quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Juiz nega liminar contra Mais Médicos movida pelo CRM

8 de Agosto de 2013 - 15h30

Juiz nega liminar contra Mais Médicos movida pelo CRM


O juiz João Batista Ribeiro, titular da 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, negou liminar pedida pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) daquele estado contra o programa federal Mais Médicos. Ao tomar a decisão, publicada nesta quarta-feira (28), o magistrado advertiu que a entidade busca promover reserva de mercado com a tentativa de se ver dispensada de conceder registro provisório aos profissionais com diploma estrangeiro que chegaram ao país desde a última semana.


Desde que o Mais Médicos foi anunciado, em julho, despertou resistência de setores da categoria que se manifestou com violência e até xenofobia e racismo/ Foto: Cadu Rolim- Fotoarena Folhapress

“O órgão de fiscalização da classe ao decidir pela não admissão do registro temporário dos médicos intercambistas, ajuizando a presente demanda para desobrigá-lo de efetuar o referido registro provisório pretende instaurar uma verdadeira 'batalha'”, critica, “visando a preservação de uma reserva de mercado aos médicos formados em instituições de educação superior brasileira ou com diploma revalidado no país, em que as vítimas, lamentavelmente, são os doentes e usuários dos órgãos do sistema público de saúde.”
Na visão do CRM-MG, a Medida Provisória 621, de 2013, é inconstitucional porque não há urgência na questão, requisito para a edição de uma MP, e porque a dispensa de revalidação de diploma entraria em conflito com o artigo 196 da Carta Magna, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Mas, para o juiz, trata-se da primeira oportunidade na história do Brasil para que a população “carente e marginalizada”, moradora dos “rincões”, tenha a possibilidade de prolongar a expectativa de vida por meio do atendimento médico adequado.

Os 682 médicos com diplomas do exterior começaram na segunda-feira (26) um curso com duração de três semanas que inclui treinamento técnico para entender o funcionamento do sistema de atenção básica brasileiro e avaliação da proficiência em português, outra argumentação do CRM que foi dispensada pelo juiz. “É de se indagar o que é pior: ser atendido pelo médico intercambista, cuja revalidação do diploma, em caráter excepcional foi dispensada, para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, ou continuar sem assistência alguma?”

Na semana passada, o presidente do conselho regional mineiro, João Batista Gomes Soares, afirmou que orientaria a categoria a não tratar pacientes vítimas de eventuais falhas dos médicos cubanos. “Se ouvir dizer que existe um médico cubano atuando em Nova Lima, por exemplo, mando uma equipe do CRM-MG fiscalizar. Chegando lá, será verificado se ele tem o diploma revalidado no Brasil e a carteirinha do CRM-MG. Se não tiver, vamos à delegacia de polícia e o denunciamos por exercício ilegal da profissão, da mesma forma que fazemos com um charlatão ou com curandeiro”, afirmou.

O CRM argumenta que o Mais Médicos fere a Constituição também na visão de que o exercício da profissão é livre. O contrato de três anos firmado com o Ministério da Saúde prevê que o médico possa atender apenas na localidade para a qual foi selecionado, com salário de R$ 10 mil ao mês, mais ajuda de custo que varia de um a três salários de acordo com a região do país.

Além disso, na visão da entidade, a dispensa de diploma coloca em risco a população, tese com a qual o juiz não concordou. Para ele, o livre exercício da profissão garantido pela Carta Magna não é um valor ilimitado, ou seja, pode haver uma limitação de acordo com as necessidades em jogo.

João Batista Ribeiro concorda com a tese do Ministério da Saúde de que a restrição geográfica é necessária para garantir que os médicos formados no exterior não passem a concorrer no mercado nacional, deixando de lado o objetivo fundamental pelo qual vieram ao país, ou seja, o oferecimento de saúde em lugares desassistidos. “Configurando o ato normativo impugnado, sem qualquer sombra de dúvida, política pública de saúde da maior relevância social de sorte que o bem da vida, que está sob perigo real e concreto, deve ter primazia sobre todos os demais interesses juridicamente tutelados”, argumenta.

Dilma recebe de líderes partidários proposta de plebiscito

28 de Agosto de 2013 - 13h19

Dilma recebe de líderes partidários proposta de plebiscito


A presidenta Dilma Rousseff recebeu, nesta quarta-feira (28), dos líderes partidários Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, Manuela D’Ávila, líder do PCdoB na Câmara, José Guimarães (PT), Beto Albuquerque (PSB) e André Figueiredo (PDT), no Palácio do Planalto, o projeto de decreto legislativo que dispõe sobre a convocação de plebiscito para reforma política.
 


Renato  A presidenta Dilma Rousseff recebeu dos líderes partidários no Palácio do Planalto, o projeto de decreto legislativo que dispõe sobre a convocação de plebiscito para reforma política.
Segundo a proposta, o plebiscito trataria de três pontos: o financiamento das campanhas eleitorais, a participação popular na elaboração de projetos e a unificação do calendário para que as eleições para presidente, governadores, prefeitos, deputados, senadores e vereadores sejam realizadas no mesmo ano.
 

Sobre o financiamento de campanha, foram propostas as seguintes perguntas: a) Você concorda com que empresas façam doações para campanhas eleitorais? b) Você concorda com que as pessoas físicas façam doações para campanhas eleitorais? E c) Você concorda com que o financiamento das campanhas eleitorais deve ser exclusivamente público?

Governo e comando de greve reúnem-se na próxima semana

Governo e comando de greve reúnem-se na próxima semana
O Governo do Estado agendou reunião de negociação com o comando de greve do magistério, conforme acordado em audiência na manhã desta quarta-feira (28). O encontro será às 14h de quarta-feira, 4 de setembro, na sede do Instituto de Previdência do Estado (Ipe).

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) divulgou, no final da tarde desta quarta-feira (28), novo levantamento sobre a paralisação do magistério. Do universo de 2.574 escolas, apenas 10 estão totalmente paralisadas, o que representa 0,38% do total. Em relação aos 79.370 professores, o que representa 4,28%.

A Seduc orienta que os pais levem seus filhos para as aulas que devem transcorrer de forma normal. As direções devem fazer o fiel registro da realidade escolar quanto à efetividade de cada professor e funcionário.

Orientações
1. Atividades da paralisação não podem ser consideradas letivas, mesmo que, eventualmente, envolvam alunos.
2. Todas as aulas que, por ventura, forem interrompidas deverão ser recuperadas na sua totalidade.
3. A hipótese de redução das horas trabalhadas na jornada escolar não dá conta das 800 horas letivas, por isso, devem ser recuperadas integralmente, minuto a minuto.
É importante ressaltar que essas orientações devem respeitar o regime de trabalho e a carga horária dos professores e funcionários.

Texto: Assessoria Seduc
Edição: Redação Secom

PT/RS aprova resolução sobre o Orçamento Impositivo e Reforma Política

Exec Dep Fed (2)
A direção Executiva do PT Estadual em reunião ordinária nesta segunda-feira (26/8) com representantes da bancada federal do partido aprovou resolução que trata da PEC do Orçamento Impositivo das emendas parlamentares e da Reforma Política. O documento será encaminhado a Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores. O PT  gaúcho propõe abrir o debate interno para firmar posição pelo fim das emendas parlamentares e pela reafirmação da íntegra das propostas do partido para a Reforma Política, tais como financiamento público exclusivo de campanha; voto em lista fechada pré-ordenada com paridade de gênero, fidelidade partidária e o fim das coligações proporcionais.

Leia Resolução na íntegra
Resolução 018-13

Reforma Política e Orçamento Geral da União

Em reunião ordinária realizada nesta segunda-feira, 26 de Agosto, com representantes da Bancada Federal Gaúcha, a Comissão Executiva do Diretório Estadual do PT/RS aprovou, por unanimidade, a seguinte resolução:
1 – Propor à CEN reunião conjunta com a bancada federal para fechamento de questão nas votações sobre a PEC do caráter impositivo das emendas parlamentares e sobre a Reforma Política;

2 – Apresentar opinião de que o PT deve abrir o debate interno para firmar opinião pelo fim das emendas parlamentares passando a atuar no governo e no parlamento neste sentido. Temos ciência que hoje não há correlação de forças para tamanho avanço. Neste sentido, no mínimo, a bancada deve posicionar-se, de forma unânime, contra o caráter impositivo das emendas parlamentares, no Senado e no segundo turno de votação na Câmara;

3 – Reafirmar a íntegra da proposta de Reforma Política que o PT defende, com financiamento público exclusivo das campanhas, voto em lista fechada pré-ordenada com paridade de gênero, fidelidade partidária e o fim das coligações proporcionais. Esse é o horizonte que devemos perseguir;

4 – Reconhecer os méritos da proposta construída pela sociedade civil através da OAB, CNBB e movimentos sociais, a qual devemos manifestar nosso total apoio, por tratar-se da proposta mais viável de ser apreciada pelo Congresso em tempo de valer para as eleições de 2014. Por esta razão, devemos orientar a nossa militância a apoiar e aderir a esta iniciativa.

5 – Defender que a bancada do PT na Câmara Federal deve ser contrária a qualquer proposta de mini-reforma que não contemple, no mínimo, o fim do financiamento empresarial às campanhas eleitorais.

Porto Alegre, 26 de Agosto de 2013
Raul Pont/ Presidente
Eliane Silveira/Secretária Geral

Corsan explica transtorno das obras de saneamento à Câmara de Vereadores de Esteio

Corsan explica transtorno das obras de saneamento à Câmara de Vereadores de Esteio
Relatório da estatal aponta, pelo menos, 300 buracos na cidade.
 
A demora do fechamento dos buracos provenientes de obras de saneamento básico da Corsan tem causado transtornos e incômodo à comunidade de Esteio. Os inúmeros pedidos de providências que chegam à Câmara levaram a Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação a realizar uma Audiência Pública com técnicos e gerentes da Companhia Rio Grandense de Saneamento (Corsan), a fim de esclarecer sobre o andamento das obras de canalização para o esgoto cloacal e a demora nos reparos de buracos abertos pela companhia na cidade. Na reunião, realizada na tarde de ontem (20), no Plenário da Câmara, os vereadores fizeram questionamentos e apresentaram relatos de moradores, como o vereador Marcelo Kohlrausch (PDT), que presidiu o encontro e disse ter recebido reclamações sobre a situação da Avenida Rio Branco, no bairro Novo Esteio, onde, segundo ele, os moradores sofrem com transtornos desde janeiro de 2013. “São inúmeras as reclamações das obras, entre as quais poeira, buracos e ruas fechadas, que atrapalham o trânsito, o comércio local e paz dos moradores”, disse.
Kohlrausch destacou a necessidade e a grandeza das obras para o avanço do município, mas pontuou que o Legislativo tem o dever de dar satisfação à população e auxiliar na celeridade da conclusão das obras. De acordo com o chefe interino da Companhia, Everaldo Edson Maia, a empreiteira responsável pelas obras foi trocada e a situação será normalizada em breve. “Daremos início na próxima semana a operação de fechamento dos buracos na cidade”, disse. Segundo relatório apresentado, pelo menos 300 buracos aguardam reparos no município.
O fiscal do escritório de obras do Rio dos Sinos da empresa, André Borges, garantiu a pavimentação da primeira camada de asfalto na Avenida Rio Branco, antes do início da Expointer. “A primeira camada será colocada até esta sexta-feira”, afirmou. O Secretário Municipal de Obras, José Luiz da Silva disse que fiscalização do poder público existe e que não serão abertas novas valas enquanto não forem fechadas todas as existentes. Já a vereadora Michele Pereira (PT) disse que falta sinalização nas vias com obras e sugeriu que haja por parte da Secretaria de Trânsito uma organização para dar alternativas aos motoristas usarem outras vias. Também o presidente da Câmara, Jaime da Rosa (PSB) parabenizou a Comissão pela iniciativa e se disse impressionado com o número de buracos na cidade “É muito buraco para uma cidade com 32 km quadrados”, disse. Jaime também cobrou a fiscalização do Executivo.
 Na oportunidade, os técnicos garantiram a normalização das mais de 300 intervenções existentes na cidade e repassarão cronograma atualizado para a Câmara de Vereadores. Nos próximos dias, a Comissão irá agendar uma visita à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Os vereadores reiteraram que continuarão cobrando ações positivas nas obras que seguem sendo realizadas em Esteio. Participaram da Audiência os vereadores Rafael Figliero (PTB), Leonardo Pascoal (PP), Harri Zanoni (PSB), Leonardo Dahmer (PT), Jane Battistello (PDT), Felipe Costella (PMDB) e Beatriz Lopes (PT).

Alunos interessados em participar da 22ª Femuci podem realizar a inscrição a partir desta quinta-feira

Alunos interessados em participar da 22ª Femuci podem realizar a inscrição a partir desta quinta-feira ImprimirE-mail
As inscrições de trabalhos para exposição na 22ª Feira Municipal de Ciências e Idéias (Femuci) de Esteio serão abertas nesta quinta-feira (29). Poderão participar alunos de escolas municipais, estaduais e particulares do Município. 
 
A ficha de inscrição (que já está com as escolas) deve ser entregue até 12 de setembro na Secretaria Municipal de Educação e Esporte (Rua Alegrete, 455), das 8h às 12h e das 13h às 18h. A Femuci será realizada entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro no Salão de Festas da Paróquia Imaculado Coração de Maria (Rua Coração de Maria, 120).
 
Sobre a Femuci 2013
 
Para participar da atividade, os alunos devem estar matriculados nas escolas da rede municipal de Esteio, conveniadas ou nas escolas particulares com as quais a Prefeitura tem contrato para a aquisição de vagas. A Femuci terá 84 vagas para apresentação de trabalhos, e todos os alunos participantes ganharão certificados. Os três melhores projetos receberão premiações como troféus e medalhas.
 
O objetivo da Femuci é estimular o interesse pela investigação desde a educação infantil até o ensino médio e ofertar aos alunos a oportunidade de integração com estudantes de outras instituições.
 
 
Femuci 2013
Inscrições
De quinta-feira (29) a 12 de setembro
Local: Secretaria Municipal de Educação e Esporte (Rua Alegrete, 455)
Horário: das 8h às 12h e das 13h às 18h
 
Exposição de trabalhos
Data: De 30 de setembro a 2 de outubro
Local: Salão de Festas da Paróquia Imaculado Coração de Maria (Rua Coração de Maria, 120)
 
Programação
30 de setembro
Montagem
Horário: Das 13h30min às 16h30min
1º de outubro
Horário: Das 9h às 12h, das 13h30min às 17h e das 18h às 20h
Abertura oficial: 11h
2 de outubro
Horário: Das 9h às 12 e das 13h30min às 17h
Cerimônia de premiação: 16h

Inscrições para participar do curso de disseminadores de Educação Fiscal terminam na próxima segunda-feira

Inscrições para participar do curso de disseminadores de Educação Fiscal terminam na próxima segunda-feira ImprimirE-mail
Na próxima segunda-feira (2), encerra-se o prazo de inscrições para o curso “Disseminadores de Educação Fiscal” do segundo semestre de 2013. A capacitação, gratuita, tem carga horária de 120 horas e prepara pessoas para trabalhar, em sala de aula e na comunidade, com assuntos como administração pública, tributos e o papel do cidadão no controle das atividades dos governantes, entre outros.
 
Para participar, é preciso acessar o site www.educacaofiscal.rs.gov.br e inscrever-se, optando pela tutora de Esteio, Cláudia Corrêa da Costa. As aulas serão realizadas na modalidade à distância com, pelo menos, uma aula presencial. É necessário ter acesso à Internet e disponibilizar, no mínimo, 10 horas semanais para estudo. A data de início do curso será informada após o encerramento das inscrições.
 
O projeto de Educação Fiscal é promovido pela Escola Superior de Administração Fazendária (Esaf) do Ministério da Fazenda, em parceria com a Secretaria Estadual da Fazenda. O blog educacaofiscalesteio.blogspot.com.br tem outras informações sobre as atividades do projeto em Esteio.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Rede de solidariedade auxilia vítimas de enxurradas em Esteio

Rede de solidariedade auxilia vítimas de enxurradas em Esteio ImprimirE-mail
A população, associações comunitárias, empresas, entidades assistenciais, sindicais e religiosas de Esteio e de toda a região formaram uma grande rede de solidariedade em apoio às vítimas das enxurradas do final de semana no Município. Desde domingo e durante esta segunda-feira (26), a toda hora chegam doações à central organizada no prédio da Prefeitura Municipal para receber os donativos, como agasalhos, cobertores, colchões e mantimentos.
 
Entre alguns exemplos, da Fundação de Assistência à Criança e ao Adolescente de São Leopoldo (Casa Aberta), chegaram cerca de 5 mil peças de roupas. Da Prefeitura de Canoas, vieram 2,5 mil peças, entre roupas, calçados e cobertores. A Trensurb entregou 300 kg de alimentos, 16 kits de limpeza, 500 kg de roupas e 25 cobertores arrecadados em ação do Espaço do Trabalhador. Uma empresa de plásticos e produtos para limpeza doméstica doou kits com vassouras, baldes, entre outros. De uma igreja, chegaram roupas, calçados, cobertores e colchão. Uma construtora trouxe 11 colchões, oito cobertores, um jogo de edredom, três toalhas, quatro lençóis e uma caixa de leite. O Exército realizou a montagem de uma barraca na Rua 1º de Março (Jardim das Figueiras) para servir de ponto de apoio aos moradores daquela região.
 
As doações são registradas e, em seguida, são distribuídas nos locais que concentram os desabrigados, as igrejas São Sebastião e Santa Rita e o Centro Municipal de Educação Básica (CMEB) Eva Karnal Johann, e para pessoas que necessitam de apoio.
 
Materiais de higiene são a maior necessidade neste momento
 
Ainda assim, os desabrigados ainda precisam, principalmente, de materiais de higiene. As doações podem ser entregues no prédio da Prefeitura (Rua Eng. Hener de Souza Nunes, 150 – acesso pelo estacionamento na Rua Maurício Cardoso), na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação (na sala que era ocupada, até o início de agosto, pela Secretaria Municipal de Cidadania e Desenvolvimento Social). Mais informações pelos telefones (51) 3433-8157, 3433-8141 e 3433-8143.
 
Prefeitura decreta situação de emergência em Esteio
 
O prefeito de Esteio, Gilmar Rinaldi, assinou na manhã desta segunda-feira (26) o decreto declarando situação de emergência nas áreas afetadas pelas enxurradas do final de semana e a cheia dos arroios Esteio e Sapucaia. Com o documento, a Prefeitura pode agilizar o atendimento às vítimas das chuvas, principalmente para compra de materiais e mantimentos e a realização de dragagem emergencial dos arroios.
 
Conforme a Defesa Civil Municipal, de sexta-feira até esta segunda foram registrados 202mm de chuvas acumuladas, muito acima da média registrada na região neste período, de 140mm. As regiões mais atingidas, localizadas na parte sul da cidade, foram Três Marias, Primavera (Jardim das Figueiras, Travessa Jorge Souza de Moraes, Barreiras), Planalto (Vila Boqueirão, Vila Campina e Travessa Bom Fim), Olímpica, Esperança, São José, Liberdade (Vila Navegantes e Vila Nova), Morada I e Morada II, Condomínio Vitória Régia, São Sebastião (Vila Ezequiel, Bom Jesus, Rua Cel. Theodomiro Porto da Fonseca, Vila Rica e adjacentes) e Centro.
 
Desde o início da manhã do domingo a Defesa Civil e a Prefeitura estão nos locais atingidos prestando atendimento aos moradores atingidos pelas chuvas. Os desabrigados estão concentrados em três locais, as igrejas São Sebastião e Santa Rita e o Centro Municipal de Educação Básica (CMEB) Eva Karnal Johann, que contam com servidores durante todo o dia dando apoio e fornecendo alimentação.
 
Ações em andamento em Esteio buscam melhorar a situação das famílias em áreas de risco
 
Algumas medidas estão em andamento para minorizar os problemas com as enchentes. O Projeto de Renaturalização do Arroio Sapucaia (Avenida Beira-Arroio) é um deles. A avenida, com 1,8 km de extensão, atuará como dique de contenção contra cheias. As famílias que moram às margens do arroio vão se mudar para 142 novas moradias. Além disso, também há recuperação da mata ciliar e obras de drenagem e saneamento. A ação tem recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (R$ 18,5 milhões) e próprios (R$ 1 milhão).
 
No dia 10 de agosto, a Prefeitura assinou a ordem de serviço para o desassoreamento do Arroio Sapucaia. A ação será feita em um trecho de 7,25 quilômetros entre a Rua São Borja e o Rio dos Sinos. Será a primeira vez que o córrego será desassoreado até a foz. A primeira parte do serviço foi iniciada com a utilização de retroescavadeiras. Depois, será feito o mesmo trabalho no Arroio Esteio, entre a Rua David Canabarro e a Avenida Presidente Vargas.
 
Mais R$ 22 milhões serão investidos em projetos inscritos no PAC 2. Estes recursos serão usados em ações de regularização fundiária, moradia, urbanização, melhoria de espaços públicos, canalização, drenagem e pavimentação nas regiões ao longo do Arroio Sapucaia.
 
 

Artigo: O renascimento da TVE e da rádio FM Cultura**

Artigo: O renascimento da TVE e da rádio FM Cultura**

Do início de 2011 até hoje, foram investidos R$ 6,6 milhões nas emissoras públicas do Estado, informa a Fundação Cultural Piratini.
No início de dezembro de 2009, o Fórum TVE FM Cultura, criado pelos funcionários da Fundação Cultural Piratini, lançou um manifesto denunciando que a TVE e a FM Cultura estavam correndo um sério risco de extinção. A então governadora Yeda Crusius (PSDB) havia decidido permitir que fosse a leilão o prédio que abriga a televisão pública do Rio Grande do Sul (*). No dia 20 de dezembro daquele ano completou-se 50 anos da primeira transmissão televisiva do RS, feita pela TV Piratini, então canal 5, justamente no prédio que hoje abriga a TVE.
Os sindicatos dos Jornalistas e Radialistas e os funcionários alertaram na época que o leilão resultaria na extinção da TVE/FM Cultura, lembrando que o processo de sucateamento das emissoras tinha se intensificado no governo tucano, “com a falta de investimentos em infraestrutura e na produção própria, o desrespeito ao Conselho Deliberativo que representa a sociedade e o total desinteresse pela rede pública de comunicação no Brasil”.
Felizmente, o governo de Yeda Crusius não conseguiu levar adiante seus planos e a TVE e a FM Cultura acabaram sobrevivendo, reduzidas a escombros praticamente, mas sobreviveram. Um exemplo citado pela própria fundação: dos 40 retransmissores instalados no interior do Estado, em janeiro de 2011 apenas 3 estavam funcionando, possibilitando o acesso à TVE apenas em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Mais de três anos depois, ainda há muitos problemas a resolver, mas as emissoras públicas do Estado do Rio Grande do Sul exibem uma saúde muito melhor e dão sinais de crescimento.
Pedro Osório: vamos retomar o sinal no interior do Estado.
Nesta quinta-feira (22), será lançado o projeto TVE e FM Cultura em Sintonia com o Rio Grande, com o objetivo de fortalecer as emissoras junto ao interior do estado, com a visita a 40 municípios onde há retransmissoras da TVE. A rádio FM Cultura ganhará um novo transmissor que possibilitará que 60 cidades gaúchas sintonizem a rádio pública. Em uma nota divulgada nesta quarta-feira pela assessoria de imprensa da Fundação Cultural Piratini, o presidente da entidade, Pedro Osório, comemora as boas notícias e o novo período que se abre para a comunicação pública no Rio Grande do Sul:
“Foi uma decisão da administração atual focar esforços para retomar o sinal em todo o estado. Para isso, foram adquiridos 16 novos retransmissores e foram consertados os que não se encontravam em condições de uso. É uma definição importante, a de retomar o sinal no interior, pois de nada adiantaria a instalação de um transmissor, mesmo que analógico, sem que a TVE estivesse operando para levar a boa parte dos gaúchos a programação por ela veiculada”.
Pedro Osório também destaca os investimentos para a ampliação da banda larga, novos estúdios, novos cenários, novas mesas de áudio e de edição e, principalmente, para a transição ao sistema digital. O jornalista cita ainda a aquisição de equipamentos para a retomada da programação e contratação emergencial de 59 funcionários qualificando-a como “decisiva para que a rádio e a TV prestassem o serviço de comunicação pública a que estão destinadas”.
De emissora moribunda no final do governo passado, a TVE é, hoje, a segunda maior rede de televisão no Rio Grande do Sul. Pedro Osório assinala que essa recuperação não caiu do céu, sendo resultado de um conjunto de ações e políticas públicas implementadas nos últimos anos. E, falando sobre o futuro, anuncia que está prevista ainda para esse ano a realização de um concurso público e o início da digitalização das emissoras, com a instalação do transmissor digital, já adquirido.
Os investimentos na Fundação Piratini
Segundo os números divulgados pela Fundação Cultural Piratini, do início de 2011 até hoje, foram investidos R$ 6,6 milhões nas emissoras públicas do Estado. “O valor foi utilizado para a compra de equipamentos, melhoria de cenários e estúdios para a TV e a rádio, melhoria do local de trabalho dos servidores com a aquisição de móveis ergonomicamente adequados, compra de computadores, compra e instalação de aparelhos de ar condicionado, que não funcionavam na instituição há mais de cinco anos, etc. Até o final de 2013, a previsão é de que sejam investidos R$ 6.2 milhões, só neste ano, para fortalecer a comunicação pública no RS, totalizando R$ 9.2 milhões desde o início da gestão até o final deste ano”, informa a fundação. Esses valores de investimentos, ressalta a entidade, não inclui gastos com pessoal e custeio.
Para comparar o que foi feito em passado recente, no período entre 2003 a 2010, foram investidos na Fundação apenas R$ 515 mil. O ano de 2008 registrou o menor investimento de todo esse período: R$ 4.7 mil (se é que isso pode ser chamado de investimento).
Ainda há muitos problemas a serem enfrentados, sem dúvida, mas essa nova realidade deve ser comemorada. O fortalecimento de um sistema de comunicação pública, que não se limita às emissoras do Estado, é uma condição necessária para a melhoria da própria democracia. Deixar a comunicação exclusivamente na mão de grandes grupos econômicos é o caminho mais curto para sufocar a diversidade de pensamento e a liberdade de expressão.
Próximo passo: o Conselho Estadual de Comunicação
O Rio Grande do Sul tem um importante próximo passo a dar nesta área que é a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social. Já há uma proposta pronta, que foi submetida a vários debates com representantes do setor, e que só não foi ainda para a Assembleia Legislativa porque o governo não tem maioria garantida, em sua base de apoio, para a aprovação do projeto. Há uma resistência, silenciosa, forte e operante, da parte das grandes empresas de comunicação contra o projeto. Falam em ameaça à liberdade de expressão e de censura, quando o que sentem ameaçado, na verdade, é o controle do mercado de comunicação no Estado.
A comunicação não é um território proibido para o debate público e tampouco é patrimônio exclusivo e intocável de meia dúzia de famílias. É um bem público e um serviço público e como tal deve ser tratada. Por isso, apesar de tudo e todos, o fortalecimento da TVE e da FM Cultura é uma ótima notícia.
(*) O governo Yeda não aceitou, na época, negociar com o INSS (proprietário do imóvel) a permuta por um de seus prédios ociosos. Apesar de ter a preferência na compra, o governo gaúcho não quis adquirir o imóvel, permitindo que o mesmo fosse à leilão.
(**) Artigo do jornalista Marco Aurélio Weissheimer – site Sul21

Quem são e o que pensam os médicos cubanos

26 de Agosto de 2013 - 18h25

Quem são e o que pensam os médicos cubanos


Os primeiros profissionais da saúde cubanos a pisar em solo brasileiro para trabalhar no programa Mais Médicos têm entre 41 e 50 anos, pós-graduação concluída, e experiência em zonas de conflito ou de países com baixo IDH na América Latina, África e Ásia.

Por Luiz Carlos Pinto, na Carta Maior


Médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil, através de acordo entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), dentro do programa Mais Médicos, chegam a Brasília/ Foto: Valter Campanato/ABr

Millar Castillo, Milagros Gardenas, Natasha Sanches, Wilma Salmora Louis, Rodovaldo Santos e até um Nelson Rodrigues. Os primeiros profissionais da saúde cubanos a pisar em solo brasileiro para trabalhar no programa Mais Médicos, do governo federal, possuem um perfil muito definido. Os médicos que atenderão amplas parcelas da população pobre brasileira têm entre 41 e 50 anos, possuem filhos adultos empregados ou fazendo algum curso superior em uma das instituições de ensino cubanas, mais de 16 anos de carreira médica, mestrado ou pós-graduação concluídos – inclusive na área de administração hospitalar –, experiência em zonas de conflito ou de países com baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) na América Latina, África e Ásia. São características de um perfil que também contraria certa expectativa por médicos jovens, filhos ou netos de outros profissionais da saúde – uma tradição presente na cultura brasileira, por exemplo. Nenhum dos doutores com os quais Carta Maior conversou é filho ou neto de médicos.
Esse é o perfil dos médicos cubanos que atenderão à maior parte dos 701 municípios que não despertaram interesse de médicos brasileiros ou de outras nacionalidades. O que também chama a atenção é a variedade das localidades de onde os cubanos são originários – nenhum dos seis entrevistados (de um total de 96 que ficam acomodados nas próximas duas semanas em Recife) é da mesma cidade ou província. Assim, se pode intuir como a formação médica na ilha atinge de forma mais homogênea moradores do país, o que é fator de distribuição do atendimento, mesmo nas regiões distantes da capital Havana.

Um ideal que o modelo brasileiro, por circunstâncias naturais (grandes distâncias), mas principalmente por determinações históricas, ainda está longe de ser alcançado. Os locais onde atuarão os médicos de Cuba têm os piores índices de desenvolvimento humano do país – IDH muito baixo e baixo, segundo PNUD –, e 84% estão no interior do norte e nordeste, em regiões com 20% ou mais de sua população vivendo em situação de extrema pobreza.

Bandeira na mão

Durante todo o tempo em que permaneceu no aeroporto de Recife para a entrevista coletiva com a imprensa, no último sábado (23), a médica da família Milagres Cardena (24 anos de profissão) não soltou a bandeira de um metro e meio por 50 cm de seu país, que trazia estendida à frente do corpo por onde passasse. Na mão esquerda, segurava uma bandeirola do Brasil, e tinha na ponta da língua uma afirmação que parece condensar o sentimento comum dos colegas de vôo. “Viemos para ajudar, colaborar, complementar, aprender com os médicos brasileiros no atendimento básico da população carente desse grande país”.

Quando perguntada se se sentia explorada, como sugerem setores liberais da imprensa brasileira, por não receber diretamente o salário pago pelo governo brasileiro, a resposta gentil e segura foi dada por outro colega da senhora Cardena, a seu lado. “Não estamos aqui para ganhar dinheiro. Nossa missão é humanitária, estamos aqui por solidariedade”, afirmava Nelson Rodrigues.

A colocação, endossada pelos companheiros, era reforçada pelo entendimento de que essa ação faz parte de uma relação entre nações. O nacionalismo, aliás, é um elemento presente na fala de todos os médicos entrevistados.

A afirmação deu o tom das primeiras reportagens baseadas na entrevista coletiva publicadas nos jornais do domingo (25). Mas o mesmo questionamento sobre a forma de pagamento e a possibilidade de serem explorados voltaria à pauta na entrevista, quando mais uma grupo com 66 médicos cubanos desembarcou no Recife

A frase do médico, 45 anos, 21 anos de profissão, expressa o que parece ser um elemento comum e poderoso do perfil do profissional da saúde formado na escola cubana. “A base de nossa formação é humanista. É esse o caráter de nossa formação. A atenção ao indivíduo como forma de tratá-lo como ser humano integral é um elemento forte em qualquer processo de cura”. Tendo passado por programas semelhantes no Haiti e Venezuela, o médico reiterava a experiência de todos os médicos de Cuba que chegam ao Brasil: a atuação em países com baixos níveis de IDH e comumente em más condições de trabalho.

“Mas sabemos que o seu país é grande, com grandes recursos humanos e econômicos”, lembrava Natasha Romero Sanches, epidemiologista nascida em Pillar del Rio, a província mais a oeste de Havana. A frase solta, quase displicentemente, pareceu ter um alvo bem claro: a ideia plasmada de que as condições de trabalho dos profissionais da saúde no Brasil é ruim, natural e indefinidamente – o que acomoda as possibilidades e espaços de reivindicação por melhores condições de atendimento nas unidades de saúde.

Filha de um oficial russo e de uma cubana, Natasha, 22 anos de profissão, também segurava sua bandeirola brasileira. Usava brincos verdes compridos, que o jaleco alvíssimo evidenciava – todos os médicos cubanos, aliás, diferentemente de espanhóis, argentinos e portugueses, viajam a caráter. E a saudade de casa, como fica? “Meu filho é um adulto, está terminando o curso de medicina em Havana, onde moram meus pais – eu moro em minha província. Todos são saudáveis e estão bem, não há ruptura ou trauma no afastamento. Isso não é novo, pois todos já estivemos trabalhando em outros países”, afirmava entre um sorriso e outro.

“Meus filhos já estão todos criados, emendava Milagres Gardenas, que com experiência médica no Paquistão, Honduras e Colômbia é uma das mais experientes do primeiro grupo a chegar ao Brasil. “Essa iniciativa do governo brasileiro é muito positiva. Penso que todos vão sair ganhando. Vamos aprender com nossos colegas brasileiros. O mesmo temos feito em países com situações muito problemáticas, na Ásia e na América Latina. Penso que isso será benéfico para o povo pobre que requer atenção médica e atenção primária adequadas. Vamos tratá-los e fazer todo o possível. O mesmo fizemos em outros lugares”.

Dificuldades econômicas

Quando perguntados se as dificuldades econômicas do Estado cubano prejudicam a formação dos médicos no país caribenho, a resposta – “Cuba hoje forma médicos de todo o mundo” – é acompanhada de um complemento. “Nosso país tem uma situação difícil, mas nós compartilhamos o que temos. Penso que isso, como o povo brasileiro, vai ser sumamente positivo, vitorioso”, complementava Nelson Rodrigues.

O ponto de vista foi reforçado por Wilma Salmora Louis, que no domingo explicava como via os reflexos das medidas liberalizantes que vem sendo implementadas por Raúl Castro. “Não acredito que essas medidas vão intensificar a diferença social entre as classes em meu país. São medidas muito aguardadas no mundo todo, e que precisam ser tomadas para mudar o que está mal em Cuba”, disse. “São medidas para melhorar os indicadores da população cubana”, complementou. Com mestrado em gestão hospitalar – 20% dos médicos cubanos do Programa Mais Médicos têm algum tipo de pós-graduação), Wilma Salmora já é uma conhecida do Brasil. Esteve trabalhando no Estado do Tocantins entre 2001 e 2002. Com 45 anos, 23 deles dedicados à medicina, tem dois filhos. “Um deles é professor e vai começar a ensinar no próximo mês; o outro é técnico em computação”, afirma.

Um outro ponto em comum de todos os médicos entrevistados é a admiração ao povo brasileiro e a expectativa em serem bem tratados. “Falem para o povo brasileiro que nós viemos ajudar. E que confiem nos médicos cubanos”, dizia Wilma Salmora. “As críticas que as entidades médicas locais têm feito não nos preocupam. Acho que teremos uma relação positiva com o Brasil e continuaremos a ter, pois viemos para trabalhar juntos”, disse.


Governo socialista da Nicarágua avança na luta contra a pobreza


26 de Agosto de 2013 - 16h08

Governo socialista da Nicarágua avança na luta contra a pobreza


O modelo Cristão, Socialista e Solidário da Nicarágua, implementado pelo presidente Daniel Ortega, é reconhecido pela população do país como um fator transformador que supera os círculos viciosos da pobreza e do subdesenvolvimento, herdados do governo neoliberal.


Estrategia&Negocios
Socialismo nicaraguense avança na luta contra a pobreza Desenho no muro, representa o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, líder da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN)
Uma pesquisa feita pela empresa M&R Consultores, em julho, revelou que os nicaraguenses avaliam positivamente o compromisso do governo com as necessidades do povo, a atitude combativa da gestão, o manejo da economia e os programas sociais.

Em entrevista ao Vermelho, Fredy Franco, dirigente da Frente Nacional dos Trabalhadores (FNT) da Nicarágua, comentou a experiência positiva e as vitórias de seu país na busca por uma sociedade igualitária. Segundo ele, “o primeiro avanço importante foi reconquistar o poder político, o que possibilitou dar sequência à Revolução Sandinista” – de 1979 a 1990, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) governou o país seguindo linhas socialistas, mas foi derrotada por políticos neoliberais, voltando ao poder somente em 2007.

“Desde então, estamos trabalhando no desenvolvimento econômico, que tem o protagonismo fundamental dos trabalhadores, produtores e camponeses”, conta o sindicalista. A ideia de Ortega de restituir os direitos convertidos em mercadorias durante os 17 anos que o país esteve sob o comando direitista, favoreceu uma mudança de estilo, políticas e ações na Nicarágua.

“Incluímos também os setores do capital empresarial que queriam acompanhar os projetos nacionais de desenvolvimento democrático e econômico”, disse ele sobre a tripla aliança entre o governo, os sindicatos e os empresários, que gerou estabilidade, sem prejuízo dos direitos de cada parte.

Franco defende a ideia de que o socialismo exige a construção de “uma nova política, uma nova economia e uma nova cultura”. Segundo ele, “não há um modelo único de socialismo”.

“Na Nicarágua, nós definimos que estamos construindo um sistema socialista cristão, que reivindica o bem comum, o amor ao próximo e o interesse coletivo” completou o dirigente que fez questão de ressaltar que, no país, “quem manda é o povo, porque há o protagonismo político dos trabalhadores”.

O modelo socialista do presidente Ortega deu à Frente Sandinista a reeleição. Em novembro de 2011, eles conseguiram maioria nas urnas e na Assembleia Nacional. “Ganhamos a última eleição com 62% dos votos, o que significou uma consolidação política e, ao mesmo tempo, do poder popular, dos trabalhadores, das mulheres, dos jovens e dos camponeses”, avalia Franco.

Para ele, as maiores vitórias do governo foram os programas sociais e a redução da pobreza. “Estamos em um processo de avanço que vai permitir, em um prazo médio histórico, ver a Nicarágua como um dos países de maior equidade e desenvolvimento da América Central”, prevê.

A população do país tem o mesmo otimismo do sindicalista. De acordo com a pesquisa Sistema de Monitoramento da Opinião Pública, da M&R, o governo de Ortega “está na direção correta” para 76% dos entrevistados, mesma porcentagem de pessoas que aprovam a gestão do comandante.

O estudo aponta também que, para 62% da população, a democracia do país “está fortalecida”. A parcela maaioritária acredita também que há mais liberdade de expressão na Nicarágua atualmente.

“Não é suficiente ter poder político, não é suficiente o desenvolvimento econômico e social, é preciso ter uma nova mentalidade”, assegura Franco. O líder sindical deixou ainda um conselho: “É importante estar unido na luta por uma sociedade nova, contra o neoliberalismo. A unidade é a chave para a vitória, somente assim podemos conseguir os ideais de justiça, igualdade e solidariedade que caracterizam os revolucionários que reivindicam o socialismo como ideal de desenvolvimento da sociedade”.

Pobreza na Nicarágua

Outra pesquisa realizada pela Fundação Internacional para o Desafio Econômico Global (Fideg), publicada pelo El 19 Digital em junho deste ano, mostra que a pobreza geral e extrema continua diminuindo no país, tal e como vinha ocorrendo nos estudos anteriores.

Segundo o jornal, entre os fatores determinantes para a redução da pobreza, estão os programas do governo, o incremento da renda e as remessas estrangeiras. Enrique Alaniz, diretor de investigações do Fideg assegurou que os projetos de educação e saúde são os que mais beneficiaram a população.

Outros programas do governo sandinista, encabeçados por Daniel Ortega, como Usura Zero, Bônus Produtivo Alimentar, Crissol, Segurança Alimentar e Nutricional, ajudaram a Nicarágua a reduzir a pobreza em 1,4 pontos percentuais entre 2011 e 2012.

Desigualdade: Negros estudam menos, mesmo nas regiões mais ricas

26 de Agosto de 2013 - 17h36
  Estudantes das periferias enfrentam mais problemas de infraestrutura e rotatividade de professores. (Foto: Acervo RBA)

Desigualdade: Negros estudam menos, mesmo nas regiões mais ricas


Mesmo nas regiões mais ricas da cidade de São Paulo, a população negra soma menos anos de estudo se comparada à branca e à amarela, aponta o estudo Educação e Desigualdades na Cidade de São Paulo, lançado nesta semana pela organização não governamental Ação Educativa.


 “A variação no número de anos de estudo conforme ocorre o afastamento da região do centro expandido do município se dá de forma mais acentuada no interior da população branca e amarela do que em relação à população negra”, destaca o estudo. “Ou seja, mesmo em locais de maior concentração de renda domiciliar, o número de anos de estudo da população negra é inferior ao número de anos de estudo da população branca.”


Segundo o levantamento, a população branca e amarela apresenta as maiores taxas de ensino superior completo, enquanto os negros e os indígenas concentram as taxas mais elevadas da população sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.


“A questão racial é um elemento que impacta no acesso, na permanência e no sucesso na educação. Ela opera para as desigualdades educacionais na cidade”, afirma uma das autoras da pesquisa, Denise Carreira. “O fenômeno do racismo está em toda a cidade e gera obstáculos para a permanência, sobretudo dos meninos negros, nas escolas. Há um dado nacional que mostra que os meninos e jovens negros são os mais expulsos das escolas e que mais reprovam.”

Ela reforça que o processo de especulação imobiliária, que expulsou a população mais pobre – composta por uma grande parcela de negros – para as periferias das cidades, fez que essas áreas concentrassem também mais problemas nos equipamentos educacionais. “Em geral, as escolas são mais frágeis, com condições mais precárias e maior rotatividade dos professores, elementos que reforçam as desigualdades.”

Peru: Aprovação de Humala cai ao pior nível em 2 anos

26 de Agosto de 2013 - 15h23

Peru: Aprovação de Humala cai ao pior nível em 2 anos


A aprovação do presidente do Peru, Ollanta Humala, caiu seis pontos percentuais, passando de 32 para 26%, enquanto sua desaprovação se deteriorou igualmente e se posicionou em 67%. Esta é sua pior avaliação desde que assumiu o poder a dois anos. A pesquisa foi realizada pela empresa GFK e divulgada nesta segunda-feira (26) pelo jornal La República.


Sobre a pesquisa, o presidente declarou estar mais preocupado com os gols do que com as palmas/ Foto: El Comercio

A rejeição ao mandatário se dá por ele não combater o crime (54%), não cumprir com as promessas feitas (51%) e não combater a alta de preços (48%).


Já a aprovação do mandatário está respaldada nos programas sociais para os pobres (36%), no apoio de sua esposa Nadine Heredia (23%) e fazer o na percepção de que Humala faz o possível para solucionar conflitos sociais.

"A população desenvolveu um alto nível de desconfiança em relação às instituições e atividades políticas, o que significa que eles não estão confiantes sobre o futuro", disse o diretor da GFK, Hernan Chaparro, ao jornal La Republica.

“Um governo não toma decisões com base em pesquisas de opinião. Não sou analista de pesquisas, me importa mais os gols que as palmas”, declarou o presidente Humala ao ser questionado sobre sua queda de popularidade.

Para os entrevistados, o presidente deve conversar com a população (39%) para buscar soluções à atual situação econômica, e com os presidentes regionais (31%), com os líderes dos partidos da oposição (22%) e com os ex-presidentes (19%).

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 20 de agosto, teve uma mostra de 1.250 pessoas e uma margem de erro de 2,8 %.

Venezuela prende suspeitos de tramar morte de Maduro

26 de Agosto de 2013 - 17h16

Venezuela prende suspeitos de tramar morte de Maduro


Nesta segunda-feira (26), o Ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Miguel Rodriguez Torres, anunciou a captura de dois cidadãos colombianos envolvidos em tentativas de assassinato contra o presidente Nicolas Maduro. O mandatário do país agradeceu, em seu twitter, a cooperação do governo colombiano na identificação dos sicários.


Imagem transmitida pela VTV do material encontrado com os sicários colombianos

Em coletiva de imprensa, Rodriguez Torres afirmou que após o trabalho realizado pelas forças do Estado venezuelano na operação “Pasta Amarela”, dois indivíduos que integravam um grupo constituído por dez pessoas foram capturados no último dia 15 de agosto. Gueche Johan Victor Mosquera de 22 anos e Erick Huertas Leonardo Rios, de 18 anos, entraram no país em 13 de agosto. De acordo com o ministro, eles faziam parte de uma conspiração internacional orquestrada pela extrema direita latino-americana que, desde julho trama para matar Maduro.

O ministro sugere ainda que a ação do grupo está relacionada a uma reunião realizada em Bogotá na qual os seguintes personagens estariam envolvidos: Álvaro Uribe [ex-presidente da Colômbia e líder da direita no continente], Roberto Micheletti [que ocupou a presidência de Honduras logo depois do golpe de Estado perpetrado contra Manuel Zelaya], um delegado do terrorista Luis Posada Carriles [responsável pela explosão de um avião cubano em 1976 no qual morreram 73 pessoas], um oficial ativo na Colômbia e um oficial da CIA.

"Nós os localizamos no dia 15 (de agosto) e conseguimos capturá-los no hotel Guaracarumbo, na Rodovia Pan-Americana, próximos ao estado de Aragua”, afirmou.

Ele explicou que a captura destes dois cidadãos só foi apresentada 11 dias depois devido "à seriedade da informação e da seriedade do processo de investigação e inteligência”. Na captura de Gueche e Huertas foram apreendidos dois fusis com mira a laser, uma foto do presidente Nicolas Maduro junto com o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. "Nas mochilas também tinham 10 uniformes militares do Exército venezuelano com todas as insígnias", acrescentou.

Maduro agradece Colômbia

Em seu twitter, Maduro criticou que “a reação imediata da direita diante das capturas de sicários confirmam a falta de escrúpulos destes grupos fascistas. Alertas!”.

O mandatário também agradeceu o governo de Juan Manuel Santos: “quero agradecer o governo da Colômbia por toda a cooperação para identificar os sicários capturados e ao resto do bando”.

Este é “um indicador do jogo perigoso no qual se movem, nós seguiremos garantindo a paz apesar das conspirações”, afirmou o mandatário encerrando o assunto na rede social.

Reino Unido busca apoio para intervenção militar na Síria

26 de Agosto de 2013 - 16h21

Reino Unido busca apoio para intervenção militar na Síria


O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, pressiona o governo estadunidense para a realização de uma operação militar contra a Síria, declarou o diário britânico The Sunday Times, nesta segunda-feira (26). Fontes do governo teriam informado que as conversações entre Cameron e o presidente dos EUA, Barack Obama, estavam em curso, e que qualquer acordo sobre uma intervenção militar poderia ser realizado na próxima semana.


Christopher Senenk/U.S. Navy/Getty
Forças navais dos EUA no Mediterrâneo Forças navais dos EUA no Mediterrâneo foram reposicionadas para as proximidades da Síria neste domingo (25)
O ministro britânico de Relações Exteriores William Hague afirmou, ainda nesta segunda, que uma intervenção estrangeira na Síria poderia ser realizada sem o respaldo unânime de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, em referência à negativa expressa da Rússia e da China a este recurso de agressão.

O chanceler britânico fez estas declarações ainda que dissesse não “especular” sobre a ação contemplada pelos países ocidentais. “É possível responder ao uso de armas químicas sem o pleno aval do Conselho de Segurança? Eu diria que sim”, afirmou Hague em uma entrevista concedida à emissora birtânica BBC.
No mesmo sentido, e em linguagem retrógrada, o diário britânico Sunday Times anuncia: “Aliados avançam para guerra aérea contra a Síria”, para informar que planejadores britânicos e estadunidenses estão analisando potenciais alvos para ataques a míssil contra o país árabe, “entre a crescente certeza de que o regime do [presidente Bashar] Al-Assad estava por trás dos ataques com armas químicas que matou centenas de civis na semana passada”.

Os investigadores da ONU (convidados desde março pelo governo sírio e com missão negociada com as autoridades) ainda não emitiram opiniões sobre os incidentes, já que as investigações no local começaram nesta mesma segunda.

Uma reunião também está prevista entre o chefe de Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos Martin Dempsey, e seu homólogo britânico, o general Nick Houghton, na Jordânia para discutir as opções para o eventual ataque militar contra a Síria. Na semana passada, Dempsey havia feito declarações de advertência contra uma intervenção, já que as condições não seriam favoráveis aos interesses dos EUA.

Uma fonte próxima ao governo britânico disse ao Sunday Times que a primeira opção para uma possível intervenção seria um “ataque muito específico”, lançado desde navios de guerra posicionados no Mediterrâneo.

O governo sírio deu acesso para a equipe da ONU à região de Ghoutta, próxima a Damasco, para investigar as denúncias feitas na semana passada contra o Exército sírio pelos grupos armados opositores sobre o uso de armas químicas, pelo qual 1.300 pessoas teriam morrido.

Entretanto, o governo britânico disse que a permissão de acesso havia sido dada “tarde demais”, já que as provas físicas teriam sido destruídas desde o alegado evento. Cabe ressaltar, porém, que autoridades sírias e enviados russos acusam os rebeldes do uso de armas químicas, com base em evidências recolhidas em várias localidades.

Buscando apoio entre "aliados"

Ainda neste domingo (25), o premiê britânico David Cameron manteve conversações com o presidente da França, François Hollande, e com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a possibilidade de uma ação direta.

Em posição diferente, mas igualmente agressiva, o primeiro-ministro ide Israel, Benjamin Netanyahu (que também é o chanceler interino) defende veementemente a intervenção militar no país vizinho, com quem já esteve em guerra.

Em encontro com o chanceler francês Laurent Fabius, neste domingo, Netanyahu disse esperar mais pressão do Ocidente contra o governo sírio: "É hora de decidir uma ação na Síria e não descartar um ataque dos EUA contra o país árabe". A mídia israelense também se prepara neste sentido, e está repleta de análises, nesta segunda (26), sobre o papel israelense ou os efeitos de uma possível intervenção, inclusive citando a maior demanda por máscaras de gás em Israel.

Enquanto o governo francês mantém declarações incisivas sobre o quão inaceitável é o uso de armas químicas e sobre uma medida firme, o ministro da Defesa alemão, Thomas de Maiziere, expressou o seu rechaço a uma intervenção militar, e afirmou que o Ocidente deve parar de buscar medidas militares para os problemas no Oriente Médio, de acordo com o diário britânico The Daily Telegraph.

“Não vejo razão para uma intervenção militar externa nesta terrível guerra civil na Síria”, afirmou Maiziere, neste domingo. Entretanto, os membros do Conselho de Segurança são os Estados Unidos, a Fança, o Reino Unido, a China e a Rússia, o que daria um voto de três contra dois para uma possível intervenção que, segundo Hague, não precisaria ser consensual, se mantido o hábito de ignorar o direito internacional.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

TVE CONVIDA: Especial – Memória e verdade Argentina

TVE CONVIDA: Especial – Memória e verdade Argentina

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25 de Agosto de 2013 - 6h55

Angelina Anjos: Juventude Brasileira e a Primavera de Agosto


No ano em que a Constituição Brasileira de 1988 completa 25 anos, a juventude renova a esperança de um país mais avançado para os brasileiros na medida em que consolida um processo de quase dez anos de luta para finalmente dispor do Estatuto da Juventude, a Lei 12.852, de cinco de agosto de 2013.

Por Angelina Anjos (*)

No ano em que a Constituição Brasileira de 1988 completa 25 anos, a juventude renova a esperança de um país mais avançado para os brasileiros na medida em que consolida um processo de quase dez anos de luta para finalmente dispor do Estatuto da Juventude, a Lei 12.852, de cinco de agosto de 2013.

A Constituição cidadã, conquista democrática depois de 21 anos de ditadura militar, é a primeira a estabelecer um Estado democrático de direito, onde todo o poder emana do povo, diretamente ou por meio dos seus representantes. É a primeira, também, a trazer logo no início a explicitação dos fundamentos do Estado e dos direitos e garantias fundamentais, individuais e coletivos.

A Lei 12.852 define os princípios e diretrizes para o fortalecimento e a organização das políticas de juventude, em âmbito federal, estadual e municipal. É norteadora de políticas que se tornam prerrogativas de Estado e não só de governos. A partir de agora será obrigatória a criação de espaços para ouvir a juventude, estimulando sua participação nos processos decisórios, com a criação dos conselhos estaduais e municipais de Juventude.

Ao ter sancionado o Estatuto da Juventude foi dado mais um passo para consolidação da história da juventude brasileira, baseada em direitos, conquistados através do esforço, da participação, da disputa democrática, forjados por visões distintas, mas que conseguiram convergir e criar a possibilidade de 51 milhões de brasileiros possuírem sua carta de direitos.

Segundo a presidenta Dilma Rousseff, as escolhas políticas dos últimos 10 anos levaram à retomada do desenvolvimento e a considerar absurda e inadmissível a desigualdade que recortava nosso país. Por isso milhões de brasileiros puderam acessar direitos - como carteira assinada, acesso à Universidade, combate à miséria através do Programa Bolsa Família, distribuição de emprego e renda, Programa Minha Casa, Minha Vida, melhora significativa do salário mínimo com poder de compra, criação de mais Universidades Federais, do ensino técnico, PROUNI, FIES, e Lei de Cotas, que é uma lei de democratização e combate ao racismo no Brasil.

Entretanto, uma questão crucial põe em cheque todo um objetivo de Estado democrático de direito - a violência contra a juventude negra, com baixa escolaridade e pobre, que representa o aspecto mais perverso de todos os outros e mostra um lado da nossa sociedade com que nós não podemos conviver pacificamente: é imperativo que se construam, dentro do Estatuto da Juventude, as trincheiras para lutar contra a violência indiscriminada contra os jovens negros.

Ao afirmar que a juventude brasileira tem como pano de fundo essa violência, isto nos remete ao conceito de democracia explicitado na obra do escritor e ativista político José Saramago. Em seu livro Ensaio sobre a Lucidez, de 1995, que rendeu o único Prêmio Nobel de Literatura a um autor de língua portuguesa em 1998, ele buscava mostrar que o simples direito de voto, ou a mudança periódica de governantes, por si só, não representam a democracia.

Segundo Saramago, o discurso democrático pregado pelos estados ocidentais servia apenas de fachada para esconder o real poder que prevalece nestas sociedades: o poder econômico.
Saramago não pretendia com essa declaração fazer apologia do voto em branco, nem uma campanha contra a democracia e sim afirmar a necessidade de uma sociedade que pudesse se insurgir contra uma situação de mudança aparente que é, no fundo, a continuidade de um sistema capitalista consumista, excludente e desigual.

O romance mostra-se, inicialmente, como uma utopia na qual, mais do que renunciar a uma democracia de fachada, os cidadãos se mostram maduros o suficiente para exercerem uma democracia direta, para viverem em comunidade sem precisar do mando ou comando de alguns poucos, ou da força e do medo impostos pela polícia.

O fato é que a violência, o aumento da criminalidade, a banalização da vida e a diminuição da maioridade penal em particular, têm merecido destaque e são tema de inúmeros estudos e debates entre a sociedade. Humilhação e aniquilação parecem ser a via privilegiada para a reparação da ofensa, para a defesa da segurança pública.

O Mapa da Violência 2013 revela que homicídios entre a população jovem cresceram de forma mais acelerada: na população como um todo foi de 502,8%, mas entre os jovens o aumento foi de 591,5%. Similar ao que ocorre com as vítimas de homicídio, a vitimização do sexo masculino é extremamente elevada nas mortes por arma de fogo: 93,9%. Outra característica se refere à raça/cor das vítimas. As taxas de homicídio da população negra - 19,7 óbitos para cada 100 mil pretos — são 88,4% maiores que as taxas dos homicídios de pessoas brancas — 10,5 óbitos para cada 100 mil brancos. Isto é, morrem por estas causas, proporcionalmente, 88,4% mais negros que brancos. Já as taxas de óbitos por arma de fogo dos pardos são 156,3% maiores que a dos brancos.

Em 2010, 26.854 jovens entre 15 e 29 anos foram vítimas de homicídio. Do total, 74,6% dos jovens assassinados eram negros, 91,3% das vítimas de homicídio eram do sexo masculino.
Em pleno Estado democrático de direito, os jovens representam o grupo mais vulnerável às violações de direitos humanos, e são as maiores vítimas da violência letal.

Por que foi que cegamos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Queres que te diga o que penso? Diz. Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não vêem. (Saramago, 1995, p. 310).

A reflexão acima nos obriga a querer entender como as políticas públicas de segurança, foram planejadas para evitar violações de direitos repetidas, contra a juventude no Brasil.
Deve servir de estímulo ao povo brasileiro para cobrar a construção de um novo modelo de segurança, que esteja vocacionado a proteger. Conclama a participação efetiva da sociedade em condição de protagonista, no sentido de estabelecer uma nova percepção, capaz de alterar em qualidade a segurança pública no país.

Que o caos instalado contra a juventude obrigue a um recomeço. Um recomeço igualitário, onde valores como solidariedade e consciência coletiva superem o egoísmo e o individualismo, e a necessidade de sobrevivência supere a idéia de posse, para que seja possível uma sociedade justa e igualitária.

Neste contexto as políticas públicas precisam chegar e fazer parte das questões relacionadas à juventude, de forma mais consistente, por motivos emergenciais, já que os jovens são os mais atingidos pelas transformações no mundo do trabalho e pelas distintas formas de violência física e simbólica que caracterizam o século 21.

Política pública que considere a juventude como um segmento social portador de direito e protagonista do desenvolvimento nacional. Essa é uma decisão posta à sociedade civil, às entidades representativas como, por exemplo, a histórica União Nacional dos Estudantes, em fazer prevalecer as decisões e aspirações juvenis.

Objetivando a promoção e integração de ações de prevenção à violência, com foco no enfrentamento ao racismo nas Instituições, na transformação de territórios vulneráveis e na criação de oportunidades de inclusão social dos Jovens.

É preciso empreender tanto ações caracterizadas como políticas universais, destinadas a incidir em problemas relativos à população em situação de vulnerabilidade social de maneira geral, ações focadas, destinadas a incidir em problemas relativos exclusiva ou preponderantemente à população jovem negra.

Agosto estará para a juventude brasileira como a primavera, tipicamente associada ao reflorescimento de sonhos, desejo de lutas vindouras, sensação de dever cumprido. A carta que institui o Estatuto da Juventude foi redigida pelas mãos de centenas de jovens brasileiros, que ousaram sonhar um país menos excludente, que tenha como principal foco proteger, estimular e ampliar direitos sociais.

Entretanto, somente através da participação democrática dos jovens e do povo brasileiro, que o extermínio dessa camada da polução do Brasil cessará no sentido da superação do obscurantismo, do tráfico de drogas, da prostituição, da exclusão, das chacinas, dos desaparecimentos forçados, das prisões e das mortes.

O momento agora é de um grande levante popular da juventude, que utilize como trincheira para a liberdade a lei de cinco de agosto, que tenha organização nas entidades representativas que nutrem historicamente os melhores sentimentos do mundo. Onde o caminho possa ser o da liberdade e da beleza, que mais do que adversidades, possam ter determinação, humanidade, afeição, perspectiva e sede de futuro.

*Angelina Anjos é assistente social, militante da luta pelos direitos humanos, membro do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça e filiada ao Partido Comunista do Brasil no Pará

Associação Cultural José Martí RS
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ACJM/RS, em 23/08/2013
ACJM-RS promove parcerias para atividades com o poeta e ensaísta cubano Carlos Rodríguez Almaguer
Por Vânia Barbosa
Apoiada por universidades do Estado, entidades classistas e militantes políticos e sociais, a Associação Cultural José Martí do RS realiza, a partir da próxima segunda-feira (26), uma série de atividades com o professor licenciado em estudos socioculturais, ensaísta e poeta cubano, Carlos Rodríguez Almaguer.
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

23 de Agosto de 2013 - 10h47

Luiz Inácio Lula da Silva: A hora da ação política


A lenta retomada da economia global e os seus enormes custos sociais, especialmente nos países desenvolvidos exigem uma corajosa mudança de atitude. É preciso identificar com clareza a raiz da crise de 2008, que em muitos aspectos se prolonga até hoje, para que os líderes políticos e os órgãos multilaterais façam o que deve ser feito para superá-la.

Por Luiz Inácio Lula da Silva*, no Instituto Lula


A verdade é que, no dia 15 de setembro de 2008, quando o banco Lehman Brothers pediu concordata, o mundo não se viu apenas mergulhado na maior crise financeira desde a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Viu-se também diante da crise de um paradigma.

Outros grandes bancos especuladores nos Estados Unidos e na Europa só não tiveram o mesmo destino porque foram socorridos com gigantescas injeções de dinheiro público. Ficou evidente que a crise não era localizada, mas sistêmica. O fracasso não era somente desta ou daquela instituição financeira, mas do próprio modelo econômico (e político) predominante nas décadas recentes. Um modelo baseado na ideia insensata de que o mercado não precisa estar subordinado a regras, de que qualquer fiscalização o prejudica e de que os governos não tem nenhum papel na economia, a não ser quando o mercado entra em crise.

Segundo este paradigma, os governos deveriam transferir a sua autoridade democrática, oriunda do voto – ou seja, a sua responsabilidade moral e política perante os cidadãos – a técnicos e organismos cujo principal objetivo era o de facilitar o livre trânsito dos capitais especulativos.

Cinco anos de crise, com gravíssimo impacto econômico e sofrimento popular, não bastaram para que esse modelo fosse repensado. Infelizmente, muitos países ainda não conseguiram romper com os dogmas que levaram ao descolamento entre a economia real e o dinheiro fictício, e ao círculo vicioso do baixo crescimento combinado com alto desemprego e concentração de renda nas mãos de poucos.

O mercado financeiro expandiu-se de modo vertiginoso sem a simultânea sustentação do crescimento das atividades produtivas. Entre 1980 e 2006, o PIB mundial cresceu 314%, enquanto a riqueza financeira aumentou 1.291%, segundo dados do McKinseys Global Institute e do FMI. Isso, sem incluir os derivativos. E, de acordo com o Banco Mundial, no mesmo período, para um total de US$ 200 trilhões em ativos financeiros não derivados, existiam US$ 674 trilhões em derivativos.

Todos sabemos que os períodos de maior progresso econômico, social e político dos países ricos durante o século XX não tem nada a ver com a omissão do Estado nem com a atrofia da política.

A decisão política de Franklin Roosevelt, de intervir fortemente na economia norte-americana devastada pela crise de 1929, recuperou o país justamente por meio da regulação financeira, o investimento produtivo, a criação de empregos e o consumo interno. O Plano Marshall, financiado pelo governo norte-americano na Europa, além de sua motivação geopolítica, foi o reconhecimento de que os EUA não eram uma ilha e não poderiam prosperar de modo consistente num mundo empobrecido. Por mais de trinta anos, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o Welfare State foi não apenas o resultado do desenvolvimento mas também o seu motor.

Nas últimas décadas, porém, o extremismo neoliberal provocou um forte retrocesso. Basta dizer que, de 2002 a 2007, 65% do aumento de renda dos EUA foram absorvidos pelos 1% mais ricos. Em quase todos os países desenvolvidos há um crescente número de pobres. A Europa já atingiu taxas de desemprego de 12,1% e os EUA, no seu pior momento, de mais de 10%.

O brutal ajuste imposto à maioria dos países europeus – que já foi chamado de austericidio – retarda desnecessariamente a solução da crise. O continente vai precisar de um crescimento vigoroso para recuperar as dramáticas perdas dos últimos cinco anos. Alguns países da região parecem estar saindo da recessão, mas a retomada será muito mais lenta e dolorosa se forem mantidas as atuais políticas contracionistas. Além de sacrificar a população europeia, esse caminho prejudica inclusive as economias que souberam resistir criativamente ao crack de 2008, como os EUA, os BRICS e grande parte dos países em desenvolvimento.

O mundo não precisa e não deve continuar nesse rumo, que tem um grande custo humano e risco político. A redução drástica de direitos trabalhistas e sociais, o arrocho salarial e os elevados níveis de desemprego criam um ambiente perigosamente instável em sociedades democráticas.

Está na hora de resgatar o papel da política na condução da economia global. Insistir no paradigma econômico fracassado também é uma opção política, a de transferir a conta da especulação para os pobres, os trabalhadores e a classe média.

A crise atual pode ter uma saída economicamente mais rápida e socialmente mais justa. Mas isso exige dos líderes políticos a mesma audácia e visão de futuro que prevaleceu na década de 1930, no New Deal, e após a II Guerra Mundial.

É importante que os EUA de Obama e o Japão de Shinzo Abe estejam adotando medidas heterodoxas de estímulo ao crescimento. Também é importante que muitos países em desenvolvimento tenham investido, e sigam investindo, na distribuição de renda como estratégia de avanço econômico, apostando na inclusão social e na ampliação do mercado interno. O aumento de renda das classes populares e a expansão responsável do crédito mantiveram empregos e neutralizaram parte dos efeitos da crise internacional no Brasil e na América Latina. Investimentos públicos na modernização da infraestrutura também foram fundamentais para manter as economias aquecidas.

Mas para promover o crescimento sustentado da economia mundial isso não é suficiente. É preciso ir além. Necessitamos hoje de um verdadeiro pacto global pelo desenvolvimento, e de ações coordenadas nesse sentido, que envolvam o conjunto dos países, inclusive os da Europa.

Políticas articuladas em escala mundial que incrementem o investimento público e privado, o combate à pobreza e à desigualdade e a geração de empregos podem acelerar a retomada do crescimento , fazendo a roda da economia mundial girar mais rapidamente.

Elas podem garantir não só o crescimento, mas também bons resultados fiscais, pois a aceleração do crescimento leva à redução do déficit público no médio prazo. Para isso, é imprescindível a coordenação entre as principais economias do mundo, com iniciativas mais ousadas do G-20. Todos os países serão beneficiados com essa atuação conjunta, aumentando a corrente de comércio internacional e evitando recaídas protecionistas.

A economia do mundo tem uma larga avenida de crescimento a ser explorada: de um lado pela inclusão de milhões de pessoas na economia formal e no mercado de consumo – na Ásia, na África e na América Latina – e de outro com a recuperação do poder aquisitivo e das condições de vida dos trabalhadores e da classe média nos países desenvolvidos. Isso pode constituir uma fonte de expansão para a produção e o investimentos mundiais por muitas décadas.

*Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil