Debatedores defendem reforma na comunicação em seminário na Capital
No evento - que integra a programação do seminário Crise de Representação e Renovação da Democracia (#CriseXXI) -, o secretário-geral de Governo, Vinícius Wu, reiterou que as mobilizações demonstram que é preciso avaliar os caminhos da democracia no Brasil. "Há uma insatisfação, um déficit de legitimidade das instituições políticas, que precisa ser resolvida a partir de um reencontro das expectativas da sociedade e da capacidade de resposta do poder público do Estado".
Conforme Wu, os governos estão diante do desafio de examinar novas formas de participação, mas destacou que o Executivo gaúcho dispõe, desde 2011, de diversos canais de comunicação com a sociedade. "Estamos buscando avançar na compreensão a respeito desses movimentos e das suas demandas sobre o Estado, em especial no sentido da criação dos canais de participação e interferência da cidadania nas decisões públicas.
Debatedores
Diretor e sócio fundador da Carta Maior, Joaquim Palhares - um dos debatedores - afirmou que as mobilizações das ruas "devolveram a capacidade dos brasileiros" de fazer política, além de levar o tema à discussão nas universidades. Apesar de considerar importante mudanças no sistema político, Palhares enfatizou que a principal reforma precisa ocorrer na comunicação. "É ilusão achar que a reforma política seja a mãe das reformas. A mãe das reformas é a da comunicação, porque ela vai destravar o debate e vai possibilitar que as outras reformas, que também são extremamente necessárias, possam ser debatidas à luz do interesse público e não à luz do interesse de grupos midiáticos.
Outro convidado do debate, o jornalista Renato Rovai, da revista Fórum, afirmou que a participação de mídias alternativas - blogs, sites - na cobertura dos eventos registrados nos eventos de junho resultou numa cobertura histórica. "As manifestações de junho deram relevância a novos atores midiáticos, ao que a gente chama de mídia livristas. Muito do que se produziu de conteúdo naquele momento, e que se produziu em primeira mão, não veio da imprensa tradicional comercial, mas veio de pessoas que estavam fazendo outro padrão de comunicação".
Diretor do portal Sul 21, Antonio Castro disse que os jovens não se sentem representados pela cobertura jornalística dos meios tradicionais. No caso do Sul 21, Alberto explicou que o portal conseguiu fazer uma cobertura que não "fosse contaminada" pelos interesses corporativos da grande mídia. "Essas manifestações tinham como um dos motes centrais justamente que a juventude não se sentia representada pelas estruturas de poder vigente. Ela incluiu nessas estruturas de poder, a grande mídia, se dando conta de que a grande mídia são negócios e que são, portanto, instrumentos de defesas de interesses corporativos e empresariais".
Texto: Felipe Samuel
Edição: Redção Secom (51) 3210.4305

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