Apoio à ditadura: Será difícil aceitar as desculpas da Rede Globo, diz Pont
O presidente do PT/RS, deputado Raul Pont comentou editorial, lido no JN desta segunda-feira por William Bonner, em que a empresa admite que errou ao apoiar o golpe militar de 1964Raul Pont (PT) ocupou a tribuna do plenário da Assembleia Legislativa, na tarde desta terça-feira (03), para comentar o editorial da Rede Globo apresentado durante o Jornal Nacional, na noite desta segunda-feira (2) pelo jornalista William Bonner, em que a empresa da família Marinho admite que errou ao apoiar o golpe de 1964 e pede desculpas pelos equívocos decorrentes disso ao longo dos anos seguintes. “Quase caí da cadeira”, ironizou Pont. “Cinquenta anos depois!”, acrescentou. Para ele, vai ser muito difícil para quem sofreu com as perseguições da ditadura desculpar a Globo.
Sob o título “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”, o texto lido pelo apresentador do JN começa dizendo que “Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura”, admite o editorial. “Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro”, acrescenta o comunicado oficial da maior empresa de comunicações do Brasil e uma das maiores do mundo, como para reforçar seu arrependimento.
Pont ressaltou da tribuna que o editorial está cheio de explicações, dizendo que o momento do país era difícil, marcado pela guerra fria e com um acirramento político muito duro e, principalmente, apontando que o movimento militar ocorreu como “um golpe democrático preventivo”, contra uma possibilidade de golpe que viria do próprio presidente eleito (João Goulart). Mas, apesar dessas ressalvas, o texto que expressa a posição oficial da empresa reconhece o equívoco da sua posição diante da derrubada à força, contra a Constituição, de quem estava na presidência.
“Não é algo menor (o reconhecimento do erro pela Globo), acho que ao menos ontem consegui revigorar a minha esperança na humanidade, afinal, depois de meio século as pessoas reconhecerem o erro sempre é bom”, ponderou. Bonner também disse, lendo o editorial, que a Rede Globo precisa se desculpar de todos os erros que cometeu ao longo desse período da ditadura, a partir desse pecado original. “Será difícil desculpar, para quem foi preso, torturado, para quem assistiu durante décadas este jornal, esta televisão, inventar versões, mentir ao povo brasileiro, para esconder fatos, plenamente comprovados, quantas vezes, de pessoas mortas dentro do Doi-Codi, da Operação Bandeirantes, do Dops de São Paulo, que eram retiradas mortas de lá para simular um acidente, para dizer que a pessoa morreu por atropelamento ou que foi baleada quando tentava fugir”, rememorou Pont.
Estas versões mentirosas da ditadura, continuou, ganhavam ares de veracidade no dia seguinte pela reprodução que lhes davam os meios de comunicação, principalmente a Rede Globo. O próprio editorial, inclusive, cita outros jornais, como a Folha e o Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e Correio da Manhã, que tiveram a mesma atitude de cumplicidade e apoio total ao golpe. O deputado disse ainda esperar que seja verdadeira a declaração que encerra o texto: “À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma”.
“Cinquenta anos depois!”, repetiu o deputado. “Mas se isto veio de boa fé, devemos ter uma postura condescendente de que talvez o jornal busque um novo momento, um novo caminho”, disse. “Mas eu tenho absoluta certeza que aquilo que aconteceu, os males que isso trouxe para o país, isso não tem retorno, assim como não tem retorno as inúmeras concessões e canais de rádio e televisão que esse grupo recebeu de mão beijada, porque era o arauto da ditadura, o defensor incondicional e a justificadora de todas as questões que eram escondidas no seu noticiário. Essas questões certamente o povo brasileiro ainda terá o direito de continuar cobrando”, concluiu.
Com PTSUL
Leitor compara médicos e professores
Sobre salários e estruturasDelmar Bertuol
A Secretaria Estadual de Educação contrata estudantes para darem aula. Sim, acadêmicos de licenciatura a partir do 4º semestre (em muitos casos isso é menos da metade do curso) podem dar aulas para até o Ensino Médio no Rio Grande do Sul. Por que o Estado contrata esses estudantes e lhes dá regência de classe? Porque muitos profissionais formados não querem trabalhar na Educação Básica Estadual. E por que não querem? Porque o Estado paga mal.
O Governo Federal está contratando médicos estrangeiros formados para atuarem no interior do Brasil. Por que o Governo Federal está importando esses profissionais? Porque muitos médicos brasileiros não querem trabalhar no interior. E por que não querem? Porque preferem ficar nos grandes centros urbanos, onde ganham o mesmo salário.
Um professor em fim de carreira no Rio Grande do Sul, depois de talvez ter sofrido algumas agressões físicas e com certeza ter sofrido diversas agressões morais ganha no máximo, chutando alto, R$ 3.500,00. Um recém contratado ganha metade disso.
O Governo Federal está oferecendo salário de R$ 10.000,00 para os médicos atenderem no interior. Os “doutores” acusam o Estado de escravidão.
Os hospitais não têm infraestrutura adequada e faltam materiais.
Nas escolas, ocorre o mesmo fenômeno.
Quando eu estava no 4º semestre fui Professor no Estado. Meus colegas me receberam com alegria. Disseram-me que há tempos faltava Professor de História, que eu fosse muito bem-vindo.
Um médico cubano não no 4º semestre, mas formado, foi recebido com vaias pelos novos colegas brasileiros. Disseram que ele era desnecessário aqui.
Muitos idealistas defendem que o salário de um professor deveria ser no mínimo de R$ 10.000,00. Uma Lei Nacional garante R$ 1.500,00. O Rio Grande do Sul não cumpre a lei. Se os professores entram em greve reivindicando isso e melhor infraestrutura nos educandários, são tachados de desocupados. Sabiam que a vida de professor era miserável. Por que aceitaram trabalhar nisso?
Muitos idealistas defendem que os médicos deveriam ter uma Carreira de Estado, tal quais juízes e promotores. Claro que o salário se equipararia. Mais de R$ 20.000,00. Se um professor guardasse seu salário por um ano, chegaria fácil fácil nessa cifra. Quando os médicos fazem greve reivindicando isso e melhor infraestrutura nos hospitais, são aplaudidos pela média conservadora. São heróis
Artigo: AS VÉSPERAS DE UMA GUERRA OBSCENA, por Tariq Ali
No London Review of Books | Tradução: Vinícius GomesO objetivo da “guerra limitada” organizada pelos EUA e seus vassalos europeus é simples. O regime sírio estava lentamente restabelecendo seu controle sobre o país, contra a oposição armada pelo Ocidente e seus Estados tributários na região (Arábia Saudita e Qatar). Essa situação exigia correção. Nessa deprimente guerra civil, era preciso fortalecer militar e psicologicamente a oposição.
Desde quando Obama afirmou que as armas químicas era a “linha-limite”, era claro que elas seriam utilizadas. Cui prodest? como costumavam perguntar os romanos. Quem se beneficia? Claramente, não o regime sírio.
Há várias semanas, dois jornalistas do Le Monde já tinham descoberto as armas químicas. A questão é: de fato foram usadas, quem as lançou? O governo Obama e seus seguidores gostariam que acreditássemos no seguinte enredo: Assad permitiu que os inspetores de armas químicas da ONU entrassem na Síria; então, anunciou a chegada deles lançando um ataque de armas químicas contra mulheres e crianças, a mais ou menos 15 quilômetros do hotel onde estavam hospedados. Isso simplesmente não faz sentido. Quem, então, cometeu a atrocidade?
No Iraque, sabemos que foram os EUA a utilizar “fósforo branco” em Fallujah, em 2004 (não havia “linhas-limites” exceto aquelas traçadas no chão por sangue iraquiano). Portanto, a justificativa é tão turva quanto nas guerras anteriores.
Desde a invasão e guerra no Iraque, o mundo árabe está dividido entre sunitas e xiitas. Apoiando a invasão à Síria estão dois velhos conhecidos: Arábia Saudita e Israel. Ambos querem o regime do Irã destruído. Os sauditas, por disputas de facção; os israelenses, por estarem desesperados para acabar com o Hezbollah. Esse é o grande objetivo que têm em mente e Washington, após resistir por um tempo, está voltando a considerá-lo. Bombardear a Síria é o primeiro passo. (…)
Os iranianos reagiram fortemente e ameaçaram retaliação apropriada. Pode ser um blefe, mas o que isso revela é que até o novo líder “moderado”, prestigiado pela mídia ocidental, assumiu posição não distinta à de Ahmadinejad. Teerã compreende bem o que está em jogo e por quê. Cada uma das intervenções ocidentais no mundo árabe e seus arredores tornou as condições piores. Os ataques que estão sendo planejados pelo Pentágono e suas filiais na OTAN provavelmente terão o mesmo padrão.
Enquanto isso, no Egito, um Pinochet árabe está restaurando a “ordem” da velha maneira violenta já consagrada e com o apoio dos líderes, ligeiramente constrangidos, do conglomerado EUA/Europa.
1 de Setembro de 2013 - 6h55
Paul Craig Roberts: Mais uma guerra em construção
Washington e seus governos-fantoches, da Grã-Bretanha e da
França, aprontam-se para mais atos criminosos. A imagem do ocidente
como criminoso-de-guerra não é imagem de propaganda criada por inimigos
do ocidente: é o retrato que o próprio ocidente fez dele mesmo.
Por Paul Craig Roberts*, no IE - Institute for Political Economy
O Independent britânico noticia que, no fim de semana passado, Obama, Cameron e Hollande concordaram em lançar mísseis cruzadores em ataques à Síria no prazo de duas semanas, apesar de não haver qualquer autorização da ONU e apesar de não haver qualquer prova que confirme o que diz Washington, que o governo sírio teria usado armas químicas contra “rebeldes” apoiados por Washington e por forças externas também apoiadas por Washington e que tentam derrubar o governo sírio.
De fato, a pressa para iniciar a guerra advém do risco de os inspetores da ONU nada encontrarem que confirme o que Washington diz, e, muito provavelmente, de que encontrem provas do envolvimento de Washington no falso ataque de “rebeldes”, que reuniram grande número de crianças num local, para serem assassinadas por veneno, assassinato que, na sequência, Washington atribuiria ao governo sírio.
Outra razão pela qual a gangue tem pressa para começar a guerra é que Cameron, primeiro-ministro britânico quer a guerra já, antes que o Parlamento o enquadre e o impeça de dar cobertura aos crimes de guerra de Obama , exatamente como Tony Blair deu cobertura a George W. Bush – cobertura pela qual Blair foi devidamente recompensado. E o que interessaria a Cameron a vida de sírios, quando pode aposentar-se e mergulhar nos braços de uma fortuna de $50 milhões?
O governo sírio, sabendo que não é responsável pelo ataque com armas químicas, concordou em receber inspetores de armas químicas da ONU, para que determinem que substância foi usada e como foi usada. Mas Washington decretou que é “tarde demais” para inspetores da ONU e que Washington aceita a informação que lhes chega de “rebeldes” afiliados da Al-Qaida, que dizem que o governo sírio atacou civis com armas químicas.
Em tentativa para impedir que os inspetores da ONU que já chegaram à Síria façam seu trabalho, eles foram recebidos a tiros por atiradores em território ocupado pelos “rebeldes” e expulsos de lá, embora matéria distribuída mais tarde pela rede Russia Today informe que eles já retornaram ao local e prosseguem na inspeção.
O corrupto governo britânico declarou que a Síria pode(ria) ser atacada sem autorização da ONU, como a Sérvia e a Líbia foram militarmente atacadas sem autorização da ONU. Em outras palavras, as democracias ocidentais já estabeleceram o precedente para violarem a lei internacional. “Lei internacional? Não precisamos de porcaria nenhuma de lei internacional!” O ocidente só conhece uma regra: Força é Poder. Enquanto o ocidente tem a Força, o ocidente tem o Direito.
Em resposta às notícias de que EUA, Grã-Bretanha e França preparam-se para atacar a Síria, o ministro russo de Relações Exteriores, Lavrov, disse que essa ação unilateral é “severa violação da lei internacional” e que é violação também ética e moral. Lavrov referiu-se às mentiras e falsidades de que o ocidente serviu-se para justificar suas violações graves à lei internacional em ataques militares à Sérvia, ao Iraque e à Líbia, e a como o governo dos EUA usou movimentos preventivos, para matar qualquer esperança de acordo pacífico no Iraque, na Líbia e na Síria.
Mais uma vez, Washington trata de impedir preventivamente qualquer esperança de acordo pacífico. Ao anunciar o próximo ataque, os EUA já destruíram qualquer incentivo para que os ‘rebeldes’ participem das conversações de paz com o governo sírio. Às vésperas daquelas conversações, os “rebeldes” já não tem qualquer incentivo para negociar qualquer paz, uma vez que os militares ocidentais estão vindo em seu socorro.
Em sua conferência de imprensa, Lavrov falou de como os partidos que governam EUA, Grã-Bretanha e França acionam as emoções de uma opinião pública mal informada, emoções que, uma vez acicatadas, têm de ser satisfeitas com mais guerra. Esse, claro, é exatamente o modo como os EUA manipularam a opinião pública para atacarem o Afeganistão e o Iraque. Mas o público norte-americano está farto das guerras, cujo objetivo jamais é declarado, e aprendeu a desconfiar dos pretextos dos governos para mais e mais guerras.
Pesquisa da Reuters/Ipsos determinou que “os norte-americanos opõem-se fortemente à intervenção de EUA na guerra civil síria e entendem que Washington deva manter-se fora do conflito, mesmo que se comprove que o governo sírio tenha usado produtos químicos mortais para atacar civis”. Mas Obama pouca importância dá ao fato de que só 9% dos norte-americanos aprovam sua obsessão belicista. Como o ex-presidente Jimmy Carter disse recentemente, “os EUA não têm democracia que funcione”. Têm um estado policial, cujo executivo se autoinstalou acima da lei e da Constituição.
Esse estado policial está agora a ponto de cometer mais um crime de guerra de estilo nazista, de agressão não provocada. Em Nuremberg, os nazistas foram condenados à morte, por ações exatamente idênticas às que têm sido cometidas por Obama, Cameron e Hollande. O ocidente investe na força, não no direito, para manter-se longe do banco dos réus.
Os governos de EUA, Grã-Bretanha e França não explicaram que diferença faz que as pessoas, nas guerras iniciadas pelo ocidente, sejam mortas por explosivos feitos de urânio baixo-enriquecido ou por agentes químicos ou por algum outro tipo de arma. Era óbvio, desde o começo, que Obama já assestava sua mira contra o governo sírio. Obama demonizou as armas químicas – mas não as bombas convencionais de perfuração, detona-bunkers, que os EUA talvez usem contra o Irã. Aconteceu quando Obama traçou sua tal linha vermelha e disse que o uso de armas químicas pelos sírios seria crime de tal ordem que o ocidente seria obrigado a atacar a Síria. Os fantoches britânicos de Washington, William Hague e Cameron, só fizeram repetir essa irracionalidade inominável. O passo final da farsa foi orquestrar um ataque químico e culpar o governo sírio.
Qual a real agenda do ocidente? Eis a pergunta que ninguém pergunta e ninguém responde. Claramente, os governos de EUA, Grã-Bretanha e França continuamente manifestaram apoio a regimes ditatoriais que serviram aos seus objetivos, e jamais se preocuparam com ditaduras. Chamam Assad de ditador como meio para demonizá-lo para massas ocidentais sempre mal informadas. Mas Washington, Grã-Bretanha e França apoiam número incontável de regimes ditatoriais, como no Barein, Arábia Saudita, e agora a ditadura militar no Egito, que assassina egípcios sem que nenhum governo ocidental fale de invadir o Egito porque o ditador egípcio está “matando seu próprio povo”.
Claramente também, o iminente ataque ocidental à Síria nada tem a ver com “liberdade e democracia” para a Síria, como tampouco alguma liberdade ou alguma democracia teve algum dia algo a ver com as razões para os ataques contra o Iraque e a Líbia – países que absolutamente não ganharam nenhuma liberdade e nenhuma democracia.O ataque do ocidente à Síria nada tem a ver com direitos humanos ou qualquer das altas causas sob as quais o ocidente mascara a própria criminalidade.
A imprensa-empresa ocidental, e menos que qualquer outra a presstitute norte-americana, jamais pergunta a Obama, Cameron, ou Hollande sobre qual é a real agenda deles. É difícil acreditar que algum repórter seja suficientemente estúpido ou enganável a ponto de crer que a agenda seria levar “liberdade e democracia” à Síria ou punir Assad por usar armas químicas contra gangues assassinas que tentam depor o governo sírio.
Claro que, mesmo que a pergunta fosse feita, não seria respondida. Mas o ato de perguntar ajudaria a opinião pública a começar a pressentir que há muito mais, nisso tudo, do que a vista alcança. Originalmente, o pretexto para as guerras de Washington foi proteger os norte-americanos contra terroristas. Agora Washington se dedica a entregar a Síria a jihadis terroristas, ajudando-os a derrubar o governo Assad – governo secular, não terrorista.
Qual a agenda que se oculta no apoio que Washington dá ao terrorismo?
O objetivo talvez seja fazer guerras que levem os muçulmanos ao radicalismo e, na sequência, desestabilizar a Rússia e até a China. A Rússia tem grandes populações muçulmanas e é cercada por países muçulmanos. Até na China há alguns muçulmanos. Com a radicalização invadindo os dois únicos países capazes de opor resistência à hegemonia mundial de Washington, a propaganda distribuída pela imprensa-empresa ocidental e grande número de ONGs financiadas pelos EUA fazendo pose de organizações “de direitos humanos”, é só esperar um pouco, e teremos Washington obrando para demonizar os governos de Rússia e China, se não tomarem medidas duras contra “rebeldes”.
Outra vantagem da radicalização dos muçulmanos é que outros países muçulmanos serão deixados entregues ao torvelinho de longas guerras civis, como já acontece no Iraque e na Líbia, o que removeria qualquer estado e poder organizado que pudesse obstruir os avanços de Israel.
O secretário de Estado John Kerry trabalha pelo telefone, distribuindo ou ameaças ou propinas para construir aceitação, se não apoio, para o crime de guerra que se vai armando em Washington contra a Síria.
Washington corre a alta velocidade em direção ao ponto mais próximo de uma guerra nuclear, mais próximo do que jamais chegou nem nos mais perigosos períodos da Guerra Fria. Quando Washington tiver destruído a Síria, o alvo seguinte será o Irã. Nem Rússia nem China conseguirão se autoenganar e continuar a crer que ainda exista qualquer sistema de lei internacional capaz de conter o ímpeto criminoso do ocidente.
A agressão ocidental já está forçando os dois países a desenvolver forças nucleares estratégicas e a expulsar a rede de ONGs financiadas pelo ocidente que vivem a fazer pose de “organizações de direitos humanos”, mas que, de fato, são quintas-colunas que Washington pode usar para destruir a legitimidade dos governos russo e chinês.
Rússia e China foram extremamente negligentes nos contatos com os EUA. Na essência, a oposição política na Rússia é paga pelos EUA. Até o governo chinês está sendo minado. Cada vez que uma empresa norte-americana abre um escritório na China, inaugura um balcão de negócios no qual emprega parentes de políticos chineses. Essas empresas convertem-se em canais para distribuir dinheiro que influenciam decisões e lealdades de membros locais e regionais do partido comunista. Os EUA já se infiltraram nas universidades e nas atitudes intelectuais na China. A Universidade Rockefeller é ativa na China, e também a filantropia Rockefeller. Vão-se criando vozes dissidentes, que se arregimentam contra o governo chinês. Demandas por “mais liberdade” podem fazer ressuscitar diferenças regionais e étnicas e minar a coesão do governo nacional.
Quando, afinal, Rússia e China perceberem que estão minadas pelas quintas-colunas dos EUA, diplomaticamente isoladas e em inferioridade no campo do armamento convencional, só as armas atômicas serão fiadoras da soberania daqueles países. É altamente provável que a humanidade seja extinta bem antes de sucumbir ao aquecimento global ou ao crescente endividamento das nações.
Atualização:
Os criminosos de guerra de Washington e demais países ocidentais estão determinados a manter sua mentira de que o governo sírio usou armas químicas. Tendo falhado seus esforços para intimidar os inspetores da ONU, Washington exigiu que o Secretário Geral, Ban Ki-moon, os retirasse antes que pudessem avaliar as provas e fazer seu relatório. Ban Ki-moon discordou dos criminosos chefiados por Washington e rejeitou a demanda. Como se pode ver a decisão dos EUA “et caterva” não se baseia em fatos.
Os governos dos EUA e dos “poodles” europeus não revelaram quaisquer mínimas provas de que o governo sírio tivesse usado armas químicas.
Ouvir suas vozes, observar sua linguagem corporal e olhando bem dentro de seus olhos, fica completamente óbvio que John Kerry e seus fantoches britânicos, franceses e alemães mentem com seu sorriso irônico.
O que fazem é muito mais vergonhoso do que Colin Powell fez quando disse na ONU sobre a existência de “armas de destruição em massa” do Iraque onde afirmou que foi enganado pela Casa Branca e não sabia que estava mentindo. Kerry e seus “poodles” ingleses, franceses e alemães sabem muito bem que estão mentindo.
As caras que EUA e suas colônias europeias apresentam ao mundo são as caras-de-pau dos mentirosos.
________________
[*] Paul Craig Roberts (nascido em 3 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica.
Durante o século 21, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos.
Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.
Fonte: Redecastorphoto. Traduzido pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu
Intelectuais de Brasília defendem nova agenda para esquerda
Em debate promovido pela ‘Carta Maior’, eles divergiram sobre a natureza dos protestos que irromperam no país, mas convergiram sobre a necessidade da formulação urgente de uma nova agenda para a esquerda brasileira, que proteja as conquistas acumuladas nos últimos dez anos, mas permita a efetivação dos avanços reivindicados pelas ruas. Por Najla Passos, de Brasília
Najla Passos
Brasília – Os 25 intelectuais e
acadêmicos convidados por ‘Carta Maior’ para debater, nesta quinta-feira
(8), em Brasília, o sentido das recentes manifestações que eclodiram no
Brasil, apresentaram impressões tão díspares sobre o fenômeno quanto
foi a pauta de reivindicações impressa nos cartazes exibidos pela
juventude brasileira. Mas convergiram para a necessidade da formulação
urgente de uma nova agenda para a esquerda brasileira, que proteja as
conquistas acumuladas nos dez anos de governos populares, ao mesmo tempo
em que permita a efetivação dos avanços reivindicados pelas ruas.
“Estamos vivendo o que Milton Santos chama de período popular da história. (...) Estamos, sim, em uma luta de
“Estamos vivendo o que Milton Santos chama de período popular da história. (...) Estamos, sim, em uma luta de
classes
,
que é a luta da periferia. Apesar do aumento da renda, há uma
periferização do espaço urbano como um todo. (...) Há uma mobilidade
social que impacta em uma mobilidade urbana: a crise só vai se
aprofundar”, alertou o pesquisador da área de mobilidade urbana do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Renato Balbim.“Vivemos uma crise de representação por ausência da possibilidade de expressão. Temos um sistema concentrado de mídia, que não nos permite voz. E só ter acesso às redes não resolve. O problema não é só se expressar. É ser ouvido e interferir”, afirmou o professor aposentado da cadeira de Políticas Públicas de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) Venício Lima.
“As insatisfações estão presentes nas ruas das formas mais diversas, entre grupos de formação ideológica diferentes. Há agendas progressistas, mas também muitas pautas conservadoras”, enfatizou a professora de Ciência Política na UnB, Flávia Biroli, para quem é imperativo se atentar para as novas formas de articulação e ação política que estão surgindo, não só nas redes, mas também, por exemplo, nas relações dos jovens da periferia com as cidades.
“A periferia que entrou no ônibus vai querer entrar no carro. A pressão [por melhores serviços públicos] é real”, observou Ronaldo Garcia, pesquisador do Ipea, para quem os governos Lula/Dilma seguiram com problemas estruturais que vêm de longe. “A mobilidade urbana é problema antigo. Em algum momento, as frustrações e aspirações crescentes explodiram”, diagnosticou.
“As manifestações são causa e consequência do modelo que a gente adotou, das políticas públicas dos últimos dez anos, do crescimento da classe média. Temos que pensar como intervir neste processo que está claramente em disputa”, propôs Mariana Martins, da Faculdade de Comunicação Social do Iesb.
“O Brasil era exceção ao que estava acontecendo em outros países da América Latina. Agora, teremos a oposição de volta às ruas brasileiras, como ocorre na Venezuela, na Argentina”, opinou Mauro Patrão, do departamento de Matemática da UnB, para quem os avanços dos últimos dez anos resultaram no encolhimento da oposição que, agora, retorna à cena para disputar corações e mentes.
“É difícil construir uma interpretação sobre as manifestações de junho porque há vários fenômenos confluentes. Um ponto de partida é a frustração generalizada com a falta de permeabilidade do sistema político brasileiro quanto às manifestações da maioria da população”, apontou o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Luis Felipe Miguel.
“Eu trabalho com uma hipótese mais conservadora. A Revolta do Bonde data do império. As pessoas reclamam do transporte há muito tempo. (...) As pessoas estão insatisfeitas porque não têm renda. O problema é, sim, de ordem econômica”, resumiu Carlos Batista, de Política da UnB.
“Este é um fenômeno de mudança tecnológica. Não vejo nenhuma mudança estrutural. Não se tem novas insatisfações, mas uma tecnologia que permite potencializar as antigas, as de sempre”, opinou o pesquisador do Ipea Felix Lopez.
A professora de Ciência Política na UnB Flávia Biroli ressaltou a necessidade de se atentar para as novas formas de articulação e ação política que estão surgindo. “É preciso pensar aspectos geracionais da política, como as redes sociais. Mas não é só isso. Precisamos entender, por exemplo, como a juventude da periferia percebe a agenda política”, exemplificou.
Responsabilidades políticas
Além de divergirem sobre a natureza dos protestos, os intelectuais apresentaram posições diversas sobre as responsabilidades políticas. As críticas ao PT se sobressaíram nos discursos de acadêmicos independentes e mesmo militantes históricos que, apesar do mea culpa, não deixaram de ressaltar os ganhos reais dos últimos dez anos e as boas perspectivas futuras dentro do campo da esquerda hegemônica.
Um alto representante do governo do DF, presente no encontro, lembrou que, um dia após o atentado ao Itamaraty, participou de uma plenária do PT em que a mesa era analógica enquanto o plenário era digital: alguém da mesa disse que as manifestações eram orientadas pela direita, mas os próprios jovens que estavam no plenário afirmaram que estiveram presentes.
“As manifestações retratam o envelhecimento da estrutura política dos partidos. E o PT não é exceção. Mas eu ainda acredito que não se constrói democracia sem partidos: o que eles precisam é ter sangue novo”, observou. Para esse participante, o partido precisa avançar com a experiência. “Parte da juventude que foi às ruas é filha das políticas de inclusão dos últimos anos”, concluiu.
Outro integrante do governo do DF, também presente, avaliou que o saldo dos últimos dez anos é positivo. “A agenda em 2002 era por emprego, pelo combate à inflação, contra a fome. Em 2013 temos uma agenda muito superior, por melhores serviços públicos, por reforma política, contra os ataques aos direitos indígenas e contra um Marcos Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos”, observou.
Mas frisou a necessidade da atualização da agenda de esquerda. “Se antes, no cenário político, as coisas convergiam para o centro, o rescaldo hoje é de polarização. (...) As pessoas querem saúde pública ou renda para pagar planos de saúde? Querem transporte público de qualidade ou mais viadutos para seus carros circularem? Querem praça ou shopping center? A agenda de acesso à cidade está em aberto”.
Já um outro participante, que é membro fundador do PT e servidor público do Ministério da Saúde, atribui a maior carga de responsabilidade a partidos de esquerda como PSTU, PSOL e PCO. “Essa juventude glamourizada que tudo pode foi levadas às ruas pela disputa hegemônica dentro da própria esquerda. O PT tem responsabilidade brutal, porque tenta hegemonizar o campo, mas os demais partidos de esquerda também têm”, opinou.
Papel da mídia
Para Mauro Patrão, da UnB, é impossível deixar de considerar a participação da mídia convencional no processo. “Houve ação deliberada e coordenada dos meios de comunicação para dirigir os movimentos à direita. A oposição de fato – que é a mídia brasileira – foi quem acabou organizando essas manifestações”, alertou.
Professora de Políticas Públicas de Comunicação da UnB, Elen Geraldes seguiu a mesma linha. Para ela, um dos objetos de investigação em comunicação deve ser o protagonismo das redes sociais versus o agendamento da mídia convencional. “Um agendamento extremamente conservador, no início, e, na segunda semana, um contra agendamento total, com mais espaço para as manifestações, elogios e até sugestões de pautas”.
Venício Lima, apesar de frisar a total falência da grande mídia nos seus critérios de noticiabilidade, alertou para o perigo da supervalorização das redes sociais. Para ele, se a sociedade acreditar que as pessoas se expressam suficientemente bem só pelas redes, a mídia convencional, que ainda pauta a agenda política, será privilegiada com o enfraquecimento da luta pela democratização das comunicações.
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