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Os pratos de porcelana e a coerência
Artigo: Reforma Política e o desmonte do Status Quo - Por Alberto Cantalice
Alberto Cantalice, vice-presidente nacional do PT (Foto: Richard Casas/PT)

Na parte que nos toca, o PT é reconhecido por todos, aliados e adversários, como um Partido político organizado e com funcionamento permanente.
As críticas que o Ministro Joaquim Barbosa fez ao sistema proporcional das eleições brasileiras. Onde disse que os partidos no País são de mentirinha, propondo em seguida, o voto distrital puro, feitas em palestra para alunos da UNB é próprio de quem desconhece a realidade do processo político no Brasil.
Na parte que nos toca, o PT é reconhecido por todos, aliados e adversários, como um Partido político organizado e com funcionamento permanente. Portanto essa carapuça ministro não nos cabe.
O fruto deste artigo, não é responder afirmações descabidas e sim tratar das propostas de mudanças no sistema eleitoral brasileiro.
O nó górdio do sistema é sem sombra de dúvidas o financiamento privado das campanhas eleitorais, aliada a falta de uma verdadeira práxis de fidelidade partidária, que não encontram abrigo nas teses emanadas do Tribunal Superior Eleitoral.
Ao enfrentar os problemas crônicos do sistema eleitoral, com a apresentação de um Projeto de Lei de iniciativa popular, ancorados em mais de 1,5 milhão de assinaturas que estão sendo coletadas nos quatro cantos do País. O Partido dos Trabalhadores desmonta a tese falaciosa daqueles que ao proporem soluções mirabolantes contribuem para a velha máxima do elitismo brasileiro: “mudar para que nada mude”.
A baixa representação dos setores oriundos das camadas populares no Congresso Nacional, bem como a pequena representação feminina é fruto deste “status quo”. O custo cada vez mais elevado das campanhas, tem transformado o exercício da ação política eleitoral em uma verdadeira usina de crises.
Fortalecer os partidos que tenham programa e propostas é o caminho. Não a pulverização pueril que tem se dado nos últimos tempos. Barrar o mercado persa das legendas partidárias, fundadas em grande medida por um naco do fundo partidário e que transforma seus parcos segundos de propaganda eleitoral em mercadoria, decisivamente não contribuem para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia brasileira.
È urgente dar um basta na crescente intromissão do Judiciário no Legislativo. Expediente esse usado de salvaguarda pelas minorias que ao se verem na iminência de serem derrotadas democraticamente por falta de votos, batem às portas do Judiciário como as “vivandeiras” de quartéis, faziam no período pré 1964.
Propostas que visam efetivamente mudar, teriam que se dar em um ambiente próprio, e com seus eleitos despidos de interesses imediatos, para isso o PT propõe neste Projeto de Lei a convocação de uma Constituinte Exclusiva, onde os parlamentares eleitos para este fim dariam por encerrada a sua participação ao término dos trabalhos.
Ousadia, coragem e trabalho nunca faltaram ao Partido dos Trabalhadores que fiel ao seu ideário e dando seguimento às transformações econômicas e sociais, que os governos Lula e Dilma têm desenvolvimento no Brasil, apresentam para o conjunto de seus militantes, filiados e simpatizantes mais esse desafio: Coletar mais de 1,5 milhão de assinaturas e levar essa discussão ao povo, para contribuir para desobstruir o sistema eleitoral e garantir uma representação muito mais equânime entre todos os atores políticos e agentes sociais que compõem o mosaico que é a sociedade brasileira. É isso o que nos difere.
Alberto Cantalice é Vice-Presidente nacional do PT e coordenador da Campanha pela Reforma Política.
Os pratos de porcelana e a coerência
Conta a história informal da revolução cubana, que o
comandante Ernesto "Chê" Guevara, em uma visita à antiga URSS, foi
tomado pelo mesmo asco de Cristo, diante dos vendilhões do templo, ao constatar
que seus correligionários russos haviam preparado para a ocasião, uma suntuosa
mesa, e um refinado cardápio à ser degustado em pratos de porcelana. Diante de
tal ostentação, o comandante teria indagado à seus anfitriões, se o proletariado
daquele país também comia em tão nobres pratos.
Este emblemático episódio explicita bem o espírito coerente deste homem, que
dedicou sua vida a causa socialista e que, sem dúvida alguma, entendia bem a
necessidade de harmonia entre o discurso e a prática.
Em nossos dias, o desalinho entre fala e comportamento, no antro de nossa
sociedade viciada, é regra e não exceção. As práticas de corrupção, que tanto
execramos nas altas esferas do poder, praticamo-las tais quais ou semelhantes
nos menores detalhes de nosso quotidiano. Não somos melhores que os políticos
que maldizemos, quando solicitamos "favores" à nosso amigo
funcionário público, quando furamos uma fila porque estamos atrasados, ou
mesmo, quando abandonamos o papel de bala pela janela do automóvel e depois
protestamos contra as enchentes. E nossos governantes, serão sempre tal e qual
o reflexo da sociedade no espelho.
Fico pensando, se todos os convidados do Fausto Silva fossem tão elegantes e
sinceros, "tanto no profissional, quanto no pessoal", como ele
afirma, a revista "Caras" seria, "mais do que nunca, hoje",
um manual de integridade e ética.
Não, não se trata de nenhum novo super herói, nem de nenhuma vítima da infidelidade
conjugal. A expressão "homem boi" foi cunhada pelo Engenheiro
Frederick Winslow Taylor, considerado o pai da administração cientifica, para
designar o perfil de trabalhador ideal ao sistema de produção capitalista.
Este, era para Taylor, e continua representando para a grande superestrutura
capitalista, o cara, peça chave do modo de produção capitalista, que executará
uma tarefa repetitiva sem questionamentos e, de preferência, sem outro
pensamento que não seja o parafuso que ele apertará durante toda sua vida,
sempre no menor tempo possível, é claro.
Não é importante que ele pense, apenas que aperte o parafuso. O cérebro
automatiza o gesto e o sujeito já executa sua tarefa até dormindo. Mas, o cara
não chega a este nível de "concentração" por acaso. Há todo um
sistema que guarnece sua visão lateral, semelhante ao acessório bovino, para
que ele não se distraia. Todos os dias ele vai para casa, após sua jornada,
come, dorme e volta para o seu parafuso. Ele também assiste novela, futebol,
propaganda, compra, vende e morre, mas, jamais questiona. Acredita nos
mistérios da fé, que Deus é bom e o Diabo é ruim, nos dez por cento da igreja,
no patrão nosso de cada dia e até no William Bonner.
Executar sem pensar é sua especialidade, afinal, foi treinado para isso. A
escola habilitou-o a apertar parafusos, não a questionar. É sem dúvida um
sujeito dócil, pacífico e passivo. E pior, ele é apenas um tijolo nesse, imenso
e sempre em ampliação, muro de alienação.
Esse círculo vicioso hereditário não poupa ninguém. Todos somos por ele
assediados em algum momento e de alguma forma contribuímos à retroalimentação
deste sistema. Só a consciência deste processo pode nos salvar deste jugo
coletivo e, só a nossa luta salvará nossos filhos de tal destino. É preciso que
a classe trabalhadora entenda a sua força e lembre, que nada tem a perder além
dos seus grilhões.*
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