Alckmin libera volta da bala de borracha
Rodrigo Mendes
O Brasil viveu, em junho, um atípico fenômeno de manifestações de massa. Algo que havia saído do cotidiano das pessoas e que tinham como foco da cobertura da mídia apenas os reflexos no trânsito era novamente reconhecido como instrumento de mudança.
Um dos fatos que mais indignou enorme parcela das pessoas que passaram a ocupar as ruas cotidianamente foi a brutal e desmedida violência da Polícia Militar, principalmente no dia 13 de junho. Nesse dia, inclusive, dois profissionais da imprensa foram atingidos no olho. Um deles, Sérgio Silva, perdeu a visão de um dos olhos. Até hoje o Governo não procurou o fotógrafo. No dia 17 de junho, Alckmin proibiu o uso da bala de borracha em manifestações.
De fato, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pode ser considerado um dos grandes responsáveis por ter feito a população tomar as ruas.
A repercussão foi muito negativa, e relatos de violência policial pipocavam por todo o país. Os governos arrefeceram.
Até agora.
Principalmente Rio de Janeiro e São Paulo têm visto um aumento da violência por parte das polícias nas repressões a recentes manifestações, em especial às que os professores em greve no Rio de Janeiro têm promovido.
E consonante com isso, desde 8 de outubro, a polícia de São Paulo está autorizada a usar novamente a bala de borracha. O discurso é de que a repressão com a bala de borracha não é contra manifestantes, mas contra “vândalos”.
Isso porque uma parte dos manifestantes depredou bens públicos e privados em manifestação, ocorrida em São Paulo, de apoio aos professores no Rio de Janeiro.
A reação dos movimentos sociais foi de ceticismo.
O membro do Comitê Pela Desmilitarização da Polícia Givanildo Manoel ressalta que “a bala de borracha é potencialmente letal”. Segundo ele, o governo mostra mais uma vez ser incapaz de “apresentar uma resposta que melhore as condições de vida da população. É sempre repressão. O estado de São Paulo vive, há muitos anos, um estado de exceção permanente”.
Já para o Movimento Passe Livre, principal catalisador das manifestações de junho, a tentativa de identificar quem seriam “os vândalos” e quem seriam os manifestantes legítimos é uma forma de separar os movimentos sociais, como disse a membra do movimento Nina Capello em recente entrevista à TVT.
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