Agenda internacional de 19 a 26 de janeiro de 2014
O tema mais importante da semana é a abertura da chamada Genebra II, com a Conferência de Paz convocada pela ONU, Estados Unidos e Rússia sobre a Síria.

Síria e Oriente Médio
O tema mais importante da semana é a abertura da chamada Genebra II, nesta cidade suíça, com a Conferência de Paz convocada pela ONU, Estados Unidos e Rússia, sobre a guerra civil na Síria. A Conferência abre na quarta-feira, 22, com discursos previstos pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, o Secretário de Estado John Kerry, dos EUA, e o Chanceler Sergei Lavrov, da Rússia. As negociações propriemente ditas devem começar – pelo menos de público – na sexta-feira, 24.
Os impasses são vários: o Secretário Ban Ki Moon, convidou oficialmente o Irã a participar da Conferência, coisa que contrariou os EUA, que afirmam que este país ainda não satisfez todos os requisitos para estar na mesa. Na Coalizão Nacional da Síria (oposição), 58 grupos votaram a favor da presença, 14 contra e cerca de 30 boicotaram a votação. Alérm disto os grupos ligados à Al Qaïda, financiados pela monarquia saudita, não participam. Bashar Al-Assad declarou que sua presidência não está em discussão, e que el só aceita sair mediante eleições (ainda este ano), se perder; já os grupos de oposição exigem – com apoio dos EUA – que a saída de Assad seja uma das condições da paz. Assim mesmo, a realização da conferência abre a possibilidade de uma reviravolta na questão, e na região: até quatro meses atrás, só de falava em bombardeios e soluções militares, enquanto que agora esta possibilidade está descartada, pelo menos enquanto a Conferência continuar. A Turquia, antes completamente contrária à permanência de Assad, está com uma posição mais flexível, além de estar também enfrentando uma crise interna grave.
Outra reviravolta que transparece na questão é a do renascimento diplomático da Rússia, que mudou a balança na região inteira.
A Conferência tem também como efeito colateral a possibilidade de uma solução negociada e diplomática da questão do programa nuclear iraniano – da forma antecipada, três anos atrás pela ação do então Presidente Lula, do Brasil, e do Primeiro Ministro Erdogan, da Turquia.
Neste tema também há novidades e desdobramentos. A Agência Internacional da ONU para Energia Atômica continua as inspeções no Irã, enquanto a União Europeia levanta suas sanções econômicas contra o país.
Espionagem
Prosseguem as reações ao discurso do presidente Obama sobre a questão da espionagem norte-americana. Os comentários variam desde um apoio cauteloso à promessa de que “líderes de nações amigas não serão mais espionados” até o completo descrédito, dizendo que, no fim de contas, o discurso não muda nada no que se refere à questão do direito `a privacidade. De todo modo a fala de Obama aponta para uma vitória, ainda que parcial, tanto do próprio Edward Snowden, quanto da presidenta Dilma e também da chanceler Angela Merkel. Depois de um começo hesitante, o governo da chanceler juntou-se ao Brasil na apresentação de uma proposta de regulamentação internacional da questão à ONU, o que também mostra a maior aproximação entre os dois países, o que poderá ter consequências no que se refere à reforma do Conselho de Segurança da ONU e ao pleito do Brasil por uma vaga permanente neste órgão.
Estados Unidos
O presidente Obama fez uma discurso dizendo que não aprova o consumo da maconha, mas que a sua criminalização tem provocado situações de discriminação conta minorias, e que ela não é pior do que o álcool. O estado de Washington seguiu os passos do estado do Colorado e do Uruguai, discriminalizando e regulamentando toda a cadeia da maconha, da produção ao consumo. A situação não deixa de ter um efeito negativo para alguns canastrões da velha mídia brasileira, que, quando o presidente José Pepe Mujica tomou a iniciativa de propor a regulamentação, disseram que ele não se vestia mal, era um presidente ridículo, etc., mas também tinha “ideias mal ajambradas”, querendo “estatizar” a maconha, etc. Queremos ver agora o mesmo ser dito a respeito do presidente Obama, do Colorado, de Washington... E há outros estados norte-americanos na fila para descriminalizar e regulamentar a produção e o uso da maconha.
Alemanha
Prossegue a crise interna do governo alemão, enquanto a Chanceler continua de cama, com a bacia fraturada. O epicentro da crise deslocou-se para o Ministério do Trabalho. A Ministra Andrea Nahles (SPD) começa a implementar a proposta, acertada para a formação do governo, de reduzir a idade de aposentadoria para 63 anos para certas categorias e situações, como a de quem já contribuiu para a Previdência Social por 45 anos. A Associação de Empresários reinvindica a restrição ou até a anulação desta proposta, enquanto economistas ligados à CDU da chanceler qualificaram –na de “um absurdo” e, ao contrário, pedem que a idade de aposentadoria seja elevada para 69 anos (hoje varia de 65 a 67). Os argumentos são os de sempre: aumento do gasto público, aumento de desemprego, etc.
Assinale-se: na Alemanha o único critério de aposentadoria é o da idade; e em geral, ele é compulsório. Uma exceção, ;por exemplo, é a dos médicos e psicanalistas e psicólogos, que podem trabalhar além da idade prevista.
Economistas e políticos conservadores – inclusive de dentro do governo – prosseguem a batalha contra a adoção do salário mínimo nacional de 8,50 euros por hora.
A Europa foi surpreendida na segunda-feira 20 pela publicação do relatório trimestral (outubro a dezembro de 2013) do Deutsche Bank com prejuízo de mais de 1,1 bilhão de euros. O caso esará em debate nesta semana.
Europa
Prosseguem as manifestações da oposição em Kiev, na Ucrânia, enquanto o Parlamento Nacional votou leis que endurecem a restrição a elas. O objetivo dos manifestantes é aproximar mas o país da União Europeia, afastá-lo da Rússia, ou até mesmo derrubar o governo do Presidente Viktor Janukovitsch e do Primeiro-Ministro Mykola Asarov.
Na terça-feira, 21, a União Européia começa a debater a incorporação da Sérvia, depois que o governo de Belgrado começou um processo de reaproximação com o Kossovo, pondo fim à tensão entre ele e este novo país, ex-província separatista.
Bancos europeus começam a devolver, nesta semana, cerca de 1 bilhão de euros em empréstimos ao Banco Central Europeu, feitos por ocasião das crises de 2010 e 2011.
Fóruns e assemelhados
Na quarta-feira, 22, começa uma edição temática intermediária do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, com a marcha tradicional pela paz e temas conexos. Haverá também fóruns temáticos parciais, como o da Educação. No mesmo dia abre-se o Fórum Econômicos de Davos, na Suíca, onde, na sexta-feira, 24, discursará a presidenta Dilma.
Nesta segunda, 20, começa a reunião da União Européia sobre a crise na República Centro-Africana, onde já há a presença de tropas francesas e da União Pan-Africana. Começa também a Conferência sobre Energia de Abu-Dabi, on de repetem-se os temas da energia limpa e economias autossustentávgeis e das dificuldades de que os países mais ricos assumam suas responsabilidades.
Relatórios Internacionais
Na terça-feira, 21, a ONG Human Rights Watch publica seu relatório anual. O Brasil estará na mira, certamente, devido ao caso Amarildo, no Rio de Janeiro, e dos presídios do Maranhão. Vamos ver o que sairá sobre Guantánamo, a discriminação dos imigrantes na Europa, a espionagem internacional, entre outros temas.
Na quinta-feira, 23, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) publica seu relatório sobre Trabalho e Saúde Mental: o caso da Suíça. Sairão a seguir relatórios sobre Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega, Reino Unido, Austrália, Áustria e Holanda.
Papa Francisco I
O Papa reza nesta semana pelos imigrantes e todos aqueles que se vêem forçados a abandonar seus lares. A iniciativa incide sobre a Europa, onde prosseguem as campanhas de direita contra os imigrantes pobres.
Chile x Peru
Nesta semana o Tribunal de Haia dá seu veredito sobre a disputa de fronteira entre o Chile e o Perú, com questões não resolvidas desde o século XIX. Conforme for, a decisão, além de mexer na fronteira entre os dois países, reabrindo concentciosos entre eles, poderá ter ressonâncias sobre as reivindicações da Bolívia sobre uma saída para o mar.

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