Aprovado Passe Livre estudantil e Fundo Estadual para o setor

Passe Livre (480x281) Centenas de jovens e lideranças estudantis lotaram, na tarde desta terça-feira (17), as galerias do plenário da Assembleia para acompanhar a aprovação, por unanimidade, do projeto do governo Tarso Genro que institui o Programa Passe Livre Estudantil para todo o estado. A iniciativa do governo também cria o Fundo Estadual do Passe Livre Estudantil com o objetivo de subsidiar estudantes que não fazem parte do Sistema Estadual de Transporte Metropolitano.
O Programa Passe Livre Estudantil subsidiará integralmente estudantes com renda per capita familiar de até 1,5 salário mínimo. A proposição contempla estudantes da Região Metropolitana de Porto Alegre, das Aglomerações Urbanas Litoral Norte, Sul e do Nordeste do estado. Essas regiões fazem parte do Sistema Estadual de Transporte Metropolitano Coletivo de Passageiros e os estudantes, para terem direito ao passe, deverão estar matriculados em instituições regulares de ensino e utilizar o transporte intermunicipal entre residência e instituição de ensino.
Para os alunos que não fazem parte do Sistema Estadual de Transporte Metropolitano Coletivo de Passageiros, o Poder Executivo subsidiará o transporte intermunicipal, tendo como fonte principal de recursos o Fundo Estadual do Passe Livre Estudantil. Esse fundo contará com recursos provenientes de dotações orçamentárias do Estado, União, Municípios e entidades públicas ou privadas. O fundo será gerido por um Comitê Gestor, que orientará a aplicação dos recursos e a operacionalização dos recursos. Por meio do acesso ao Fundo, prefeituras poderão financiar o fretamento direto, feito por elas próprias, por associações estudantis e, mesmo, por estudantes que utilizam as linhas regulares do DAER. A política do Passe Livre beneficiará mais de 70% dos estudantes universitários gaúchos, segundo dados do INEP/2011.
Conquista histórica
O líder da bancada do PT na Assembleia, deputado Edegar Pretto, destacou que o projeto do Passe Livre representa uma conquista histórica para os gaúchos. Segundo o parlamentar, essa vitória é fruto da luta da juventude e dos movimentos sociais. O petista felicitou o governador Tarso Genro pela iniciativa e por ter a sensibilidade de elaborar o projeto do Passe Livre Estudantil. Ele lembrou que propostas semelhantes foram apresentadas em diversos períodos históricos, citando exemplos dos governos de esquerda que lutaram pelo passe livre em diversos estados. Edegar Pretto também repudiou o ódio de alguns deputados de oposição pelos movimentos sociais e pelo povo organizado. Ele recordou que o governo Yeda Crusius, que foi apoiado por boa parte dos atuais deputados de oposição, desmontou a educação no Rio Grande do Sul, colocou crianças em escolas de lata e era surdo em relação aos pleitos da população.
Construção democrática
O líder do governo Tarso Genro, deputado Valdeci Oliveira, destacou que o projeto do Passe Livre foi construído com o povo, com as vozes das ruas e com a sensibilidade do governo de ouvir as reivindicações da juventude, com diálogo e sem truculência. Segundo o parlamentar, o projeto apresentado não tem demagogia e respeita as condições financeiras do Estado. O petista criticou a bancada de oposição por nunca, quando no governo, propor a ideia do passe livre aos jovens.
Critérios claros
A deputada Míriam Marroni ressaltou que o Rio Grande do Sul é o primeiro estado do país onde o governo toma a atitude de respeitar as mobilizações dos estudantes e viabilizar o acesso deles à universidade, através da decisão do governador Tarso Genro de apresentar o projeto do passe livre. Ela lembrou que o houve uma expansão do ensino superior e a criação de mais dez universidades no país no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Trabalho na Universidade Federal de Pelotas e há 40 anos não tínhamos a expansão das universidades públicas”, ressaltou. Míriam destacou ainda que o projeto apresenta critérios muito claros, de 1,5 salário mínimo de renda per capita familiar e ainda a necessidade da comprovação de frequência. O corte por renda, segundo ela, não restringe o acesso, pois é o mesmo critério utilizado no Prouni e que garante o passe livre a quem realmente precisa. “Este projeto ajuda a melhorar significativamente a condição dos estudantes para buscar a sua vaga nas universidades”, afirmou a deputada.
Voz das ruas
O deputado Nelsinho Metalúrgico desafiou os parlamentares do PSDB e do PMDB a esclarecerem a razão pela qual seus governos nunca apresentaram projetos que beneficiavam os estudantes. Nelsinho afirmou que o projeto do governo Tarso Genro foi feito para os estudantes que precisam de recursos públicos, ouvindo a voz das ruas, em sintonia com aqueles que saíram pra reclamar dos preços das passagens e da péssima qualidade do transporte público. O deputado também conclamou os jovens a lutar pelo transporte público de qualidade.
Corte de classe
Na visão do deputado Adão Villaverde, o corte de classe e de renda no projeto é fundamental e destacou que o governo teve sensibilidade de ouvir as reivindicações justas da população. Segundo o petista, a luta social e as reivindicações sempre existiram. No entanto, foi o governo Tarso Genro que tomou a iniciativa de dar respostas aos movimentos pelo transporte coletivo de qualidade com tarifa condizente. O deputado aponta como singular e histórica a aprovação do projeto, iniciativa que será referência nacional, dando um salto inicial no acolhimento das reivindicações das ruas a partir do corte de classe.
Governo Lula
O deputado Jeferson Fernandes destacou que os parlamentares do PSDB, em especial, tentam passar a noção de que sempre defenderam os estudantes brasileiros e gaúchos, quando, na verdade, foi o governo Fernando Henrique Cardoso que fechou universidades públicas no país, retirou restaurantes universitários, auxílio transporte, moradias dos estudantes. “Só passava no vestibular o filho do rico, o pobre era excluído”, disse. Esta situação, segundo o deputado, mudou muito quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um metalúrgico sem curso superior, ampliou as universidades que já existiam e criou 14 novas universidades, o Prouni, o Fies e 350 Institutos Tecnológicos país afora. “Isso o PSDB não fala”, completou Fernandes. O petista afirmou que não há dinheiro suficiente para todos e que o governo tomou uma medida justa, beneficiando o filho do trabalhador, “porque o dinheiro público é para quem precisa, não é para a elite”, afirmou. Com o critério de 1,5 salário mínimo, acrescentou, não se contempla a todos, mas a ampla maioria dos estudantes será beneficiada, o que comprova que o projeto é muito bom e justo, concluiu.
Para quem precisa
A deputada Stela Farias observou que o projeto foi elaborado juntamente com os jovens que foram às ruas protestar, prevendo exatamente um corte de classe, através do critério de renda, assim como o Prouni, o Bolsa Família e a política de cotas. “Estas são todas políticas do governo do presidente Lula para cá e nós não temos interesse, não é política programática nossa, nem do governo federal e nem do governo do estado, fornecer passe livre para quem não precisa”, afirmou. O projeto, acrescentou, não tem erro, foi concebido exatamente desta forma, com um corte classista. Stela lembrou que já estão previstos R$ 8 milhões para atender o passe livre nas regiões metropolitanas e aglomerados urbanos e outros R$ 8 milhões para os demais municípios do interior. Segundo ela, este é apenas o início de uma nova política social no estado que, como todas as outras, começa pequena e depois passa a ser ampliada. Por fim, cumprimentou a casa por votar favoravelmente a uma política pública que, talvez mais adiante, passe a contemplar também a outros jovens, homens e mulheres, também com um corte classista.
Juventude
A deputada Ana Affonso fez uma saudação à juventude presente nas galerias e destacou os avanços políticos conquistados pelo segmento social, como a criação do Estatuto da Juventude e do Conselho Nacional da Juventude no plano federal e as políticas inclusivas dos governos Lula e Dilma para os jovens. A deputada também destacou a criação da Coordenadoria da Juventude e a realização da Conferência da Juventude no RS. A parlamentar ressaltou que o projeto do Passe Livre coloca uma outra tarefa posterior, que é a participação no Conselho Gestor e nos Conselhos dos Polos Universitários.
“Justiça é tratar diferente os diferentes”
Ao final, a deputada Marisa Formolo afirmou que “hoje querer tratar igual a todos não é fazer justiça, fazer justiça é tratar diferente os que são diferentes”. Isso, segundo ela, significa que quem tem menos recursos possui menos condições de garantir o seu direito de se movimentar e se descolar até a universidade onde estuda e, por isso, tem o direito de receber mais, de se beneficiar do passe livre. A deputada também negou que haja privilégio para as regiões metropolitanas e aglomerados urbanos no projeto, uma vez que o mesmo valor destinado para estes centros, R$ 8 milhões, será destinado para o restante do interior do estado. “O passe livre é para quem mais precisa, é um ato de justiça”, finalizou.