --é esse o recado substantivo dos textos aqui reunidos.

E foi com esse objetivo que corremos o risco de publicá-los em desafio à norma da simplificação e da frivolidade dominante.

Ou as forças progressistas –e o V Congresso do PT, sobretudo— assumem a contrapartida prática desse desassombro, ou o país afundará refém da espiral descendente comandada pelos Cunhas, Aécios & assemelhados.

Os textos desse especial –repita-se--  não são afeitos à leitura apressada. Porém são dotados da urgência política que pavimenta a compreensão dos afazeres do nosso tempo.

A semana do V Congresso do PT é um pedaço do futuro interditado pela lógica de mercado (leiam também ‘O futuro empoçado’)

Desejamos, sinceramente, que os congressistas reunidos em Salvador a partir desta 5ª feira dediquem um pedaço de seu tempo a esse especial. E extraiam dele as consequências históricas para o Brasil que desejamos construir para os nosso filhos, os filhos e netos que um dia eles terão.

Mãos à obra.

Via: cartamaior.com.br

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A corrupção privada cresce como um câncer


wikimedia commons

Roberto Savio*

O prêmio entregue a cada ano aos funcionários do setor financeiro equivale, praticamente, a um suborno pelo silêncio a respeito da corrupção.

ROMA, maio (IPS) - É impressionante como a cada semana se conhecem novas ações judiciais, em várias partes do mundo, contra o setor financeiro, por delitos e irregularidades, sem que se registre uma reação considerável por parte da opinião pública.
 
É surpreendente, porque isso acontece em meio a uma crise muito grave, com altos índices de desemprego, trabalho precário e um aumento sem precedentes das desigualdades, efeitos causados, em grande medida, pela especulação financeira.
 
Tudo começou em 2008 com a crise hipotecária e o estouro da bolha dos derivados financeiros nos Estados Unidos, seguido pela explosão da crise da dívida soberana na Europa.
 
Calcula-se que haverá que esperar ao menos até 2020 para que alguns países consigam recuperar os níveis econômicos existentes em 2008. Isso significa uma década perdida.
 
Para resgatar os bancos, o mundo gastou algo em torno de quatro bilhões de dólares de recursos vindo das finanças públicas, dinheiro tirado dos contribuintes.
 
Vejamos um exemplo: esse resgate do setor bancário na Espanha absorveu mais dinheiro que o que foi destinado ao orçamento anual de educação e saúde juntos. E a história continua.
 
No dia 20 de maio, cinco grandes bancos aceitaram pagar uma multa de 5.7 bilhões de dólares às autoridades dos Estados Unidos, por uma ação de manipulação do mercado de divisas. Os bancos são bastante conhecidos: os estadunidenses JP Morgan Chase e Citigroup, os britânicos Barclays e Royal Bank of Scotland e o suíço UBS.
 
No caso do UBS, o Departamento de Justiça de Estados Unidos adotou a inusual medida de anular um acordo de não acusação que havia pactado anteriormente, justificando este passo devido aos reiterados escândalos relacionados ao banco. “O UBS tem um prontuário que não pode ser ignorado”, disse a promotora Leslie Caldwell.
 
Trata-se de um desvio significativo das diretrizes que o Departamento de Justiça emitiu em 2008, segundo as quais as consequências colaterais devem ser tomadas em conta nas acusações feitas contra as instituições financeiras.
 
“A consideração de consequências colaterais está concebida para situações onde há o risco de que uma acusação particular cause um dano desproporcional as acionistas, os titulares dos fundos e os empregados que não são sequer suspeitos nos casos”, disse Mark Filip, funcionário do Departamento de Justiça que escreveu o memorando de 2008.
 
A respeito do caso da gigantesca companhia de auditoria Arthur Andersen, que avalou as falsificadas contas da empresa energética Enron, e que posteriormente declarou falência, Filip disse que “em última instância, a Arthur Andersen nunca foi considerada culpada de nada, mas o simples fato de ter sido acusada a destruiu”.
 
Com o revelador título de “Grande Demais Para Cair”, esta foi, aliás, uma garantia de impunidade que não escapou da mira dos administradores do sistema financeiro.


No recente dia 11 de maio, Denise L. Cote, juíza da Corte Federal do distrito de Manhattan, condenou dois grandes bancos, o japonês Nomura Holdings e o britânico Royal Bank of Scotland, por estelionato contra duas instituições públicas de empréstimos imobiliários, conhecidas como FannieMae e Freddie Mac. O esquema funcionava através de créditos hipotecários que continham diversos erros e tergiversações.
 
Nomura Holdings e Royal Bank of Scotland foram somente dois dos 18 bancos acusados de manipular o mercado imobiliário. Os outros 16 grupos chegaram a um acordo extrajudicial para pagar quase 18 bilhões de dólares em sanções, evitando, assim, que suas falcatruas fossem ventiladas publicamente.
 
O Royal Bank of Scotland e o Nomura Holdings rejeitaram um acordo similar e processaram o governo dos Estados Unidos, argumentando que foi a crise imobiliária que provocou o colapso de seus créditos hipotecários.
 
Entretanto, a sentença da juíza Cote afirmou que foi precisamente o contrário: o comportamento delitivo dos bancos foi o que acentuou a derrubada do mercado hipotecário.
 
Vale destacar que, até agora, as multas acumuladas desde 2008, impostas pelo governo dos Estados Unidos a somente cinco bancos importantes, superam os 250 bilhões de dólares. Contudo, nenhum banqueiro foi à prisão, as multas foram pagas e o problema foi sepultado.
 
A questão é dirimir se todos esses casos são eventuais desvios de conduta de alguns administradores gananciosos, ou se trata da nova “ética” do setor financeiro.
 
É necessário recordar que, recentemente, foi revelado que 25 administradores de fundos de cobertura (hedge funds) receberam cerca de 14 bilhões de dólares e que o gestor melhor remunerado entre eles foi quem deu a si mesmo a astronômica cifra de 1,2 bilhão de dólares, equivalente à soma da média dos salários médios de 200 mil atividades profissionais estadunidenses.
 
A respeitada Universidade de Notre Dame divulgou, no dia 20 de maio, um informe alarmante, baseado numa pesquisa que envolveu mais de 1, 2 mil executivos de fundos de cobertura, bancos de investimentos e outras áreas do mundo financeiro dos Estados Unidos e do Reino Unido, na qual cerca de um terço dos que ganham mais de 500 mil dólares por ano admitiram que “já foram testemunhas ou têm conhecimento direto de irregularidades em seu lugar de trabalho”.
 
O informe da universidade estadunidense sustenta, inclusive, que “quase um de cada cinco pesquisados sentem que, às vezes, os profissionais de serviços financeiros devem se envolver em atividades pouco éticas ou ilegais se querem ter sucesso no mundo financeiro atual”.
 
Sobre isso, quase metade dos profissionais pesquisados incluindo os de mais altos salários, consideram que as autoridades são “ineficazes na detenção, investigação e julgamento de infrações relativas a essas falcatruas”.
 
Um quarto dos entrevistados afirmou que caso considerassem que não havia nenhuma possibilidade de serem presos por tráfico de informação privilegiada para ganhar 10 milhões de dólares, passariam essa informação.
 
Quase um terço acredita que “as estruturas de remuneração ou os planos de bonificação em vigor em suas empresas poderiam incentivar os empregados a romper a ética ou violar a lei”.
 
A maioria mostrou um temor que aludia a ameaças implícitas dos seus empregadores, que provavelmente optariam por “aplicar represálias contra os que passassem informações sobre irregularidades em sua empresa”.
 
Portanto, o prêmio entregue a cada ano aos funcionários do setor financeiro equivale, praticamente, a um suborno pelo silêncio a respeito da corrupção.
 
Os exemplos de Wall Street e de Londres serão cada vez mais comuns, a medida em que se projetem no sistema financeiro.
 
Uma nova “ética” se está instaurando e se propagará se não for interrompida – e que, atualmente, não parece estar sendo coibida.
 
Uma consideração final. Na mesma terceira semana de maio (quantas coisas aconteceram em tão curto espaço de tempo!), a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos apresentou denúncias contra quatro respeitadas associações do país dedicadas ao combate ao câncer, por uso indevido de milhões de dólares em doações.
 
Uma delas, o Fundo para o Câncer dos Estados Unidos, havia declarado que 100% dos recursos arrecadados foram usados em atenção médica, transporte de pacientes sessões de quimioterapia e compra de medicamentos para crianças. A Comissão descobriu que, na verdade, menos de 3% das doações recebidas foram realmente destinadas ao cuidado de pacientes com câncer.
 
A “nova ética” é um câncer de rápida metástase.
 
*Jornalista ítalo-argentino. Cofundador e ex-diretor geral da Inter Press Service (IPS). Nos últimos anos, fundou e difundiu o Other News, um serviço que proporciona “informação que os mercados eliminam”. Other News Em Espanhol: http://www.other-news.info/noticias/ Em inglês: http://www.other-net.info/

Via: cartamaior.com.br

Carta em defesa do Brasil, da Democracia e do Trabalho

Para: Ao povo brasileiro

O pacto político e social da Constituição de 88 está sob um ataque de exceção. Contra a política, contra os partidos, especialmente do campo da esquerda, contra os movimentos sociais.

Este ataque representa a maior ofensiva organizada pelas forças políticas da direita e pelo oligopólio da mídia conservadora, desde 1968.

A luta contra a corrupção, que deveria atingir de forma indistinta e igual quem viola a legalidade e desmoraliza a política e o Estado, está sendo instrumentalizada por setores conservadores e foi colocada a serviço de um projeto autoritário de restauração de uma democracia restrita e de redução das funções públicas do Estado.

Parte da direita não hesita em clamar pela intervenção militar, como se o Brasil fosse uma república bananeira, e as nossas forças armadas fossem feitoras dos interesses do capital financeiro. Promovem a contra-reforma política para manter o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e partidos políticos e buscam terceirizar o Banco Central, pretendendo sua “independência” em relação ao Estado e sua submissão total à especulação globalizada.

Agendam a redução da maioridade penal e organizam ataques às conquistas das mulheres, negros e homossexuais. Incitam o ativismo judicial seletivo, antidemocrático, para desestabilizar o pacto político de 1988.

A direita e o grande empresariado promovem agora uma reforma penosa aos trabalhadores, para universalizar a terceirização, com um ataque severo às conquistas laborais do século passado. Aprovada, terá como efeito mais grave maior precarização das relações de trabalho e a redução de salários.

- A democracia: reforma política e dos meios de comunicação

No Brasil, a luta pela democratização da política assume, hoje, duas formas principais.
Primeiro, a luta contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e dos partidos políticos.
Segundo, a luta contra o controle plutocrático dos meios de comunicação, desrespeitando dispositivo constitucional que veda o monopólio e oligopólio.

Contra a decadência do sistema político, as esquerdas e as forças comprometidas com a democracia e com o avanço social precisam se unir em torno da reforma política e pela democratização dos meios de comunicação.

Unir-se pela verdadeira liberdade de imprensa, que implica no direito à livre circulação da opinião, normalmente censurada pelos oligopólios, e pela transparência e democratização das concessões para rádios e TVs, que hoje são feitas no subsolo da política nacional.

As duas reformas são fundamentais para controlar o papel que o dinheiro exerce como agente corruptor da democracia.

No que concerne à reforma política, o principal mecanismo de democratização de campanhas eleitorais e prevenção contra a corrupção é o bloqueio do financiamento empresarial de campanhas e partidos políticos.

No que tange à reforma dos meios de comunicação, para limitar o poder do dinheiro é necessário limitar a propriedade e o controle, em uma mesma área, de órgãos de comunicação controlados por um mesmo grupo empresarial.

O controle de grupos milionários e de políticos sem escrúpulos sobre meios de comunicação confere vantagens políticas que pervertem a cláusula democrática e deformam as eleições.

A agenda destas reformas nos unifica, imediatamente, no seguinte: a) proibição do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais por empresas; b) a limitação do número de veículos de comunicação, por grupo empresarial, em uma mesma área geográfica.

- A democratização do desenvolvimento econômico e a rejeição da austeridade

Apesar da crise global, os defensores do projeto neoliberal não desanimam na defesa dessa utopia direitista e dos interesses que ela atende.

Seu ataque quer atingir o que diferenciou, no mundo, o desenvolvimento brasileiro na última década: a expansão de salários e direitos sociais; a formação de um mercado interno ampliado pelo aumento do consumo popular; a recuperação de alguma capacidade de planejamento estatal; a rejeição do projeto de integração subordinada à globalização neoliberal.

A direita emparedou o Governo da Presidenta Dilma Rousseff em função da dominação que o dinheiro exerce na formação da opinião, por meio dos oligopólios da mídia, aproveitando os erros cometidos na formação dos preços públicos, na manutenção de alguns subsídios, combinados com a elevação das taxas de juros e a retração do investimento público.

Todo ajuste ortodoxo de corte neoliberal se assenta em dois pilares: juros elevados e restrições orçamentárias para investimentos em infraestrutura e para programas de combate às desigualdades sociais e regionais.

O “ajuste” ? como proposto no Brasil - não toca nas desigualdades de patrimônio e renda, penaliza principalmente os trabalhadores e camadas sociais vulneráveis, fragiliza as forças progressistas diante do avanço das forças conservadoras.

O nosso “ajuste” deve ser outro. Deve garantir o crescimento com a ampliação dos investimentos para combater desigualdades sociais, regionais e gargalos produtivos. Deve potencializar um projeto de nação democrática e justa: a democratização da estrutura tributária brasileira é essencial para que o desenvolvimento soberano e inclusivo receba a contribuição dos que podem contribuir mais.
Nesse sentido, o Imposto de Renda deve ser reduzido para trabalhadores e camadas médias, mas majorado, progressivamente, para grandes salários e lucros distribuídos.

A tributação da riqueza acumulada deve contar com Imposto sobre as Grandes Fortunas e Grandes Heranças.

Finalmente, deve ser veementemente repelida a proposta de eliminar a independência do Banco Central em relação aos bancos que deve regular.

Depois do repúdio do povo brasileiro durante a campanha presidencial à proposta de um Banco Central “Independente” (em relação ao governo eleito), reavivá-la no Congresso Nacional é uma atitude que denota um enorme afastamento dos representantes do povo em relação aos interesses da maioria da nação.

A agenda mínima de reformas que nos unifica, imediatamente, quanto ao desenvolvimento, fundamenta-se no seguinte: rejeição da austeridade que é inepta para a retomada do crescimento; redução das taxas de juros; retomada do investimento público; reestruturação imediata do Imposto de Renda, com aumento das alíquotas para os muito ricos; taxação de Grandes Fortunas e Grandes Heranças; programa de largo alcance e qualidade técnica para combater a sonegação de impostos, políticas que devem ser debatidas na cena pública democrática, tanto no Parlamento como na relação direta do Governo com a sociedade.

- Participação direta da cidadania nas decisões sobre políticas públicas

A Constituição Brasileira abre a possibilidade de participação direta da cidadania (art. 14) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/1999) recomenda que os governos procedam discussões públicas sobre o Orçamento.

Esses preceitos ainda não se materializam em instituições e práticas efetivas. Consultas públicas, plebiscitos e referendos não devem ser eventos raros em uma democracia ampliada.

É necessário construir mecanismos que efetivem a participação direta e desenvolvam a democracia na definição de políticas públicas, prioridades orçamentárias e formas de financiá-las que ampliem a justiça social.

- Pela defesa da democracia, do trabalho e da soberania nacional

Diante do avanço da direita, é necessário pensar hoje não apenas na estabilidade e na governabilidade democrática, mas na defesa de um programa mínimo que unifique as forças sociais comprometidas com a defesa da democracia, do trabalho e da soberania nacional.

Para construir, debater e defender esse programa, é fundamental a constituição gradual de uma Frente Democrática pelas Reformas Populares. Uma Frente que aponte, nos processos eleitorais e nas lutas sociais, para uma nova governabilidade com base programática.

A formação desta Frente é uma tarefa política de toda a esquerda, com participação ampla da sociedade civil não organizada em partidos e membros de partidos.

Lutamos há décadas pela democracia contra as mesmas forças do atraso que, hoje, querem voltar a limitá-la. Lutemos em conjunto para que a democracia brasileira supere a nova ameaça reacionária, e atenda progressivamente aos anseios do povo brasileiro por menores desigualdades, mais direitos e oportunidades de vida digna.

O Fórum 21, organização da sociedade civil constituída em dezembro de 2014, organizou uma Carta em defesa de temas caros a todos nós. A comissão final de redação foi formada por Luiz Gonzaga Belluzzo, Ladislau Dowbor, Leda Paulani, Reginaldo Moraes e por Pedro Paulo Zahluth Bastos. A Carta tem apoio dos movimentos sociais abaixo listados que também apoiaram o manifesto lido no Senado Federal na semana do dia 18 de maio de 2015 pelo Sendor Lindberg Farias. A Carta amplia os temas do manifesto para discutir outras reformas populares e conclama as forças de esquerda para formar uma frente para defendê-las.

Se concordar com seus termos, por favor subscreva este documento por meio da Petição Pública.


ENTIDADES

Adere (Articulação dos Empregados Rurais de Estado de Mg)
Associação de Mulheres de Viamão Maria Quitéria - Presidenta: Joice Dutra
CUT Nacional – Central Única dos Trabalhadores – Executiva Nacional
Coletivo Brasil de Comunicação Social Intervozes
Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
Consulta Popular
Federação das Mulheres Gaúchas - FMG - Presidenta: Adriana Damasceno
Feremg (Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de Minas Gerais
Levante Popular da Juventude
Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo –MTC
MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Nação Hip Hop Brasil
Observatório da Mulher
Sindicato dos Assalariados Rurais da Região Sul De Minas Gerais
Sindicato dos Assalariados Rurais de Conceição Do Rio Verde Mg
Sindicato dos Assalariados Rurais de Guapé
Sindicato dos Assalariados Rurais de Tres Corações Mg
Sindicato dos Assalariados Rurais e Eloi Mendes
Sindicatos dos Assalariados Rurais de Carmo de Minas
UNE – União Nacional dos Estudantes


ASSINAM ESTE DOCUMENTO:

Alfredo Saad Filho – Professor Associado - Universidade de Londres; ex- Senior Economics Affairs Officer da UNCTAD (ONU)
André Vitor Singer – Professor Associado - USP
Boaventura de Souza Santos - Centro de Estudos Sociais (Universidade de Coimbra) e University of Wisconsin-Madison
Emir Sader - Prof. da UFRJ, UERJ e USP
Fábio Konder Comparato – Advogado, escritor e jurista
Fernando Morais - Escritor
Frei Betto – Teólogo e Jornalista
Gabriel Lira - Secretário Geral do Instituto Brasileiro do Estado de Direito e da Democracia
Jorge Mattoso – Professor Doutor da UNICAMP; ex-presidente da Caixa Econômica Federal
José de Felippi Jr - Secretário Municipal da cidade de São Paulo
Juarez Tavares – Jurista, Prof. Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Professor visitante da Universidade de Frankfurt
Ladislau Dowbor – Professor Titular – PUC
Leda Paulani – Professora Titular – USP; ex-Presidenta da Sociedade Brasileira de Economia Política
Leonardo Avritzer - Professor Titular da UFMG, ex-presidente da Associação Brasileira de Ciência Política
Leonardo Boff – Teólogo e Professor Universitáro
Lindbergh Farias - Senador (PT-RJ)
Luis Carlos Bresser-Pereira – Ex-Ministro da Fazenda, da Administração Federal e Reforma do estado, e de Ciência e Tecnologia, Professor da FGV-SP
Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular – UNICAMP
Marcio Pochmann – Professor Titular – UNICAMP; presidente da Fundação Perseu Abramo; Ex-Presidente do IPEA
Margarida Salomão - Deputada Federal PT-MG
Maria Victoria Benevides - Professora Titular da Faculdade de Educação da USP
Niemeyer Almeida Filho - Professor Titular - Universidade Federal de Uberlândia - Presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política
Paulo Pimenta – Deputado Federal, Presidente da Comissão de Direitos Humanos
Paulo Teixeira - Deputado Federal do PT
Pedro Paulo Zahluth Bastos – Professor Associado – UNICAMP, ex-presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica
Pedro Estevam Serrano - Professor da PUC/SP
Randolfe Rodrigues - Senador pelo PSOL-AP
Reginaldo Moraes - Professor Titular UNICAMP e Fundação Perseu Abramo
Rosa Maria Marques - Professora Titular – PUC – SP
Samuel Pinheiro Guimarães – ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores
Sebastião Velasco e Cruz – Professor Titular - UNICAMP
Tarso Genro - Ex-governador - RS, Ex-ministro da Educação, da Justiça e das Relações Institucionais
Vagner Freitas – Presidente da CUT Nacional
Vanessa Petrelli Corrêa - Professora Titular - Universidade Federal de Uberlândia; Ex-Presidenta do IPEA
Virgínia Barros - Presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE)
Wadih Damous - deputado federal PT/RJ e ex presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro

Aderbal Farias Magalhães - Professor aposentado UNICAMP
Airton Paschoa - Escritor
Altamiro Borges - Centro de Estudos Barão de Itararé
André Biancarelli – Professor Doutor - UNICAMP
Andrei Koern - USP
Antonio Lassance - Cientista Político
Breno Altman - Jornalista
Camilo Vannuchi - Jornalista
Carlos Punkusfeld - Professor da UFRJ
Celio Hiratuka – Professor Doutor - UNICAMP
Célio Turino - Historiador e escritor
Edson Aparecido da Silva - Sociólogo
Esther Bermerguy de Albuquerque - Consultora
Eva Gonçalves Magalhães - Professora aposentada da UNICAMP
Fábio Sá e Silva - research fellow, Harvard Law School
Fernando Augusto Mansor de Mattos - Professor Doutor – UFF
Flavio Wolf Aguiar - Escritor, Prof. aposentado da USP
Gonzalo Berron - Cientista Político
Ivana Jinkings - Diretora da Boitempo
Jean Tible - Professor da USP
João Feres Junior - Editor do Manchetômetro e prof. da UERJ
Joaquim Ernesto Palhares - Jornalista
José Augusto Valente – Especialista em Logística e Transporte
José Luiz Del Roio - Militante Político
Laurindo Leal Filho - USP
Laymert Garcia dos Santos - Prof. da USP
Léa Maria Reis - Jornalista
Leneide Duarte-Plon - Jornalista
Luiz Alexandre Lara - Arquiteto Urbanista
Luiz Renato Martins - ECA-USP
Magda Barros Biavaschi - Desembargadora aposentada do TRT4
Marcos Aarão Reis - Jornalista
Mari Perusso - coordenadora bancada estadual PT –RS
Maria Goretti Nagime Baros Costa - Advogada
Maria Inês Nassif - Jornalista
Maria Luiza Flores da Cunha Bierrenbach - Procuradora do Estado de SP
Maria Marta Azzolini - Psicanalista
Maria Rita Bicalho Kehl - Psicanalista, jornalista, ensaísta, poetisa e crítica literária
Maria Rita Garcia Loureiro – FGV/SP
Martônio Mont'Alverne Barreto Lima – Prof. Titular na UFC
Nilce Aravecchia Botas - Prof. da FAU USP
Ofélia Lopes - Prof. Aposentada Jorge Luiz Souto Maior - Professor Faculdade Direito USP
Pedro Rossi - UNICAMP
Rachael Moreno – Consultora
Reginaldo Mattar Nasser - Chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC-SP e Prof. do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC-SP)
Ricardo Musse - Prof. da USP
Rodrigo Vianna - Jornalista
Rubem Leão Rego - UNICAMP
Sonia Irene Silva do Carmo - Professora universitária aposentada
Valdizar Pinto do Carmo - Jornalista aposentado
Waldir Quadros – Ex-Professor da UNICAMP – Atual Coordenador do curso de Relações Internacionais – FACAMP
Walquiria Leão Rego - UNICAMP

Via: http://www.peticaopublica.com.br/