quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A gororoba brasileira e o ajuste à grega


Arquivo

A Grécia não é apenas um bloco monolítico de oprimidos, acossados pelo poder financeiro externo, sob o açoite de Frau  Merkel.

Por trás das multidões desesperadas que afluíram às ruas e cercaram o parlamento nos últimos anos, tentando retomar o controle do seu destino, até o desenlace eleitoral deste domingo,  existe a história pedagógica de  um conflito entre a maioria da sociedade e os que detém a riqueza dentro dela.

Nisso a tragédia grega é um clássico.

Condensa o desatino de muitas nações nos dias que correm.

Seu impasse resultará insolúvel se for encarado apenas como um confronto com  banqueiros obstinados em ordenhar juros de uma dívida impagável de 330 bilhões de euros.

Não que essa dimensão do enredo seja negligenciável.

Em uma população da ordem de 11 milhões de pessoas, a dívida grega equivale a uma cota da ordem de 30 mil euros por habitante.

Algo como R$ 350 mil reais por família composta de casal e dois filhos. 

A chance de que haja um adulto desempregado dentro dela é alta; um em cada quatro trabalhadores está desocupado na Grécia.

A eletricidade de um milhão de lares foi cortada por falta de pagamento.

Nesse cenário de penúria, pagar a dívida equivale a condenar sucessivas gerações a um regime de servidão às ordens da banca.

A curto prazo a queda generalizada das taxas de juros no mundo   –com exceções notáveis como é o caso brasileiro--  deve aliviar a pressão sobre o novo governo pelo lado externo.

O programa do BCE de injeção de liquidez e o alongamento da dívida grega também ajudam.

Mas a guilhotina continua focada no pescoço do país.

Qualquer solavanco nas taxas de juros internacionais faria desabar a lâmina decapitando a sociedade e o Syriza.

A alternativa real depende de uma frente progressista  que envolve  avanços políticos em toda a Europa. Pode acontecer aos saltos a partir de agora.

Meta:  substituir  a austeridade suicida da troika  por um plano Marshall de regeneração econômica da zona do euro.

 É a tese de Yanis Varoufakis, economista de formação marxista, novo ministro da finança indicado pelo premiê Tsipras.

Em entrevista recente, o ministro alerta  para outra agenda imediata e imperativa, que aproveite a nova correlação de forças eleitoral para romper o núcleo duro da encruzilhada grega.

Qual?

Nas palavras de Varoufakis:  taxar os ricos e desmontar uma cleptocracia   composta de banqueiros, meios de comunicação e seus aliados no Estado. 
Na Grécia,  enquanto o país apodrecia a plutocracia engordava.

A exemplo do que ocorre no Brasil, e em outros pagos,   trata-se de uma elite  alérgica à justiça tributária, cuja bandeira inoxidável, na crise ou fora dela, é a defesa desinteressada do arrocho fiscal e monetário.

Sempre em nome dos bons fundamentos da República --aqueles que  vão garantir o que lhe   interessa de fato: a proteção preventiva  contra a taxação da riqueza  e o superávit fiscal suficiente para abastecer o ralo insaciável dos juros.

Detentores de sólida endogamia com o sistema financeiro global, os endinheirados apátridas de  todas as latitudes  integram uma casta rentista que Piketty desnudou como o grande parasita do nosso tempo.

Essa gigantesca lombriga alojada no metabolismo das nações age determinada a engordar  ininterruptamente, às custas, acima  e à frente do crescimento da produção e do bem-estar coletivo.

‘Não estamos interessados apenas em voltar a 2010’, alerta  o economista Yanis Varoufakis, como a esclarecer que a crise atual já vinha sendo chocada nos ovos da ameba cosmopolia,  muito antes de explodir a desordem sistêmica em 2008.

 Nisso sobretudo, ele  tem  algo a dizer em relação ao ajuste brasileiro que parece focado  na mera restauração das condições  internacionais pré-crise de 2008  –o que de resto parece ilusório diante das novas e adversas  condições do comércio global.

Combater o privilégio tributário da elite será uma das trincheiras mais desafiadoras do governo Syriza.

‘Não é só um problema de evasão fiscal, mas sim de que grande parte da renda dos ricos nem sequer é tributada’, pontua Varoufakis puxando o fio de um outro gargalo clássico, que condensa na tragédia grega a encruzilhada de outros governos, partidos e nações.
    
Sob a sanguinária ditadura dos coronéis, que dominou o país de 1967 a 1974, a elite grega já vivia um período de fastígio e evasão fiscal ímpar.

O endividamento externo que hoje passa de 170% do PIB reflete em boa parte o complacente intercurso entre a farda truculenta e plutocracia fraudulenta.

Pesquisas indicam que sob o tacão dos coronéis menos de 100 mil abnegados pagavam imposto de renda na Grécia.

Era uma espécie de Olimpo no qual os sonegadores ocupavam o altar dos deuses.

Na democracia, uma tentativa de afrontar a evasão, com o rastreamento por satélite das piscinas nas mansões, foi driblada por uma corrida às capas de grama sintética...

Nas últimas décadas, a socialdemocracia, o Pasok,  não teve a coragem de retirar as capas que recobriam privilégios e caixas milionários dos ricos, dos bancos e dos meios de comunicação.

O endividamento externo persistiu como uma solução de menor resistência.

Em vez de arrecadar das amebas gordas, optou-se pelo endividamento externo desenfreado, em sintonia com a lógica neoliberal.

A farra da liquidez e do crédito deu solvência ao modelo.

Com a adesão grega à União Europeia os controles ficariam mais rígidos.

O Tratado de Maastricht determina que o país membro não pode ostentar déficit fiscal superior a 3% do PIB.

A saída encontrada pelos governantes e cleptocratas   foi pagar polpudas somas a consultorias e a grandes bancos norte-americanos, como a indefectível Goldman Sachs, para maquiar a lambança sem afetá-la.

Sofisticadas operações de engenharia contábil foram oferecidas ao país para persistir no endividamento público, sem afrontar Maastricht, nem tributar a elite local.

As capas de grama sintética cederam lugar a um bem urdido manto de criatividade delinquente.

Coisa típica da grande finança.

Um dos artifícios chancelados pelo selo Goldman Sachs foi penhorar receitas futuras do Estado grego, em troca de antecipações de recursos junto aos credores.

O  saque  incluiu, por exemplo,  anos e anos de taxas de embarque e desembarque em aeroportos nacionais  penhoradas  pelo Estado.

Rasparam o tacho da nação para evitar a tributação  dos bolsos gordos.

Como a antecipação de receita foi devorada pelo caminho, o futuro do tráfego aéreo, desprovido de fundos para novos investimentos, terá sérios problemas no país.

A irresponsabilidade ganha cores sugestivas quando se sabe que o turismo representa mais de 14% do PIB grego.

Agia-se como agem as elites predadoras em distintas fronteiras.

Tudo se passa como se  não houvesse amanhã, essa abstração para quem o tempo consiste no átimo de segundo que separa o dedo da operação digital em paraísos fiscais.

Durante anos foi assim que se deu.

O Estado se endividou sem registrar o rombo como déficit público, graças aos espertos petizes da Goldman Sachs  –os mesmos que hoje dão ‘suporte’ intelectual ao jogral brasileiro que reclama ‘arrocho e fim das ‘pedaladas’ nas contas fiscais do governo Dilma.

 Quando estourou a crise mundial, em 2007/8, a reversão do fluxo de crédito  pôs em xeque a ciranda grega e o déficit explodiu.

Imaginou-se inicialmente que ele seria de 10,5%.

Em 2010 verificou-se que era da ordem de 15%.

Trazê-lo à soleira dos 3%  a ferro e fogo, como se fez,  exigiu uma rendição incondicional de sucessivos partidos e governantes, até a vitória do Syriza  no último domingo.

A Grécia deixou de ser uma nação nos últimos seis anos.

Transformou-se  no grande açougue-escola do neoliberalismo.

Praticou-se ali as mais variadas modalidades de cortes.

Poucos foram poupados dos talhos profundos para extrair libras de carne em sentido figurado e literal.

O arrocho derrubou o PIB em 25%, produziu 27% de desemprego, elevou em 40% os suicídios, cortou em 20% as aposentadorias.

Pacotes ortodoxos  sucessivos transferiram à população –na forma de um esfarelamento de serviços, salários, privatizações e  imposto indireto—  o sacrifício de sanear décadas de ladroagem fiscal e covardia política.

Fica mais fácil entender a disposição ao risco assumida pelos eleitores no último domingo.

A principal promessa do Syriza não é apenas afrontar a troika e frau Merkel.
Mas, sim, como diz Varoufakis,  resolver um passivo histórico que remonta à conciliação das elites na transição da ditadura para a democracia.

Ou seja, redistribuir a renda e  sacrifícios até então determinados pela cleptocracia.

Soa inspirador?

Decididamente, o diagnóstico do ministro Varoufakis é  diferente do que pensa seu congênere,  Joaquim Levy,  quando se grata de restaurar a saúde das contas públicas e devolver poder de investimento ao Estado.

Num tempo em que todo capital se comporta como capital estrangeiro, as operações offshores para ludibriar o fisco constituem o novo normal das elites e grandes corporações.

Ou alguém acha que o labiríntico passeio do dinheiro frio das empreiteiras no caso Petrobrás e no do metrô tucano foi montado apenas para esse fim?

Ou imagina que  apenas elas estão envolvidas no submundo empresarial das triangulações em paraísos fiscais?

Ou, por distração,  supõe que os bancos, justo eles, zeladores do dinheiro grosso, ficariam à margem das acrobacias da ‘elisão’ fiscal  -- a sonegação untada com chantilly de legalidade?

Bradesco e Itaú-Unibanco, por exemplo.

Noticiou-se agora, economizaram R$ 200 milhões em impostos em 2008 e 2009.
Bastou registrarem parte de seus lucros no elegante e generoso Grão-Ducado de Luxemburgo, um dos mais atuantes paraísos fiscais europeus.

É apenas um caso em uma amostra de somente dois bancos.

Por que o glorioso jornalismo brasileiro não dedica a esse assunto o mesmo empenho investigativo –saudável, diga-se--  exibido em relação ao intercurso de corrupção e favorecimento entre políticos e grandes corporações?

Um pedaço da resposta talvez esteja no fato de que os cronistas também são personagens da trama que encobrem.

Exemplo recente?

A Receita brasileira concluiu no ano passado  que a gloriosa Rede Globo montou uma "intrincada engenharia" para sonegar impostos sobre os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

Um blog da mídia alternativa, o bravo Cafezinho, escancarou o esquema e cobrou o DARF devido , da ordem de R$ 350 milhões.

O que aconteceu até agora?

Nada.

Ou melhor: o braço midiático da cleptocracia local multiplicou a campanha contra os ‘blogs sujos’.  E reforçou a guerra aberta à regulação das comunicações no Brasil.
Longa vida ao ministro Varoufakis.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Brasil apresentará políticas sociais na 3ª Reunião de Cúpula da Celac

As políticas sociais do governo federal que nos últimos anos retiraram milhões de pessoas da pobreza, tiraram o Brasil do Mapa da Fome Mundial e elevaram o poder aquisitivo da população, serão apresentadas pela presidenta Dilma Rousseff na 3° Reunião de Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). O encontro terá como tema “A Luta contra a Pobreza” e acontecerá nos dias 28 e 29 de janeiro, em São José, capital da Costa Rica.
“Nós vamos levar para a Celac uma série de experiências que funcionaram bem aqui no Brasil e que resultaram na redução das desigualdades e que fizeram com que mais pessoas pudessem ascender aos bens, declarou o subsecretário-geral da América do Sul, Central e Caribe do Itamaraty, embaixador Antônio Simões. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.
“Nós vamos levar para a Celac uma série de experiências que funcionaram bem aqui no Brasil e que resultaram na redução das desigualdades e que fizeram com que mais pessoas pudessem ascender aos bens”, declarou Simões. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.
Nesta sexta-feira (23), em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o subsecretário-geral da América do Sul, Central e Caribe do Itamaraty, embaixador Antônio Simões destacou também que, além dos avanços em políticas sociais, o Brasil está empenhado na promoção de cooperação com os países da Comunidade nas áreas da agricultura familiar, direito dos afrodescendentes, desenvolvimento sustentável e energético.
O embaixador ainda destacou avanços comerciais obtidos pelo Brasil nos últimos anos por meio do estreitamento das relações com o bloco. De 2002 a 2014, o comércio do Brasil com a Celac mais que quadriplicou, saindo de U$$ 20 bilhões em 2002 para U$$ 84 bilhões no ano passado, o que representa mais de 18% das trocas comerciais do Brasil com o mundo.
Na coletiva, Simões lembrou a realização da próxima reunião de Cúpula Brasil – União Europeia, que acontecerá em junho, em Bruxelas.
Sobre a Celac
Trata-se de organismo internacional de cooperação formada por 33 países da América Latina e do Caribe. A comunidade foi criada em 2010, na Cúpula do México, e tem como objetivo aprofundar a integração política, econômica, social e cultural dos países da região.
Além disso, o bloco tem avançado, nos últimos anos, à favor de políticas públicas e projetos de cooperação internacional, com base nos valores democráticos e nos direitos humanos.

Vitória da esquerda grega chacoalha Europa


Syriza vence eleicao grega

O triunfo do Syriza, de Alexis Tsipras, futuro primeiro-ministro da Grécia, representa mais que a inédita vitória, em solo europeu, de corrente inimiga da estratégia de austeridade.
A envergadura histórica dos resultados eleitorais vai além: pela primeira vez desde o final da União Soviética, um partido de esquerda, anticapitalista, conquista o governo de uma nação do velho continente.
A vida política da região esteve marcada, desde os anos noventa, pela dança de cadeiras entre duas variáveis do neoliberalismo: a conservadora e a social-democrata.
A exceção é o nacionalismo russo de Putin e outros Estados menores, ex-integrantes do antigo espaço soviético, mas cuja identidade não está marcada por paradigmas socialistas.
As agremiações sociais-democratas, contudo, foram paulatinamente deixando de ser expressões reformistas do campo progressista para se converterem em opção mais branda da hegemonia do capital financeiro.
Suas gestões pouco ou nada se diferenciam, no fundamental, do que é defendido e praticado por legendas propriamente de direita. Chegam mesmo a compor governos de unidade nacional, como é caso alemão e o da própria Grécia até este domingo (25/01).
O Pasok, aliás, virou pó, com menos de 5% dos votos, com os eleitores esculachando a aliança de governo dos sociais-democratas com a principal legenda da direita, a Nova Democracia.
O fato é que a esquerda europeia esteve circunscrita, antes da ascensão do Syriza, a papel secundário, desempenhado por partidos comunistas e outros grupos com sérias dificuldades para se viabilizarem como alternativa de poder.
O jogo, agora, mudou.
O Syriza (em grego, abreviatura para Coligação da Esquerda Radical) tem fisionomia semelhante ao PT brasileiro.
Mais do que partido clássico, trata-se de frente orgânica. Aglutina inúmeras correntes, em espectro que vai do trotsquismo à social-democracia, ao redor de um programa de caráter socialista.
Sua principal força propulsora são os movimentos sociais e populares que se rebelaram contra o garrote financeiro imposto sobre a Grécia desde a crise de 2010.
Mas o cenário com o qual Tsipras e seus correligionários irão lidar é oposto ao percurso petista após a conquista eleitoral de 2002.
O ex-presidente Lula pode implementar políticas públicas de natureza distributiva a partir do reordenamento orçamentário, sem graves choques com o sistema financeiro mundial e sem a obrigatoriedade de reformas estruturais.
Ainda que esta orientação viesse a entrar em fadiga, como vem ocorrendo nos últimos quatros anos, a verdade é que o petismo pode promover a expansão de emprego, renda e direitos, durante longo período, sem confrontar o modelo rentista e as forças que o sustentam.
O Syriza, no entanto, somente será capaz de enfrentar a calamitosa herança social e econômica deixada por seus antecessores se fizer mudanças profundas e enfrentar o centro dirigente do imperialismo europeu.
O nó górdio é a dívida pública.
Sem estancar esta sangria, o Estado grego continuará insolvente para atender as reivindicações das ruas e retomar o crescimento.
Tsipras sinalizou, nas semanas derradeiras de campanha, disposição para negociar, evitando a ruptura com a União Européia e o euro.
Mas seus interlocutores, particularmente França e Alemanha, estão em sinuca de bico.
Se aceitam um pacto que alivie a vida helênica, outros países engastalhados — como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda — podem pedir as mesmas facilidades. Os grandes bancos e fundos não admitem concessões dessa magnitude.
Caso a opção da chamada troika (formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) seja bater o pé em defesa dos acordos firmados pelo governo de centro-direita que foi derrotado nas urnas, o Syriza viverá sua hora da verdade.
Teria, grosso modo, em circunstâncias de intolerância das instituições financeiras, dois caminhos pela frente.
O primeiro seria o da ruptura unilateral dos compromissos de ajuste fiscal e pagamento da dívida, além do vínculo com a moeda única, colocando em xeque todo o sistema europeu.
As consequências iniciais poderiam ser dramáticas para o povo grego, até que a retomada da soberania nacional pudesse fazer a economia respirar, liberta das sondas predadoras de seus credores.
Além da maioria parlamentar que formou graças à composição com um pequeno partido nacionalista de direita, o Gregos Independentes, Tsipras eventualmente contrabalancearia dificuldades materiais com a mobilização dos trabalhadores gregos e o alastramento desse estado de ânimo por outras nações do sul europeu.
Outro caminho seria o da submissão, acatando ditames da troika e aceitando, como compensação, algumas alterações cosméticas. Mas pagaria elevadíssimo preço político por tamanho recuo.
O Partido Comunista, por exemplo, com 15 deputados eleitos, hipotético aliado, anunciou que se recusa a compor o novo gabinete porque sua direção está convencida sobre a tendência de Tsipras à capitulação, além de criticar sua disposição de continuar na União Europeia e na Otan.
Quem viver, verá.
Aconteça o que acontecer, porém, a Grécia se transformou no epicentro dos principais lances políticos dos próximos tempos.
A Europa está aturdida por um fenômeno que talvez abra novo ciclo político, no qual se viabilize uma esquerda antagonista vocacionada para conduzir o continente a outro modelo de desenvolvimento.
Via: http://operamundi.uol.com.br/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Obras do PAC entre as 100 mais importantes do mundo

Quatro obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão na lista das 100 mais importantes do mundo. Entre os projetos listados pela consultoria internacional KPMG, estão a Integração do São Francisco, a comunidade sustentável Morar Carioca, o Campo de Libra do Pré-Sal e a Parceria Público-Privada (PPP) do sistema de tratamento de esgoto de Recife (PE).
De acordo com a consultoria, os 100 projetos mais importantes do mundo representam o “espírito” de infraestrutura, desenvolvimento e financiamento privado. Além das quatro obras do PAC, os projetos da Ferrovia Transcontinental e o Metrô da Linha 6 de São Paulo também constam na lista.

Na publicação, divulgada no fim de 2014, o parceiro da KPMG, David Neuenhaus, cita que o Brasil tem investido em infraestrutura ao abrir oportunidades aos interessados em Parcerias Público-Privadas com uma série de incentivos fiscais.

A publicação ainda considera que o Campo de Libra do Pré-Sal, conduzido pela Petrobras, será economicamente importante para o Brasil nos próximos anos. “O projeto não só terá um impacto sobre a economia do Brasil, mas, além disso, altera o equilíbrio da energia do afastado Oriente Médio para as Américas”, descreve o texto.

A lista das 100 obras de infraestrutura mais importantes do mundo faz parte de um relatório global da KPMG feito a cada dois anos. Para a seleção dos projetos, a consultoria criou quatro grupos e separou as obras de acordo com a complexidade, relevância para o país, viabilidade econômica e impacto na sociedade.

Para avaliar as obras e chegar ao resultado final, a KPMG convidou especialistas independentes dos Estados Unidos, China, Índia e Brasil.

Integração – O Projeto São Francisco é, segundo o governo federal, a mais importante iniciativa na política de recursos hídricos nacional. Com investimentos em R$ 8,2 bilhões, as obras de integração têm como objetivo garantir segurança hídrica a mais de 390 municípios do Nordeste. Com isso, 12 milhões de brasileiros devem ser beneficiados.
Atualmente, 11 mil pessoas trabalham no projeto do rio São Francisco e 3,8 mil máquinas estão em operação. De acordo com o Ministério da Integração Nacional, as obras apresentam quase 70% de execução. A previsão de entrega é no primeiro semestre de 2016.

Habitação – Criado em 2010, o Morar Carioca tem como objetivo urbanizar todas as favelas do Rio de Janeiro até 2020. O projeto já beneficia 73 comunidades e é um dos legados da Olimpíadas de 2016. Os investimentos, na casa de R$ 8,5 bilhões, envolvem infraestrutura, paisagismo, lazer e moradia.

Pré-Sal – Licitado em outubro de 2013, o Campo de Libra deve produzir entre 8 e 12 milhões de barris de petróleo nos próximos 35 anos. Além disso, também serão produzidos na área 120 bilhões de metros cúbicos de gás natural. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a produção de Libra deve alcançar 1,4 milhão de barris por dia e 40 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.

Os royalties da produção de Libra serão destinados 75% para a educação e 25% para a saúde. Em 35 anos de contrato, os valores totalizarão cerca de R$ 270 bilhões. O excedente em óleo que ficará com a União ainda deve resultar em investimento de R$ 368 bilhões nas duas áreas.

Saneamento – A PPP do sistema de tratamento de esgoto de Recife, capital de Pernambuco, deve ampliar de 30 para 90% a cobertura de saneamento básico, em 12 anos. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões, entre recursos públicos e privados, e a ampliação do esgotamento sanitário será feita em 15 municípios. As obras beneficiarão cerca de 3,7 milhões de pessoas na região.

Ferrovia – A Transcontinental, executada pela Valec, deverá ter cerca de 4,4 mil quilômetros de extensão, entre o Porto Açu, no Rio de Janeiro, e Boqueirão da Esperança, no Acre. As obras têm o intuito de favorecer o transporte multimodal brasileiro e interligar a malha ferroviária, entre outras questões.

Quando pronta, a ferrovia será uma alternativa para o transporte de cargas para os portos do Norte e Nordeste.

Transporte – A Linha 6 do Metrô de São Paulo ligará Brasilândia, na zona norte da cidade, à estação São Joaquim, no centro. Ao todo, são 15,9 quilômetros e 15 estações, no valor de R$ 8,9 milhões. A estimativa do governo local é atender 634 mil passageiros ao dia e o percurso deve ser feito em 27 minutos.

Por Mariana Zoccoli, da Agência PT de Notícias

Via: pt.org.br

Brasil gera 5,2 milhões de empregos em 4 anos



O Brasil atingiu a marca de 5.277.071 novos empregos gerados no quadriênio 2011/2014. É o que mostram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O crescimento, tomando como base os dados do Caged e da Rais, atinge 11,97%. 
 
No ano de 2014, o aumento no número de vagas foi de quase 1%, com o acréscimo de 396.993 mil novos trabalhadores empregados. Até 2013, o país tinha 41,053 milhões de trabalhadores empregados, segundo os critérios do Caged. O balanço de 2014 também mostrou que o salário de admissão teve aumento real na casa de 0,92%, se levado em consideração os valores médios e o INPC. As mulheres tiveram o melhor reajuste, na casa de 1,39% contra 0,84% dos homens.
 
Em 2014, os estados que mais geraram empregos foram Santa Catarina, com 53.887 (+2,72%) novas vagas, Rio de Janeiro, com 53.586 postos (+1,39%) e Ceará, com 47.372 (+3,98%) empregos. Entre as regiões, o Sudeste teve o melhor desempenho, com 121.689 vagas (+0,56%), seguido do Sul, com 118.795 vagas (+1,62%) e do Nordeste com 99.522 novos empregos (+1,51%). No Centro Oeste o saldo foi positivo em 39.335 postos (+1,25%) e no norte em 17.652 postos (+0,39%).
 
“O Brasil vive o pleno emprego, com regiões onde a taxa de desemprego está abaixo dos 3%, caso do Rio de Janeiro e de Santa Catarina. Em 2015, como os prognósticos da economia são mais positivos que em 2014, acreditamos que vamos continuar gerando empregos”, destacou o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, ao comentar os números. Ele lembrou que a crise internacional continua e que muitos países ainda não recuperaram o nível de emprego de 2008, diferente do que ocorreu com o Brasil. “Nesse mesmo período, de 2008 até agora, o Brasil gerou mais de 10,5 milhões de postos de trabalho”, acrescentou.
 
O ministro lembrou que foram lançadas muitas incertezas sob o ano de 2014, que se refletiram nos resultados de dezembro, que tradicionalmente é o pior mês em termos de geração de empregos. O saldo foi de 555 mil vagas a menos no último mês do ano, o que evitou que o resultado positivo do ano fosse maior. No mês os setores com pior desempenho foram a indústria, com 171 mil postos a menos, a construção civil, com 132 mil postos a menos e o serviços, com 148 mil postos a menos. O maior volume de demissões ocorreu em São Paulo, seguido de Minas Gerais e do Paraná. O resultado ainda tem forte impacto de questões sazonais, como por exemplo, a conclusão de obras na construção civil.
 
O Ministro do Trabalho e Emprego ficou satisfeito, de outro lado, com o aumento real dos salários, que é um compromisso do governo. Mais ainda com a redução da desigualdade entre homens e mulheres. O valor médio do salário feminino em relação ao salário masculino passou de 85,72%  para 86,19%. O salário médio de entrada da mulher ficou em R$ 1075,52. O do homem chegou a R$ 1247,89. O salário médio ficou em R$ 1181,56.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Governo abre diálogo com centrais sindicais


centrais blog

Representantes do governo se reuniram nesta segunda-feira (19) com representantes das seis principais centrais sindicais do país para esclarecer dúvidas e ouvir propostas sobre as medidas provisórias 664 e 665, que preveem ajustes e correções nos benefícios sociais.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, afirmou que a intenção do governo é esclarecer aos representantes dos trabalhadores as medidas e abrir o diálogo com a categoria. Ele ressaltou que o governo está garantindo todos os benefícios aos trabalhadores, porém fazendo ajustes para garantir a sustentabilidade dos programas. De acordo com o ministro, ao propor as correções, o governo pretende garantir a manutenção dos benefícios sem comprometer a política de permanente valorização do salário mínimo.
Segundo Rossetto, no período de 2003 a 2013 cerca de 15,5 milhões de trabalhadores foram formalizados apenas no setor privado. Nesse mesmo período, 30 milhões de pessoas entraram na base da Previdência Social. O ministro também destacou que o salário mínimo registrou um aumento real de 73% em 10 anos e a expectativa do brasileiro aumentou em 4,4 anos nos últimos 13 anos. “Essas mudanças estruturais positivas no mercado de trabalho e na qualidade de vida da população impactam significativamente nas políticas sociais do governo e com base nesse diagnóstico o governo estudou formas de aperfeiçoar os programas e propor a correção das distorções”, afirmou.
O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, destacou que as medidas do governo visam garantir a sustentabilidade dos programas sociais e contribuem para ajustes de curto e médio prazos. “A política de inclusão social aumentou o universo de trabalhadores beneficiados e nosso objetivo é aperfeiçoar alguns programas sem comprometer os direitos do trabalhador. A política econômica do governo continua em uma mesma direção, mas estamos propondo medidas pontuais e mais suaves para voltar a estimular o crescimento da economia e gerar empregos em ritmo mais acelerado”, declarou.
O ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, foi enfático ao afirmar que o governo não irá retirar os direitos dos trabalhadores. “Nós também não pretendemos atingir os atuais pensionistas, o que queremos é corrigir distorções e garantir a sustentabilidade dos programas e manter a política de valorização dos salários”, disse.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, ao falar do seguro-desemprego e do abono salarial, afirmou que as propostas apresentadas pelo governo também observam a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). “São necessárias adequações. Nós temos responsabilidades como gestores do fundo, pois ele serve ao trabalhador”, garantiu.
Uma nova reunião foi marcada para a próxima semana para dar prosseguimento às discussões e garantir a participação dos representantes dos trabalhadores. “A ideia é abrir um calendário de diálogo, de forma a aperfeiçoar as propostas do governo com o apoio de todos”, ressaltou Miguel Rossetto.
Via: http://blog.planalto.gov.br/

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Dinheiro contra a democracia

Se o governo Dilma não conseguir quebrar a resistência do mundo do dinheiro para voltar a investir, a democratização social encontrará grandes obstáculo.

por Emir Sader em 16/01/2015 às 17:08

Emir Sader

A contradição fundamental que vive o Brasil hoje, e que explica a crise atual, é aquela entre um modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda, que amplia, como nunca, o mercado interno de consumo popular, e a falta de disposição do grande empresariado de adequar-se a esse modelo. Como estamos numa sociedade capitalista, este dispõem, nas suas mãos, dos grandes capitais que poderiam permitir que o modelo apoiado pela maioria do povo brasileira há 12 anos – e projetado por pelo menos mais 4 anos – se intensifique e acelere. Ou, como tem acontecido nestes últimos tempos, canalize esses recursos para a especulação financeira - na Bolsa e nos paraísos fiscais – ou a seguir produzindo para a alta esfera do mercado e para a exportação. 

 Pela primeira vez um presidente é eleito no Brasil “contra o mercado”, isto é, contra o grande empresariado, que não apenas mostrou, ha tempos, que preferia qualquer candidato opositor – Aécio, Eduardo Campos, Marina – à Dilma, como militou firmemente por esses candidatos, até o nível de manipulação da Bolsa, além de atuar sabotar diretamente a economia, valendo-se do terrorismo econômico e favorecendo a especulação financeira, contra a retomada da expansão econômica. Esse é o poder do grande capital numa sociedade de mercado. Pode ser uma ínfima minoria, mas exerce seu poder através do grande capital que concentra nas suas mãos.

O Brasil vive um processo de democratização social como nunca havia vivido em toda sua história. Pais conhecido como o mais desigual do continente mais desigual, a questão da desigualdade social é a central do pais. Os governos do PT a erigiram na maior das prioridades, por isso obtiveram o apoio da maioria do povo nas últimas quatro eleições. Por isso fizeram do Lula o maior líder popular da sua história.

 A transição da ditadura à democracia não havia tocado na desigualdade social. Esses governos vieram para dar conteúdo social à democracia brasileira. Mas se chocam com os donos do capital, com a sua lógica de maximização dos lucros, que vai em outras direções: especulação financeira, exportação de capitais, produção de soja e de autos, entre outros, que se distanciam totalmente do modelo de desenvolvimento com distribuição de renda, apoiado pela maioria da população.

Dilma foi eleita, em grande medida, com o voto popular, resultados das políticas sociais dos últimos 12 anos. Mas teve a grande maioria da opinião pública – fabricada pelo monopólio privado da mídia – contra ela. A prioridade das políticas sociais foi mantida no primeiro mandato da Dilma, que fortaleceu e estendeu as politicas sociais, mesmo com a economia estagnada.

Seu maior desafio no segundo mandato é conseguir retomar um ciclo expansivo na economia. Porém, os arranjos das finanças públicas que até aqui tem sido postos em prática, incluem novos aumentos das taxas de juros, que conspiram diretamente contra a expansão da economia, tem um acento fortemente recessivo.
 
Se a Dilma não encontrar a equação que permite cumprir com o objetivo proposto em 2010, de baixar as taxas de juros aos níveis internacionais, desincentivando a especulação financeira, a própria centralidade das políticas sociais estará em questão, pela limitação dos recursos do governo.

Em outras palavras, se o governo não conseguir quebrar a resistência do mundo do dinheiro para voltar a investir e acompanhar a implementação do modelo apoiado majoritariamente pela população, a própria democratização social – a alma dos governos do PT – encontrará grandes obstáculos para seguir em diante.


Via: cartamaior.com