quinta-feira, 30 de abril de 2015

Em repúdio ao massacre no Paraná e pela qualidade do ensino público, 15 estados fazem greve nacional



Ao menos cinco estados brasileiros mantém estado de greve dos professores há mais de um mês. Entre eles São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Pará e o Paraná, que nesta quarta-feira (29) protagonizou um massacre aos professores que protestavam contra mudanças na previdência social. O fato gerou o repúdio nacional da categoria e deverá impulsionar a paralisação nacional desta quinta-feira (30), convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
A greve nacional deve ocorrer em 15 estados, segundo confirmação das entidades filiadas à CNTE. Os professores reivindicam garantia de direitos e melhor qualidade do ensino público no país. “Só estamos querendo que se cumpra a lei. Um dos principais focos da nossa paralisação e que sempre pauta todas as nossas lutas é o cumprimento da Lei Nacional do Piso do Magistério”, fala o presidente da CNTE, Roberto Franklin Leão.
Ao longo do dia ocorrerão assembleias de professores e protestos em Câmara Municipais, Assembleias Legislativas e pelas ruas do país. “Queremos o cumprimento dos prazos do Plano Nacional de Educação, o piso, as carreiras para educadores e funcionários de escola. Alguns estados alegam falta de recursos e não pagam o piso, outros pagam o piso e achatam as carreiras”, explica Leão.
Outros casos, como São Paulo, que tenta há 40 dias uma negociação com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), exigem o cumprimento da meta 17 do PNE, que estabelece paridade entre salários dos profissionais com formação superior. “Hoje o educador que tem a mesma formação de outro profissional que atua em outro setor do serviço público, ganha quase 50% a menos. Tem que ser uma média igual a todas as carreiras”, comenta o presidente da CNTE.
Além das pautas da categoria, a violência autorizada pelo governador Beto Richa (PSDB) no Paraná nesta quarta-feira (29) também estará na agenda de lutas desta quinta. “É um dia de unidade de todos os professores que exigem respeito a seus direitos e a sua vida. Estamos orientando as entidades a emitirem notas em repúdio à selvageria autorizada pelo governador de forma covarde e desproporcional”, avalia o presidente da CNTE.
Foto: Divulgação APP
Foto: Divulgação APP

RS não adere greve mas repudia violência contra professores do Paraná
Para a presidente do Cpers/Sindicato do Rio Grande do Sul, Helenir Schürer, o tratamento dado aos professores pelo governador do Paraná chocou o país e indignou os educadores. “Uma nação que permite um estado agir com tal violência para com aqueles que são a base de uma sociedade, está com sérios problemas. É inaceitável e esperamos que isto não ficasse impune. Se não dermos uma resposta a este episódio, nada impede que ele se repita em outros estados”, afirma.
Sobre a paralisação nacional, Helenir disse que o ato promovido no dia 24 de abril já atendeu a agenda aprovada pela categoria. Ela se solidariza com os protestos dos demais estados e também repudia qualquer relativização sobre o que ocorreu professores do Paraná. “Eu enquanto educadora fico chocada ao ouvir algumas pessoas aplaudindo a reação da polícia para agredir os trabalhadores ontem. Isto é o mesmo que vemos em sala de aula com alunos com valores completamente distorcidos. Nossa sociedade está doente”, considera.
Mais de cem pessoas ficaram feridas em cerca de uma hora e meia de repressão da polícia do governador Beto Richa (PSDB) para com os servidores que protestam desde o início da semana contra um projeto de lei que altera as regras de custeio da Paraná Previdência, no Centro Cívico, em frente à Assembleia Legislativa. O projeto promove perdas em direitos previdenciários do funcionalismo a pretexto de socorrer as finanças do estado. Os professores, em greve, estão acampados desde segunda-feira (27) no local.
Foto: Rodrigo Pinto / Jornalistas Livres
Foto: Rodrigo Pinto / Jornalistas Livres
Ex-ministra dos Direitos Humanos pede punição de Beto Richa
Foto: Leandro Taques
Foto: Leandro Taques
Após o conflito, educadores, sindicatos, políticos e parlamentares vieram a público se manifestar. Entre eles , os deputados federais Jean Wyllys (PSOL) e a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Ambos repudiaram o fato e criticaram a falta de atenção ao episódio por parte da imprensa.
“Esta não é a primeira vez que o governo Beto Richa age com violência contra os educadores que lutam por seus direitos. Também não é por acaso que em São Paulo, o governo Alckmin do PSDB, utiliza os mesmo métodos contra os professores, desconsiderando suas reivindicações e jogando sobre eles a repressão. É inaceitável o uso da violência pelas forças de segurança. O uso indiscriminado de armamentos contra manifestações públicas demonstra a vocação de um governo disposto a reprimir porque não quer dialogar. Beto Richa transpôs o limite da legalidade e promoveu uma afronta aos Direitos Humanos e deve ser responsabilizado por isso”, bradou na tribuna a deputada Maria do Rosário e pediu punição do governador.
A professora e advogada Luciana Genro (PSOL), ex-candidata à presidência, chegou a igualar Beto Richa ao líder nazista Adolf Hitler. “Os professores que reivindicam seus direitos à qualidade do trabalho, salário e previdência são massacrados pela polícia do governador. O PSOL se solidariza e entende que isto só colocará a população do Paraná ao lado dos professores e fortalecerá o espírito de luta desta categoria”, falou em vídeo gravado horas depois do conflito.
Foto: Divulgação APP
Foram 107 pessoas feridas, entre elas um integrante da CNTE e um jornalista da Band./ Foto: Divulgação APP
Foto: Divulgação APP



Via: http://www.sul21.com.br/

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